Ao São Gonçalo quero ir, quero ir

por João Mendes 0

Perdoem-me os puristas e os centralistas da capital, onde resido, mas para mim não há festa neste concelho como o São Gonçalo. Longe dos holofotes e dos orçamentos inflacionados que caracterizam os eventos no centro do concelho, em Covelas bebemos todos da malga, comemos os mesmos petiscos, estacionamos onde der e poucas coisas distinguem os simples mortais das elites políticas, para além do restaurante onde comem e do lugar que protocolarmente ocupam na procissão. Mas ninguém está particularmente preocupado como esse tipo de detalhes. Excepto os profissionais da política, para quem uma festa como o São Gonçalo não é muito mais que uma oportunidade para verter propaganda.

O São Gonçalo de Covelas abre portas ao sagrado e ao profano a partir desta Quinta-feira, dia 18 de Janeiro, apesar de, oficialmente, a festa começar apenas no dia seguinte, prologando-se até Segunda-feira, dia 22. Espera-se um fim de semana de temperaturas pouco convidativas, como é apanágio desta grande festa, apesar do sol, que insiste em brilhar quase todos os anos para iluminar o caminho daqueles que se aventuram pelos caminhos tortuosos do monte no Domingo de manhã.

Mas nem só de Domingo de manhã se faz esta grande festa. Cada vez mais concorridas, as noites de Sexta e Sábado enchem as ruas de Covelas para serões animados, amigos reencontram-se, os brindes sucedem-se e as concertinas podem estar ao virar da esquina. Eu, que não perco uma há muitos anos, lá estarei, no sítio do costume, com o Sérgio, o Natcha e o Mota, herdeiros do São Gonçalo que mantém a chama acesa. Basicamente sabes disso, agora pensa!

Teremos as habituais cerimónias religiosas, com promessas a São Gonçalo à mistura, as tasquinhas multiplicar-se-ão, repletas de cozido, rojões e verde tinto, haverá música e bailarico para quem o desejar, com os concertos e as bandas de música que podem ver no cartaz em cima, e um enorme monte que vai de Paradela até Covelas, que no próximo Domingo recebe milhares de romeiros, artilhados com calçado confortável, farnel e paus de marmeleiro. Este fim-de-semana, todos os caminhos vão dar a Covelas. 

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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