Que se passa com o seu pasquim, senhor presidente?

por João Mendes 0

Devo-lhe dizer, senhor presidente, que estou preocupado. Já lá vão várias semanas desde a última vez que o seu pasquim chegou às bancas e, com excepção de uma ou outra notícia sobre futebol na versão online, o pasquim que o senhor presidente e a sua entourage criaram para atacar quem o antecedeu, para se promover, para promover os seus e para servir como instrumento de propaganda ao bom velho estilo da União Soviética parece estar com problemas. Não me diga que a torneira fechou! Ou que a coisa começou finalmente a dar problemas. Já não era sem tempo, não acha, senhor presidente?

Devo dizer-lhe, porque acho que nunca tive oportunidade de me dirigir directamente a si sobre o tema, que fico admirado por ter permitido que essa fraude se mantivesse no activo durante tanto tempo. No início até tinha alguma piada, e havia aquela necessidade de fazer oposição aos seus adversários, mas, eventualmente, chegou a um ponto em que se limitava a oscilar entre o porco, o desonesto e o ilegal, sempre com aquele aroma a trafulhice no ar. Mas depois de terem sido apanhados com as calças na mão, com aquele patético esquema ilegal, achei que ganhariam vergonha na cara. Mas ter vergonha na cara é algo que nem sempre assiste a todos por igual, não é mesmo?

Questiono-me sobre como conseguem vocês manter este teatro sem que ninguém se descaia.

Ou será que já descaiu?

Sabe, senhor presidente, usar pessoas e depois não ter gratificação para todas não costuma correr bem nos meios onde e senhor e os seus comparsas se movem. Gerir favores e contrapartidas manhosas tem muito que se lhe diga e, mesmo bem gerido, dificilmente chega para todos. E, por aquilo que fui aprendendo ao longo destes anos, não há nada pior que expectativas frustradas na arena onde o senhor e os seus se movem. As alianças caem, o sentimento de vingança fica à flor da pele e o inesperado acontece. O senhor presidente ficaria boquiaberto se soubesse aquilo que chegou recentemente aos meus ouvidos e olhos sobre este tema em particular. Mas tudo a seu tempo, senhor presidente, tudo a seu tempo.

Por falar em seres humanos usados como carne para canhão, como anda aquele seu grande amigo que lhe fazia uns fretes no pasquim? Aquilo é que eram tempos, quando soltavam o moço para grunhir uns insultos labregos e umas aldrabices mal-amanhadas pela outra idiota que lhe escrevia os textos. A outra idiota é tão limitada, tão consumida pelo seu próprio pretensiosismo e ilusão de poder que não tem, que nem o estilo peculiar de escrita, violadora dos mais básicos princípios gramaticais da língua portuguesa, foi capaz de esconder. Tende a acontecer com pessoas prepotentes, que se acham acima do comum mortal. Vai ser engraçado, no dia em que for exposta, vê-la corar de vergonha em frente á família, aos amigos e à sociedade em geral, o que será algo problemático, dadas as funções que ocupa. Ai vocês achavam que o assunto tinha morrido ali? Nada disso, senhor presidente! Essa procissão nem do adro passou. E alguém vai levar com o andor na cabeça, senhor presidente, mas só no sentido figurado, claro, que eu não sou tipo para resolver diferendos à pancada como certas e determinadas pessoas que o senhor conhece bem.

Senhor presidente, não preciso de colocar aqui o seu nome para saber que me dirijo a si, pois não? Aliás, era mais ou menos assim que você e a outra energúmena usavam o vosso cronista de laboratório, não era? Que tal lhe está a saber o seu veneno? Espero que esteja do seu agrado, porque no dia em que acabar de tratar dos pulhinhas que fazem o trabalho sujo, a coisa vai azedar e não vai ser pouco.  Vai ser um belo dia, senhor presidente, um belo dia! 

Imagem via TechCrunch

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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