Sobre o protesto do Clube Slotcar da Trofa, na Gala do Desporto da Trofa

por João Mendes 0

Fez Sábado uma semana, jogadores e técnicos da equipa de futsal do Clube Slotcar da Trofa, acompanhados por elementos da direcção da associação, subiram ao palco da Gala do Desporto da Trofa para receber o prémio pela sua fantástica prestação da época anterior, durante a qual se sagraram campeões. Antes do evento, decidimos em conjunto que devolveríamos o prémio à CM da Trofa, como forma de protesto pela perseguição de que temos vindo a ser alvo por parte do executivo camarário.

Numa sociedade democrática, o protesto é um direito que assiste a qualquer cidadão ou entidade. Por esse motivo, é normal que quem protesta procure chegar ao maior número de pessoas possível. Foi assim em inúmeras cerimónias dos Óscares, por exemplo, e noutras ocasiões de natureza similar.

Como é óbvio, não me cabe na cabeça que o alvo ou o representante do alvo de tais protestos ou críticas fure o protocolo e imponha a sua agenda política, porque um discurso de recebimento de um prémio não é o tempo de intervenção do público de uma Assembleia Municipal. Não é um debate político. É um momento do galardoado, e se o microfone está aberto para que o galardoado se dirija à plateia, como oportunamente referiu a apresentadora do certame, então esse é o seu momento, não o do presidente da câmara ou de qualquer outro titular de cargo público.

Contudo, no regime de Sérgio Humberto, as coisas não funcionam assim. No regime de Sérgio Humberto, o poder é ele e tudo parece girar à sua volta. E como por vezes se comporta como dono disto tudo, demonstrando uma tremenda falta de cultura democrática, Sérgio Humberto subiu ao palco, furioso, e usou da palavra, sem pedir licença a ninguém, como se fosse dono e senhor do evento, não tendo sido dada a mesma oportunidade ao presidente do Clube Slotcar da Trofa. O microfone foi disponibilizado aos vencedores para fazerem as declarações que entendessem na sequência da distinção, não para que os politicos na assistência fizessem declarações posteriores de alegada reposição da verdade

E porque a alegada reposição da verdade do autarca não passou de um grande embuste, importa esclarecer e efectivamente repor a verdade. Importa esclarecer que o Clube Slotcar da Trofa usufrui de instalações camarárias, como o pavilhão do Coronado, porque essa utilização está prevista na lei para qualquer associação, não sendo, como o autarca subtilmente tentou sugerir, um benefício exclusivo desta associação. O Clube Slotcar da Trofa usufrui também da utilização do bar junto ao Aquaplace, na sequência de um concurso público para o qual foi convidado por este executivo, existindo, para o efeito, um vínculo contratual. Não obstante, a própria actividade desenvolvida na nossa sede tem vindo a ser condicionada de várias formas, que já tivemos oportunidade de expor e denunciar noutras oportunidades.

Importa também esclarecer que dizer que o Clube Slotcar da Trofa não paga as contas da água e da luz é uma história muito mal contada. Uma história que, em breve, será detalhadamente contada a todos os trofenses, tal como foi já contada à justiça portuguesa. E ainda que fosse como Sérgio Humberto e outros a contam, que não é, importa esclarecer que as regras do jogo foram ditadas pelo executivo camarário, não pelo Clube Slotcar da Trofa. Lá iremos, com o máximo detalhe possível.

Importa também esclarecer que os atletas e equipa técnica da equipa de futsal do CST estavam totalmente alinhados com uma decisão que foi tomada em conjunto, não imposta aos atletas e técnicos pela direcção do Clube Slotcar da Trofa, como o autarca sugeriu. E isto é importante por ser um embuste e por estar directamente relacionado com o ponto seguinte.

Importa também esclarecer que o Clube Slotcar da Trofa não é de uma nem de duas pessoas. O Clube Slotcar da Trofa é dos associados e é representado por uma direcção eleita pelos associados. Uma direcção feita maioritariamente de pessoas muito jovens, altamente empenhadas e responsáveis, que desenvolvem dezenas de actividades anuais, nas mais variadas vertentes, com sucesso assinalável. Já a CM da Trofa, pela forma como o seu presidente quebrou o protocolo para, sem dar justificação a ninguém, interromper a gala para impor a sua agenda pessoal, é que parece ser controlado por uma pessoa só. Tal nunca aconteceria com a direcção do Clube Slotcar da Trofa. E não aconteceria porque existe harmonia, alinhamento e muita vontade de reforçar a Trofa. Ali, o colectivo sobrepõe-se aos ímpetos individualistas, que colocam agendas pessoais à frente dos interesses da associação.

Importa ainda referir, e é audível nas gravações do evento, que um dos vereadores ordenou à apresentadora que cortasse o microfone, impedindo que presidente do Clube Slotcar da Trofa respondesse às alegações do presidente da CM da Trofa, demonstrando, uma vez mais, que na Trofa não somos todos iguais. Aliás, o facto de não sermos todos iguais fica ainda mais claro se considerarmos as declarações da apresentadora, que perante a tentativa de contraditório do presidente do Clube Slotcar da Trofa referiu que “não estamos aqui num diálogo”, apesar de ter permitido a reacção intempestiva do presidente da CM da Trofa. Não, não somos todos iguais. Mas podemos e devemos vir a ser.

Em todo o caso, nem tudo foi mau. Certas declarações do presidente, que até ao dia da gala não eram assumidas pelo próprio, ficaram cristalinamente esclarecidas. E serão anexadas ao processo judicial em curso, que opõe esta colectividade a certos elementos do executivo camarário. Para a história fica uma vez mais provado, em registo vídeo, que a ditadura, ao contrário daquilo que referiu em tempos Sérgio Humberto, não terminou no dia em que foi eleito. A julgar por uma triste sucessão de factos, terá começado precisamente naquele dia. Mas nem assim nos vergarão. Mais factos virão a público nas próximas semanas.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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