Já não há obras ao Sábado

por João Mendes 0

Quem não se lembra das obras a todo o gás, prolongadas fim-de-semana adentro, que antecederam as eleições autárquicas na Trofa? As eleições autárquicas e a inauguração da Alameda da Estação, que há prazos e prazos, mas nenhum prazo é tão premente para um político como aquele que interessa aos que fazem uso de obras públicas para poupar uns trocos na factura da campanha eleitoral. Que se não são todos, andará lá perto.

Pois bem, Outubro caminha a passos largos para o final e obras públicas ao fim-de-semana nem vê-las. Até porque, tão cedo, não voltam a haver eleições e, como a memória colectiva tende a ser curta, o ideal é deixar esses expedientes lá para 2020, 2021. Mas enquanto elas não chegavam, as eleições, claro, não faltavam trabalhadores nas obras municipais, fosse que dia da semana fosse, da obra da rua que liga a EN104 ao Mercado da Trofa até à Alameda da Estação.

Por falar em Alameda da Estação e em obras rápidas, os edifícios que compõem o complexo da antiga estação ferroviária, que não fazem parte da Alameda mas que nem por isso deixaram de marcar presença na apresentação oficial da obra, como se fizessem parte dela, apesar de não o fazerem quando o tema são obras inauguradas antes do tempo, arrastam-se á velocidade do mais furioso caracol. O concurso público foi adjudicado em meados de Maio, com um prazo de execução de 120 dias, e, mais de 150 dias depois, continua praticamente na mesma.  

Voltamos ao ritmo normal. Já não há comitivas nas feiras, mentiras e lixo político nas caixas do correio, o jornal do regime já não vê as bancas há quase um mês e as obras, essas, são para ir fazendo, arrastando-se para lá dos prazos de execução – como habitualmente acontece por cá – e logo se vê. Agora trabalhadores na rua ao Sábado é que já não são precisos. Falta muito tempo para 2021.

Convém, contudo, não esquecer que existem ainda muitas zonas do concelho a necessitar de intervenções algo urgentes, que o alcatrão pré-eleitoral usado para comprar os votos mais incautos não chegou a todo o lado. Do Coronado à zona mais rural de Bougado, existem ainda muitos buracos para tapar, muitas estradas acidentadas e muitas armadilhas no asfalto. E talvez fosse mais útil para a população gastar menos dinheiro e bandeirolas inúteis e outdoors com meias verdades e mais a resolver os problemas que realmente interessam. Aposto que os mais de 10 mil euros que se gastaram em “produção de conteúdos multimédia e redes sociais”, chegavam para tapar uns buraquitos. Mas isso sou eu, que sou um tipo do contra. Toda a gente sabe que é perfeitamente normal gastarem-se 10 mil euros em coisas destas. Prioridades.

 

Foto tirada por mim, num desses saudosos Sábados pré-eleitorais em que ainda se trabalhava forte e feio durante o fim-de-semana

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.