Bicicletas Urbanas da Trofa: 10 mil euros para gerir 20 bicicletas?

por João Mendes 0

Depois de muitos meses a acumular pó no calabouço do Aquaplace (ver foto em cima), as 20 Bicicletas Urbanas da Trofa, ou BUT, viram finalmente a luz do dia. Para o efeito, juntou-se a corte do monarca local, com a presença de amigalhaços do partido que nada têm que ver com a iniciativa, tiraram-se várias fotos para promover os suspeitos do costume, que também é para isso que nós pagamos os fotógrafos da câmara, e fez-se a habitual encenação propagandística a que o regime humbertista já nos habituou e do qual se vai alimentando.

As BUT, contudo, não são culpadas pelo seu encarceramento de mais de um ano nas profundezas do Aquaplace, tema que o João Pedro Costa trouxe para este blogue por altura das Autárquicas de 2017. Tampouco são culpadas pela sua instrumentalização político-partidária por parte de políticos que vivem destes artifícios. Contudo, politiquices à parte, a existência deste serviço, onde a Trofa está longe de ser pioneira, até pela péssima adequação que as vias do concelho têm para a utilização da bicicleta, pese embora a propaganda da coligação que tenta convencer os trofenses que uns quantos metros de pista na Alameda são uma ciclovia, é uma boa notícia que deve ser saudada.

Saudadas que estão as 20 bicicletas que os nossos impostos pagaram, para utilizar no Parque das Azenhas e nos 300 ou 400 metros de mini-pista que existe na Alameda da Estação, gostava de perceber duas coisas. A primeira é o porquê de só agora terem visto a luz do dia, depois de mais de um ano a apanhar pó numa arrecadação do Aquaplace. A segunda tem a ver com o facto de a Câmara Municipal da Trofa ter pago uma soma de 8400€ + IVA para, e cito, a “Aquisição de prestação de serviços para gestão técnica do projecto BUT – Bicicletas Urbanas da Trofa”. Gestão técnica? Qual gestão técnica?

Um sistema urbano de bicicletas precisa de manutenção, precisa de acompanhamento financeiro e contabilístico, precisa de gestão da sua utilização e, no limite, necessitará de alguma divulgação inicial. Não existem funcionários na autarquia para colmatar estas necessidades? Não poderiam estas tarefas ser asseguradas pelos serviços centrais da autarquia? Claro que podiam, mas não era a mesma coisa. Afinal de contas, estamos a falar de 20 bicicletas, não de uma rede de milhares. Contudo, ao invés disso, temos mais um ajuste directo, para não variar, com a novidade adicional de, desta vez, não ter sido sequer disponibilizado o contrato público em questão. Que é como quem diz “que se lixe a transparência”, outro clássico por estas bandas. Será que havia algum amigo a precisar de emprego?

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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