O mau exemplo

por João Mendes 0

Resido numa zona privilegiada da cidade. Tenho as Finanças, os Correios e a Conservatória do outro lado da estrada, a Alameda da Estação a dois passos, os bombeiros no fundo da rua e os parques Nossa Senhora das Dores/Dr. Lima Carneiro e das Azenhas a uma distância que não ultrapassa aos 10 minutos a pé. Estou perto do acesso à A3, da EN14, do Hospital da Trofa, da E.B. 2/3 Napoleão Sousa Marques, do Cemitério e da Igreja Matriz. No contexto da minha freguesia, melhor seria difícil.

Tudo seria perfeito se a proximidade de todos estes serviços e áreas de lazer não trouxesse consigo um enorme problema sobre o qual aqui escrevi várias vezes, a primeira das quais em Junho de 2014. Pouco mudou desde então. A constante violação de regras de transito, e nomeadamente o estacionamento abusivo são uma dor de cabeça constante para quem aqui vive e não parece haver solução à vista, apesar da abundância de estacionamento gratuito que existe na rua Engenheiro António Dias da Costa Serra.

Claro que a falta de civismo de alguns não é responsabilidade do poder local. Autarca algum pode ser culpabilizado pelos comportamentos desviantes dos seus munícipes. Contudo, no largo que existe na extremidade da Rua Monge Pedro, onde esta artéria “desagua” na Rua Comendador Amadeu Pinheiro, é comum ver o autocarro da autarquia estacionado no meio da via pública, encostado ao cruzeiro como podem ver na imagem. E quando o exemplo que vem de cima é este, o convite à transgressão está feito.

Seria de bom tom que as autoridades locais tomassem medidas para impedir esta situação que se arrasta há anos. Não só não o fazem, e para tal comprovar basta passar por aqui em qualquer dia da semana, como ainda permitem que uma viatura de grandes proporções incomode frequentemente os habitantes e comerciantes desta zona. E se o excesso de estacionamento irregular de ligeiros de passageiros já é, por si só, um quebra-cabeças, ter um autocarro de grandes proporções estacionado no meio da via pública pode ser um enorme problema e um potenciador de desastres. Seja pelo espaço que ocupa e pelas manobras a que pode obrigar, seja pela visibilidade que retira aos condutores que por ali passam, seja pela forma como pode condicionar o já altamente condicionado trânsito no centro da cidade. Acresce a isto o mau exemplo, que pode levar a uma atitude mais laxista por parte dos restantes condutores que se deparam com uma viatura do município, e que se poderão facilmente questionar: se a câmara estaciona aqui, por que não haveria eu de estacionar também? Afinal de contas, o meu carro é tão pequeno e eu não vou demorar mais de 10 minutos nos correios…

Já era tempo de as autoridades locais olharem para este problema de forma objectiva, procurando soluções para minimizar o impacto do estacionamento abusivo nesta zona na vida das pessoas que aqui vivem, trabalham e que recorrem aos vários serviços e estruturas desta área. E são muitas, mesmo muitas. Instruções direccionadas para a Polícia Municipal, sob alçada da CM da Trofa, para uma atitude mais rigorosa quanto a estas transgressões seriam um bom ponto de partida. Acabar com o péssimo exemplo do autocarro camarário estacionado na via pública um imperativo de bom senso.

 

Textos Relacionados

Viver numa rua sem regras de trânsito - 25.06.2014 (seguir este link)

Caos rodoviário à porta da escola - 16.10.2014 (seguir este link)

Mais um episódio diário de trânsito congestionado por incompetência política - 12.06.2015 (seguir este link)

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.