O jogo de(mora) uma vida

por José Calheiros 0

Não sei se devia ambicionar mais da vida (talvez ser um senhor) mas na verdade, anseio, semana após semana, desde há muitos anos, pelo domingo de manhã, onde às 11 horas, sem falta, nas coordenadas - Latitude: N 41º 20' 26'' Longitude: W 8º 32' 40'' -  acontece o nosso jogo da bola. É um enorme acontecimento, não pelo futebol praticado (são sete “mancos” contra seis “mancos”, mais eu), mas pelo facto de que quando digo o “nosso jogo” é a forma de ainda nos encontrarmos! Se bem que após alguns falhanços, de um ou de outro, de baliza aberta, passo bem a semana sem os ver!

O jogo deste último domingo, dentro da sua espectacularidade singular, foi mais um igual aos outros...o jogo começa às 11, mas em campo ainda só estão o Miguel e o Mário, no balneário, o Rodrigo está a tirar a roupa e o telefone toca…é o Quim. O Quim está na bomba de gasolina onde deixou o carro para lavar e precisa de boleia.

- Não te posso ir buscar, estou a equipar-me – responde o Rodrigo.

Do outro lado, o Quim diz algo ao qual o Rodrigo responde, - O Calheiros também não pode, está de trusses.

Devido a fortes laços familiares, o Miguel que está no campo, interrompe o aquecimento e vai buscar o cunhado, apesar de não gostar jogar com ele, mas adora ver o sobrinho que acompanha sempre o pai.

Chateado, o Cabral, que joga no lado do “inimigo” resmunga – A vossa equipa ainda não está cá?! (da equipa dele ainda faltam dois)

Já com quase todos em campo, chega o Miguel a resmungar com o Quim, devido aos fortes laços familiares, mas sorri quando olha para o sobrinho que dá razão ao tio.

- Agora que estamos todos, vamos começar?! – diz o Cabral, perguntando.

- Esperai um bocado! – diz o Edu, enquanto entra em campo. Afinal ainda faltava um jogador... adversário.

Enquanto o Edu aquece, o David vem ter comigo para me transmitir a mensagem errada. Em vez de dizer, “Admiro todo o teu virtuosismo técnico e táctico”, queixa-se, “Passei a semana com dores na perna e a tomar medicação, por causa de um “cacete” que me deste.” Lembro-me de nesse jogo ele me ter dado três “cacetes”...faz parte!

O Edu termina o aquecimento e estamos prontos para começar, são 11h15m e a parte boa é que estamos a aguentar o empate...costumamos não ganhar!

Havendo duas bolas, alguém decidiu complicar o que estava complicado para começar, perguntando – Com que bola jogamos?

Quase todos queriam jogar com a bola branca e eu proponho jogar com a azul. A branca é demasiado redonda, enquanto a azul é ligeiramente ovalizada, sendo mais propícia à qualidade técnica da maioria!

Hilário, que toma conta do campo, avisa-nos, “Hoje o jogo tem que acabar mesmo ao meio dia. Tenho que ir a um sítio!”.

Perante a informação e tendo o jogo ainda não começado, senti que apesar de correr o risco de pagar para fazer apenas o aquecimento, poderíamos aguentar o empate se o jogo não chegasse a começar!

Mas começou, e logo parou com uma dúvida do Sá – Afinal aonde jogo? No meio campo ou a lateral?

(Sim, ainda há coisas que não conseguimos definir antes do jogo começar)

Quim, o “Presidente” do grupo, põe o Sá a avançado e o jogo recomeça já quase no fim!

 

Chegou a haver esperança no empate!

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