História #2 – Quimeras Trofenses!

por A. Grevy 0

Há uma coisa na Trofa (entre outras) que me deixa um bocadinho impressionada.  A quantidade de casas ao abandono que existe pela cidade fora,  nomeadamente no centro,  é no mínimo alarmante.  Esteticamente confere à cidade um ar taciturno e incompleto,  mas mais que isso é o desperdício.  Não estou a par de todas as situações que levaram ao abandono e negligência do sem número de casas e terrenos que se vêem por aí,  mas uma coisa sei: tenho tantas ideias de como podiam ser aproveitadas!  

Sou suspeita porque é uma causa que me fala ao coração,  mas a primeira coisa que fazia era recuperar umas poucas e fazer abrigos/santuários para animais abandonados,  mal tratados,  perdidos. Não era tão bom? De uma assentada salvavam-se vidas e criavam-se postos de trabalho.  Já sei,  não dá dinheiro, mas o karma é uma divisa que,  a meu ver,  vale mais que o numerário no banco. Pelo que me tenho apercebido,  há muita gente na Trofa que se preocupa com a causa dos direitos dos animais e tenho a certeza que seriam muitos aqueles que iriam voluntariar o seu tempo e até recursos para ajudar a arrancar com um projecto assim.  Falo por mim e por quem me é próximo e partilha do meu ponto de vista quando digo que nada nos daria mais prazer do que poder levar a cabo e participar num empreendimento de tal envergadura! Não vejo qualquer ponto negativo. Melhora o aspecto da cidade,  salvam-se animais,  cria-se emprego,  cria-se espírito de solidariedade e respeito pela vida, seja ela de que espécie for,  e com esta iniciativa forja-se caminho para outras,  que sem estarem intimamente interligadas,  passam a fazer sentido acontecerem em conjunto. 

Passo a explicar.  Vejo muita gente idosa pela Trofa com um ar cabisbaixo e até mesmo de abandono.  Há uma tristeza que sai do coração e se expressa no olhar e se se estiver atento,  vê-se tão bem!  Mais uma realidade deste país que me preocupa.  Sim,  porque se se abandona seres indefesos,  sem voz,  também se abandona pessoas com a mesma facilidade.  Os nossos 'velhos'  são os fiéis depositários das nossas Histórias e merecem muito mais do que aquilo que se lhes tem dado!  

E que tem isso a ver com abrigos para animais?  Tudo!  Se houver sítios assim,  em que se possa 'perder tempo'  de forma altruísta e despreocupada,  em que a recompensa é o amor sem contrapartidas,  e a alegria de se ser útil,  a qualidade de vida destas pessoas que se vêem confinadas a casa ou a andarem sem rumo pela cidade,  melhorará a olhos vistos.  Não precisam acreditar em mim.  É prova provada que lidar com animais,  cuidar deles,  dar-lhes amor,  estar simplesmente na sua companhia melhora o humor e traz inúmeros benefícios físicos e mentais que acompanham o prazer de brincar ou se aconchegar com um bichinho, seja gato, cão ou até mesmo um passarinho!

O primeiro santuário em Portugal foi construído a 40km de Lisboa, chamado simplesmente Santuário Animal, e é um espaço de e para a comunidade. O amor aos animais promove o encontro entre pessoas de todas as idades, classes sociais, religiões, cores políticas, encontro esse que seria improvável de outra forma, dando aso a relações interpessoais extraordinárias e à elevação do ser humano através da compaixão. É difícil pôr em prática? É. Há vontade? Então não há!?

Fica a dica, a quem de direito, que pense com carinho na ideia. Há muita gente com vontade de deitar mãos à obra! Há tanto por fazer na Trofa, e a requalificação urbana pode realmente ser lucrativa, mas nem tudo deve ou tem de passar pelos cifrões! A felicidade de uma comunidade traduz-se em muita coisa positiva. Como uma empresa ou qualquer negócio. Quanto mais felizes estiverem os trabalhadores, maior será a produtividade e serão os resultados alcançados!

A letra da canção “Chuva” do cantor e compositor Jorge Fernando, cantada de forma magistral pela nossa Mariza, tem um verso assim:

Há gente que fica na história
Da história da gente
E outras de quem nem o nome
Lembramos ouvir”

Sejamos pois, nós Trofenses, gente digna de ser lembrada, por um legado de valor, um legado passado de geração em geração, nunca caindo no esquecimento, sendo um exemplo a seguir, com comportamentos que inspirem imitação, a forma mais sincera do elogio.

A Trofa e as suas gentes só têm a ganhar com projectos assim!

Foto via IMGBB

A. Grevy

Sou das histórias e gosto delas. As que marcam a diferença, as que nos marcam pela diferença e as que primam pela verdade. Quando se tem a sorte de se viver dentro de histórias imaginárias as dores deste mundo, que ele causa, desaparecem, mas não é com essas nem dessas que vivo. Sentimentalista, ativista e pro tudo aquilo que sem magoar ninguém, nos faça felizes! Escrevo porque não tenho outro remédio, porque numa página em branco, existe o conforto e a excitação de um mundo inteiro de possibilidades! Escrevo porque o “papel” não julga, ampara e “ouve” tudo aquilo que me vai cá dentro… e é tanta coisa!

Migrada do Porto para a Trofa em 2015, e sua frequentadora há quase duas décadas, é a esta terra que agora chamo casa! E é com imenso prazer que me junto a uma comunidade de autores que respeito muito! Aos que embarcarem nesta viagem comigo, agradeço e despeço-me com uma citação do meu autor americano preferido – Paul Auster: “As histórias só acontecem àqueles que estão dispostos a contá-las”

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