A Orquestra Urbana e a movida de Novembro

por João Mendes 0

Este foi um fim-de-semana musicalmente muito agradável na cidade da Trofa. Pelo menos para mim, para as pessoas que encheram o auditório dos Bombeiros na Sexta à noite para ver a Orquestra Urbana e para aqueles que deixaram o bar Desperados a rebentar pelas costuras por ocasião de mais um grande concerto dos Cão Voador. E para outros mais, que mais havia para ver, mas ainda não é possível ao comum dos mortais estar em dois sítios ao mesmo tempo. A menos que se trate do omnipresente Sérgio Humberto, que conseguiu a proeza de, durante o concerto da Orquestra, entrar em directo no Facebook e filmar-se a si próprio, a uns bons 2 ou 3 metros de distância. Será que a senhora chefe de gabinete do autarca também lhe gere o Facebook? Que chiqueza!

O concerto de homenagem a Zeca Afonso foi, a meu ver, o mais bem-sucedido de todos os concertos que a Orquestra Urbana da Trofa deu até agora. Composições muito bem conseguidas, um aumento significativo da parafernália de instrumentos alternativos, que agora inclui a rebarbadora do “nosso” Francisco Sousa Barros, afinação, entrosamento, improviso e uma grande família, em constante crescimento, que agrega vários projectos musicais locais, sob a batuta do genial André NO. Um prazer imenso ver este projecto intergeracional em palco, um orgulho brutal por ser feito a partir do talento, nem sempre reconhecido, dos músicos da nossa terra.

Sérgio Humberto lá nos fez gramar com mais um momento de propaganda política, desnecessário, que começa no elogio ao projecto e que, daqui a nada, já está no campo do auto-elogio. Um clássico. Contudo, disse uma coisa muito acertada, e com a qual não poderia estar mais de acordo: já é tempo da Orquestra Urbana pisar outros palcos. Merece apresentar-se ao público num auditório mais preparado e apropriado, com um sistema de som que faça jus à qualidade dos seus interpretes, para que seja possível apreciar este espectáculo na sua total plenitude. A Casa da Música, no Porto, seria uma boa hipótese para materializar este desejo partilhado por muitos. Faço votos que ela surja. É mais do que merecida.

Num fim-de-semana comemorativo, no qual a autarquia proporcionou vários espectáculos musicais (e não só) aos trofenses, houve ainda tempo para mais uma excelente actuação dos Cão Voador. O bar Desperados estava à pinha, a banda estava inspirada e ofereceu cerca de duas horas de clássicos a quem ali se deslocou, onde não faltaram temas de bandas e artistas tão diferentes com o Radiohead, Amy Winehouse, Queen, Rui Veloso ou a merecida homenagem ao falecido Malcolm Young dos AC/DC. Há miudagem e jovens adultos, uns mais jovens do que outros, mas todos cantam e alguns conseguem mesmo a proeza de dançar nos poucos espaços vazios por onde a Bekaz circula, a custo, para garantir a hidratação dos presentes. Memorável!

Mas Novembro ainda não acabou. Depois dos Cão Voador, há mais projectos trofenses que sobem ao palco já no próximo fim-de-semana, e que igualmente integram o super-projecto Orquestra Urbana. Na Sexta-feira, no primeiro dia do Festim da Cadela, os Model abrem hostilidades, seguindo-se a estreia, em território trofense, do peculiar e vanguardista O Lendário Homem do Trigo. Os espectáculos acontecem no Clube Slotcar da Trofa e a entrada é gratuita. No dia seguinte é a vez dos Lyzzard subirem ao palco do antigo Teatro Alves da Cunha, hoje parte da Casa do Porto da Trofa, para o segundo dia do Festim da Cadela. Juntam-se a eles os Stucker, também da Trofa, e os “foresteiros” Heavy Cross of FLowers e Killadelphia. Uma noite de ritmos mais pesados a honrar uma longa tradição rockeira do nosso concelho.

Para aqueles que teimam no velho cliché que diz que “na Trofa não se passa nada”, sugiro que deixem de lado os preconceitos e que comecem a estar mais atentos ao que se passa na nossa terra. Mais do que este frenético mês de Novembro, existem nesta terra bares e associações que apostam em permanência em espectáculos musicais e não só, feitos, essencialmente, com prata da casa. Sair de casa para apoia-los é o desafio que vos deixo. Vale a pena!

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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