Contradição, D Zita Formoso? Qual contradição?

por João Mendes 0

A política maiata Zita Formoso, chefe de gabinete do presidente da CM da Trofa, decidiu promover uma tentativa de linchamento virtual à minha pessoa, na sua página de Facebook. Para o efeito, e após ter colocado o plano em marcha, enviou-me uma mensagem a convidar-me para o evento, sabendo de antemão que eu não poderia ver dita publicação (ou não tivesse sido ela a publicá-la) por não ser seu “amigo” facebookiano. Podia ter feito uma publicação aberta/pública para que eu a pudesse ver, já que fez questão de me informar sobre a mesma? Podia, mas dessa forma não conseguiria mantê-la hermeticamente fechada para si e para os seus.

Lá lhe expliquei, como se ela não soubesse, que a publicação mais recente que conseguia ver era a última publicação pública que constava no seu mural. Solução: pedido de amizade. Lá aceitei o repto da senhora, e, uma vez lá chegado, já os seus amigos se dedicavam com afinco a destilar o seu ódio, a insultar-me, a especular absurdos sobre mim e a debitar uma série de mentiras ao melhor estilo político-partidário. Respondi-lhe, e aproveitei também para dialogar com alguns dos haters que por ali andavam. A sessão de ataques pessoais, sem que uma única pessoa fizesse a mínima referência ao exercício de manipulação orquestrado pela D. Zita Formoso, pode ser vista em baixo.

O que motivou, então, a senhora chefe de gabinete a dar-se a este trabalho? Ora, aparentemente, eu terei entrado em contradição, devido a um texto que escrevi em 2013 neste blogue e a um outro, publicado na passada semana no jornal O Notícias da Trofa. No primeiro, numa altura em que a senhora Zita Formoso esta debaixo de fogo por parte da oposição ao recém-eleito executivo camarário, elenquei uma série de aspectos que, na minha opinião, faziam dela um activo de valor para a nossa autarquia. Tinha currículo, tinha experiência e estava perfeitamente apta para exercer a função. Cinco anos depois, mais coisa menos coisa, não alteraria uma vírgula no que ali escrevi, apesar da ingenuidade com que o fiz.

Avançando para Março de 2018, escrevi na passada semana um texto, integrado num conjunto alargado que estou a escrever para O Notícias da Trofa, sobre a máquina de propaganda do actual regime. Nele recordei o Toninho, uma personagem de ficção que marcou os primeiros tempos do Correio da Trofa, que servia essencialmente para atacar o anterior executivo sob uma capa de anonimato que ninguém alguma vez assumiu. Questionei-me, nesse mesmo texto, sobre por onde andaria ele, o “Toninho”, sempre tão incisivo e atento aos contornos mais nebulosos da vida política local, e que tantas saudades deixou:

Foquemo-nos, pois, na saudosa personagem do Toninho. Nesse ser fictício que outrora nos chamava a atenção para as práticas mais suspeitas e nebulosas do antigo regime. Nesse exemplo maior da ordinarice política, que nos falava sobre compadrios, favores e negócios insólitos que marcaram negativamente o exercício do poder do executivo Joana Lima. Nesse fantoche orquestrado por políticos sem escrúpulos ou espinha dorsal, a quem nada escapava. Nesse exemplo maior que reflecte, como poucos, quão baixo um político está disposto a ir pelo poder, e que desapareceu assim que o objectivo para o qual foi criado foi atingido. Onde estás tu, Toninho?

No seguimento da minha dúvida inicial sobre a admirável, embora curta, existência do Toninho, (e o texto original, sem cortes ou alterações, pode ser lido nesta hiperligação) continuei, questionando-me sobre qual seria a sua postura “se continuasse a sua cruzada e, imaginação fértil a minha, se fosse um tipo desprendido do poder, honesto e imparcial”, fazendo alusão a um conjunto de factos que, noutros tempos e com outros protagonistas, o Toninho nunca teria deixado passar em branco:

Tenho curiosidade de perceber o que seria se o Toninho existisse, se continuasse a sua cruzada e, imaginação fértil a minha, se fosse um tipo desprendido do poder, honesto e imparcial. Questiono-me sobre o que diria ele acerca dos mais de 20 mil euros que o executivo Sérgio Humberto entregou aos anteriores proprietários do jornal, para organizar uma treta de concurso de fotografia e para conceber uma revista em paradeiro incerto. Questiono-me sobre a opinião que teria sobre as dezenas de milhares de euros entregues a ex-funcionários do CT, sob a habitual forma de ajuste directo, alguns dos quais chegaram mesmo a ser contratados pela autarquia para outras funções. Questiono-me sobre que juízos formularia quanto ao facto da então esposa do proprietário da empresa de assessoria de comunicação contratada pela coligação, Zita Formoso, cuja ligação à Trofa era inexistente antes das eleições, ter sido contratada para chefe de gabinete do presidente da câmara, auferindo um salário muito acima daquilo a que um comum mortal pode aspirar.

Questiono-me também sobre a ferocidade dos ataques que decorreriam na sequência dos muitos ajustes directos nebulosos que marcam a era humbertista, da utilização de recursos públicos para fins pessoais pelo presidente da câmara, da censura d’O Notícias da Trofa e da Trofa TV, da perseguição ao Clube Slotcar da Trofa, do despesismo eleitoralista que caracterizou a campanha de 2017 e, entre tantos outros exemplos que poderiam aqui ser referidos, dos muitos empregos que soube dar “aos senhores do seu aparelho partidário”, para citar uma publicação da JSD Trofa de 2011, do tempo em que Joana Lima era presidente e os jotas laranjas se preocupavam com estas coisas. Nem de propósito, o mais recente elemento do aparelho partidário do senhor presidente, a quem Sérgio Humberto soube dar emprego, foi precisamente a presidente da JSD. E da JSD, como do saudoso Toninho, nem um pio, que primeiro está o partido e os chefes e só depois os trofenses. Irónico? Nada disso. Apenas o modus operandi habitual dos políticos profissionais, com os seus dois pesos, as suas duas medidas e a sua falta de respeito por todos nós.

Ora, a senhora dona Zita Formoso é suficientemente inteligente para perceber o que aconteceu aqui, e talvez por isso tenha servido curtas citações descontextualizadas aos seus seguidores, no tal ambiente hermeticamente fechado. Aliás, e pegando nas palavras da publicação da senhora, que começa referindo que “Em 2013, Maiata, um Blogger Trofense, investigou o meu percurso. Deu-me nota positiva, com distinção, para entrar nas Portas do Concelho da Trofa.”, para de seguida alegar que “Em 2018, Trofense, o mesmo Blogger, contraria-se a meu respeito.”, importa ter em atenção que em momento algum coloquei em causa o percurso e as competências da D. Zita Formoso no texto em que a alegada contradição está presente, contrariando a tal “nota positiva, com distinção” que lhe dei. Porque na realidade, e o que em choca é que a senhora tem plena noção disto, essa contradição pura e simplesmente não existe.

Para reforçar ainda mais esta ideia, existe uma enorme diferença entre escrever um texto em que elogio as competências de uma pessoa, e um outro em que me questiono sobre o que diria uma personagem de ficção, criada para atacar políticos de todas as maneiras e feitios, sobre situações que, no xadrez político, levantam SEMPRE suspeitas. E como o tema gira, em grande parte, em torno do Correio da Trofa, usei exemplos associados ao referido “jornal”. Falei no ajuste directo aos antigos proprietários, falei nos vários ajustes directos a antigos colaboradores e referi também o facto da senhora ser, à altura da sua contratação, esposa do proprietário da empresa de comunicação que assessorou a candidatura de Sérgio Humberto e que, para o efeito, criou o Correio da Trofa.

Ao usar o exemplo da contratação/nomeação de Zita Formoso, não estou, de forma alguma, a questionar a legitimidade do exercício das suas funções, as suas competências ou conhecimento. Estou, objectivamente, a questionar o que diria o Toninho, “se fosse um tipo desprendido do poder, honesto e imparcial”, sobre o caso em questão, na medida em que questionou, por várias vezes, contratações e nomeações feitas pelo anterior executivo. E a menos que a D. Zita Formoso seja da opinião que todas as contratações e nomeações feitas pelo anterior executivo foram favores ou alocação de boys incompetentes e sem formação, o que não é de todo a minha posição, seja sobre o anterior, seja sobre o anterior a esse, seja sobre o actual, então qualquer réstia de coerência desta absurda e alegada contradição cai por terra.

Questionar o que diria uma personagem de ficção, criada com o simples propósito de fazer combate político subversivo e colocar em cheque o executivo em funções, sobre a nomeação de uma pessoa com as ligações que Zita Formoso teve à campanha de Sérgio Humberto não é a mesma coisa que pôr em causa a aptidão de Zita Formoso para exercer as funções que exerce. Aliás, em momento algum o fiz, e Zita Formoso sabe-o perfeitamente. Como sabe que não existe contradição alguma entre ambos os textos, o que de resto me deixou surpreendido, porque esperava mais dela.

Então, porque o fez?

Não sei. Talvez para ter a oportunidade de juntar os seus amigos de partido para me acusarem de invejar a sua nomeação, de não fazer nada da vida, de sofrer de bipolaridade, de ser um “rapazinho mimado e incompetente” e um “merdas da sociedade”. Ela pelo menos gostou dos insultos, o que diz tanto sobre ela como sobre quem insulta. Imagino o que seria se eu usasse metade dos termos que a D. Zita “gostou” de ver serem usados contra mim. Mas não deixa de ser irónico que aqueles que insultam, e alguns deles verdadeiros boys sem competência que chegaram a empregos públicos pela via do tacho, continuem a fazer este circo patético de me acusar de maledicência, quando não têm coragem de tocar nos temas sobre os quais vou escrevendo, e que apenas sabem aldrabar e insultar. A cegueira e o fanatismo partidário tem destas coisas.

A menos que, e desde já sublinho que acho pouco provável, a D. Zita, que já por cá andava quando o Correio da Trofa foi criado e o Toninho nasceu, sentiu as dores da personagem de ficção que, coitada, não se pode defender do meu vil e torpe ataque pessoal. Terá sido isso? Não quero acreditar.

 

Leituras adicionais:

Manipulação: a propaganda que nos vendem e o mundo real - Parte III: A mulher do director de campanha (Dezembro 2013)

A Máquina de Propaganda - Parte 4: Toninho, onde estás tu? (Março 2018)

 

 

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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