Trofa, um concelho sem mobilidade

por João Mendes 0

Na edição da passada Terça-feira do Jornal de Notícias, o concelho da Trofa surge em destaque, ao longo de página e meia, a propósito de uma das muitas variáveis daquela que é uma das maiores lacunas deste concelho, e sobre a qual a Silvéria Miranda tem escrito algumas prosas muito interessantes, que podem ser encontradas e lidas neste blogue, e cuja leitura recomendo vivamente. Ou não fosse ela uma das vítimas deste problema.

Falo-vos da ausência de uma rede de transportes públicos no concelho da Trofa, problema inexistente para todos aqueles que se deslocam para todo o lado de carro, mas que representa uma enorme dor de cabeça para quem não tem viatura própria para ir para o trabalho, para a universidade ou por motivos que podem ser, por exemplo, a necessidade de se deslocar até um hospital.

Quase a comemorar o seu 19º aniversário, não foi ainda possível à Trofa dotar-se de um sistema de transportes públicos, à semelhança daquilo que acontece nos concelhos vizinhos. Dir-me-ão que estamos servidos por uma estação ferroviária imponente, e estamos mesmo, e que temos boas ligações ao Porto, a Braga e Guimarães, para não falar num Intercidades que, uma vez por dia, nos liga à capital, mas a verdade é que existe mais concelho para lá do centro da cidade da Trofa, apesar do centralismo, tão lisboeta, que caracteriza o nosso concelho.

Sem comboio nem metro e com menos autocarros” é o nome da peça referida, que dá conta da intenção da Metro do Porto de reduzir ainda mais a oferta de transporte alternativo ao metro que nunca mais chega, apesar dos constantes embustes da classe política. Afirma a empresa pública que tal decisão decorre da fraca procura pelo serviço, ou não vivêssemos nós na era em que tudo é mercantilizável, seja um serviço público, seja o Panteão Nacional. Longe vão os tempos em que um serviço público, que como toda a coisa pública neste país é financiado pelos nossos impostos, servia primeiramente as pessoas. Entretanto, estudantes e trabalhadores que não possuem viatura própria, e que precisam de se deslocar diariamente até à Invicta, pagam a essa factura, ao passo que os impostos dos trofenses continuam a pagar estações dos metros de Porto e Lisboa.

Já passaram mais de 15 anos desde que a via estreita foi encerrada. Desde então, a mobilidade dos habitantes do concelho, em particular das freguesias do Muro, de Alvarelhos e de Guidões, tornou-se um autêntico calvário, situação agravada pelo estado de congestionamento permanente da EN14 e pela inexistência da já referida rede de transportes concelhia. Fonte da CM da Trofa, citada pelo JN, refere mesmo que, desde o encerramento da ligação à antiga estação da Trindade, a população das freguesias do Muro e de Santiago de Bougado, outrora servida por um apeadeiro, decresceu. Um problema que não parece preocupar as elites políticas locais, que ao longo destes 19 anos pouco ou nada fizeram para o solucionar. Excepto iludir os trofenses.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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