Rota dos Bares da Trofa: Entrevista Nº 1 – DESPERADOS BAR

por A. Grevy 0

Ficha de Apresentação:

Proprietária: Roberta “Bekaz” Guimarães

Género: Rock / Rock Alternativo                                      Música ao Vivo / DJs

Horário: 13h – 02h00                                                          Fumadores

               

Abrir ou tomar conta de um bar hoje em dia não são favas contadas, mas há quem ainda arrisque e, com sorte e trabalho, petisque! O Desperados Bar no centro da Trofa já era bar antes de ter este nome, mas detém já este nome há quase seis anos e veio para ficar. Quando passou a ser Desperados abraçou um conceito diferente, um conceito que fazia falta na Trofa, tendo especialmente em conta o número de bandas rock da terra -passadas e presentes – e os seus muitos fiéis seguidores. Servir uma necessidade e ocupar um “buraco” que existia na cena musical e de entretenimento Trofense foi meio caminho andado para o sucesso que é hoje. Com a sua decoração vintage rock, ambiente descontraído, preços muito acessíveis e música no âmbito do rock (desde os Blues ao Grunge), criou-se a receita para uma casa na qual a aposta foi ganha.

Situado na agora Alameda da Trofa, perto do Parque Nª Senhora das Dores, conseguiu unir no mesmo espaço uma clientela muito eclética e de várias gerações (dos 17 aos 77), que partilha o mesmo gosto pelo convívio e pela música. Mesmo tendo clientes fixos há já vários anos, todas as semanas aparece gente nova, trazida pelo acaso ou pelos amigos que já frequentam. E voltam sempre, e trazem outros. E assim está o Desperados e recomenda-se!

Sentei-me lá no bar com a atual proprietária – Roberta Guimarães, Bekaz para os amigos e clientes da casa – para uma entrevista informal acerca do Desperados, das suas motivações, projetos e visão para o futuro.

1 – Olá Bekaz. Obrigada por me receberes.

Lembras-te como era era esta zona e o ambiente antes de o Desperados existir?

B.: Olá! O prazer é meu!

Lembro sim. Quano comecei a vir para estes lados ainda aqui estava a linha de comboio que entretanto desapareceu e ficou “abandonada” muito tempo. O ambiente por aqui era diferente porque as pessoas que frequentavam os espaços que aqui existiram eram diferentes também. Era um ambiente um pouco mais “pesado”.

2 – Quando começaste a trabalhar no Desperados?

B.: Comecei em Julho de 2014,mais ou menos um ano depois de abrir com este nome.

3 – A Trofa entretanto mudou bastante. Tiveste receio que afetasse o bar?

B.: Não pensei muito nisso. Só não quis nunca que a casa “morresse” e foi para isso que trabalhei sempre.

4 – Como foi passar de empregado do Desperados a dona?

B.: Foi complicado. Passei automaticamente de colega a patroa e tive algum receio de como isso seria encarado, mas passou logo. Estamos aqui todos para o mesmo, com o mesmo objetivo. Há regras que têm que ser cumpridas, mas nada de extraordinário e foi uma passagem harmoniosa. Algumas coisas já fazia como empregada, só aumentou o volume  e a responsabilidade, mas lidei bem com isso. A meu ver o que é mais complicado é os clientes perceberem que agora nem sempre posso estar presente porque há muito trabalho que tem de ser feito fora.

5 – Quais são os desafios maiores?

B.: No início pensei que seria trazer as bandas para virem cá tocar. Nunca o tinha feito. Mas entretanto encontrei o meu ritmo e o à vontade para lidar com estas e outras coisas. O facto é que “peguei” num bar com alguns problemas e isso é muita responsabilidade, especialmente com “staff” a depender disto para viver. Não sou se família rica, não tinha nenhuma fortuna para investir. Trabalhamos todos muito para sentirmos uma maior segurança quanto ao projecto que estávamos a abraçar.

6 – Qual o segredo para, mesmo durante a semana, ter sempre gente aqui até à hora do fecho?

B.: O ambiente, sem dúvida. A descontração, o modo como todas as pessoas são recebidas, indepentemente da geração, da situação económica, se entra de farda do trabalho ou de fato e gravata. Toda a gente é bem-vinda desde que em nada prejudique o ambiente e toda a gente se dá bem. Há pessoas que percorrem as mesas todas durante o tempo que cá estão porque tem amigos em todas elas. Não basta a música ser boa, tem de se gostar de estar aqui, tem de se ter vontade de voltar logo no dia seguinte e de trazer mais gente. É disso que nos orgulhamos muito.

7 – As bandas e DJs já provaram ser uma mais valia ao fim de semana. Há projetos diferentes para o futuro próximo?

B.: A ideia é manter sempre o conceito. Mas claro que se pensa sempre noutras formas de dinamizar o bar. Ter, por exemplo, um DJ ou stand-up à semana, mas está tudo numa fase embrionária ainda porque tudo pressupõe investimento e ainda há outras coisas por fazer que têm prioridade, como algumas obras e melhoramentos. Há bandas do sul do país que querem cá vir atuar porque já ouviram falar do bar e ficaram muito interessados, mas teríamos que pagar alojamento para além do cachet por exemplo,  mais licenças necessárias para ter música ao vivo e o dinheiro não chega para tudo. Tem de ser aos poucos e com cabeça.

8 – Fala-me do Staff. O que é que cada membro acrescenta ao conceito do que é o Desperados?

B.: São três pessoas muito diferentes, mas que se completam.

A Ema é a mais antiga. É o meu pilar. “Dá-me na cabeça” quando eu preciso (ri-se), motiva-me e dá-me força, e faz-me manter os pés bem assentes na terra. Tenho muito respeito por ela e muita gratidão.

O Marco está connosco há quase dois anos. Chamo-lhe o senhor “tá-se bem”! (ri-se) Com ele é só paz e amor para toda a gente. Nunca se chateia com ninguém, é um apaguizador, quer sempre toda a gente bem e tem muita paciência.

A Regina é a nossa “caloira”! (ri-se) Está connosco há dois meses, mais ou menos. É a mais novinha e o Marco é o “pai adoptivo” dela! (gargalhadas) Enturmou-se bem e está sempre a aprender e a melhorar.

Somos todos muito diferentes mesmo, mas funciona porque nos completamos e o que um não tem, tem o outro.

9 – Tens outros sonhos para o bar e para além do bar?

O meu sonho é o Desperados ficar conhecido na zona Norte especialmente como um sítio de referência. Até podíamos abrir outro, mas nunca vai ser igual. As variáveis que se uniram aqui para que isto funcione, não se podem replicar noutro sítio. Mas gostava muito que fosse inspiração para se criarem outros bares em locais como a Trofa, bares que, como o Desperados, fossem uma segunda casa para quem lá vai. E mesmo que daqui a muitos anos venda o bar, terá sempre de ser a pessoas com o mesmo espírito que nós.

Sonhos para além do bar? Não sei. Neste momento sou “casada” com o Desperados, vivo para isto. É difícil fazer projetos a nível pessoal quando se está tão dedicada a uma coisa, apesar de achar que isso é um erro. Devemos sempre ter tempo para nós e para sonhar, mas para já o meu sonho está aqui.

10 – Uma mensagem para os clientes atuais e outra para clientes futuros.

B.: As mensagens aos clientes atuais eu gosto de dar presencialmente. Quando dou pela falta deles e lhes pergunto se está tudo bem, quando digo que gosto muito deles, etc. Posso cometer muitos erros e vir a cometer mais, mas estou bem ciente da amizade que sinto por eles e que sem eles não vivo. Quero melhorar sempre para daqui a cinco anos, por exemplo, ainda ver as mesmas caras a entrar-me pela porta.

Para os novos fica o desafio lançado. Se andarem à procura dum sítio onde se possam sentir em casa mesmo que venham sozinhos, ouvir boa música, beber umas cervejas e uns shots num ambiente super agradável e descontraído, serão muito bem-vindos.

Muito obrigada Bekaz! Continuação de boa sorte para o futuro!

B.: Obrigada eu!

A. Grevy

Sou das histórias e gosto delas. As que marcam a diferença, as que nos marcam pela diferença e as que primam pela verdade. Quando se tem a sorte de se viver dentro de histórias imaginárias as dores deste mundo, que ele causa, desaparecem, mas não é com essas nem dessas que vivo. Sentimentalista, ativista e pro tudo aquilo que sem magoar ninguém, nos faça felizes! Escrevo porque não tenho outro remédio, porque numa página em branco, existe o conforto e a excitação de um mundo inteiro de possibilidades! Escrevo porque o “papel” não julga, ampara e “ouve” tudo aquilo que me vai cá dentro… e é tanta coisa!

Migrada do Porto para a Trofa em 2015, e sua frequentadora há quase duas décadas, é a esta terra que agora chamo casa! E é com imenso prazer que me junto a uma comunidade de autores que respeito muito! Aos que embarcarem nesta viagem comigo, agradeço e despeço-me com uma citação do meu autor americano preferido – Paul Auster: “As histórias só acontecem àqueles que estão dispostos a contá-las”

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.