História #4 – Dedicada à minha Avó Laurinda!

por A. Grevy 0

Cedo demais.

Partiste cedo demais, sem aviso, sem eu saber que, quando me despedi de ti naquela plataforma de comboio, seria para sempre.

O que é que se faz quando o “nosso mundo” desaparece?

O que é que se faz quando a única coisa que se sente a seguir é a imensidão de uma tristeza que nunca se experienciou antes?

O que é que se faz, aos 14 anos de vida mal vivida ainda, para impedir que essa tristeza nos engula?

Desde 1991 que faço essas perguntas. Desde 1991 que espero uma resposta qualquer.

Mas hoje, hoje seria um dia de festa, se ainda cá estivesses. Hoje, tudo o resto ficaria para segundo plano, por mais importante que fosse, para nos sentarmos à volta da tua mesa, para cantarmos o hino à tua vida, para te cobrirmos de beijos, abraços e sorrisos!

Lembro-me de tudo contigo, como se fosse ontem. E é essa a maior homenagem que te posso fazer, Avó! Quase 27 anos depois, lembro-me de tudo. A marca que deixaste em mim, em nós, foi de tal forma profunda, foi de um amor tão grande, que sobreviveu ao teste do tempo.

Nos teus olhos vejo os olhos da minha Mãe, o maior presente que me deste para além do privilégio de te ter conhecido! Sonho contigo, muitas vezes. Sonho contigo e sinto o teu cheiro, o teu perfume, reconheço a tua voz na forma de chamamento quando gritavas amorosamente da varanda: “Deiaaaaa, o comer está pronto!” E lá ia eu a correr, lavar as mãos depois de jogar à bola com os rapazes do bairro (porque as raparigas “têm a mania que são princesas e isso mete nojo, avó!”).

Sinto falta dos rituais. Sinto falta da rotina de me sentir segura, amada, amparada, admirada por ti. Mas era eu que te admirava tanto! Ainda admiro, Avó!

Parabéns Avó! Onde quer que estejas, Parabéns! Onde quer que estejas, continua a olhar por mim! Porque onde quer que estejas, ainda penso, faça eu o que faça, “o que é que a minha Avó pensaria disto?”

Parabéns e Obrigada! Parabéns e continua a visitar-me nos meus sonhos porque eu continuo a precisar de ti, do teu colo, do teu conselho.

A. Grevy

Sou das histórias e gosto delas. As que marcam a diferença, as que nos marcam pela diferença e as que primam pela verdade. Quando se tem a sorte de se viver dentro de histórias imaginárias as dores deste mundo, que ele causa, desaparecem, mas não é com essas nem dessas que vivo. Sentimentalista, ativista e pro tudo aquilo que sem magoar ninguém, nos faça felizes! Escrevo porque não tenho outro remédio, porque numa página em branco, existe o conforto e a excitação de um mundo inteiro de possibilidades! Escrevo porque o “papel” não julga, ampara e “ouve” tudo aquilo que me vai cá dentro… e é tanta coisa!

Migrada do Porto para a Trofa em 2015, e sua frequentadora há quase duas décadas, é a esta terra que agora chamo casa! E é com imenso prazer que me junto a uma comunidade de autores que respeito muito! Aos que embarcarem nesta viagem comigo, agradeço e despeço-me com uma citação do meu autor americano preferido – Paul Auster: “As histórias só acontecem àqueles que estão dispostos a contá-las”

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