Entrevista a Lino Maia

por Nuno Martins 0

Intitula-se o “Presidente do Povo” e os números das eleições do passado dia 1 de Outubro confirmam: 70,1 por cento dos eleitores que votaram deram-lhe a sua confiança. Hoje trago uma entrevista a Lino Maia, da Coligação Unidos pela Trofa, recém reeleito Presidente da União de Freguesias de Alvarelhos e Guidões.

Nuno Martins: Em primeiro lugar boa tarde e obrigado por se disponibilizar a dar esta entrevista ao “E a Trofa é minha”.

Ficou admirado com o resultado das eleições, em particular em Guidões visto os outros dois candidatos serem de lá e mesmo assim você ganhou com números expressivos?

Lino Maia: Boa tarde. Muito honestamente se me perguntar se fiquei admirado, fiquei. Que eu tivesse alguma certeza que ganhava em Alvarelhos, tinha mais ou menos essa certeza, porque a gente quando sabe aquilo que faz sabe ao que está sujeito nestas avaliações de eleição. E é evidente depois de quatro anos em que nós fazemos o melhor que podemos e sabemos… Ganhamos vamos à obra. Não ganhamos o povo que escolha quem quiser porque mais não posso. Se houve alguém que esteve tranquilo nestes dias de eleições fui eu, não por pensar se ia ganhar ou perder, estava tranquilo porque fiz o melhor que pude e soube, e só pensava “a minha campanha está feita nestes quatro anos e o povo agora que faça a sua avaliação. Gostam, votam no mesmo, não gostam escolham outro e eu respeito”. É evidente que fiquei contente porque notei que o povo soube agradecer, de um modo especial em Guidões gostei muito, não é pôr o povo de Guidões diferente do de Alvarelhos, porque tenho muito orgulho no povo de Alvarelhos, o de Guidões conheci-o e estimei-o do mesmo modo. Se me perguntarem se não tivesse vencido em Guidões se ia tratar o povo igual, ia, só que o gosto era diferente, porque pensava para mim “afinal tanto fiz por este povo que eu não conhecia para o abraçar como ao de Alvarelhos, e eles não souberam agradecer”. Não ia marginalizá-los mas andava lá sem gosto, andava com os pés um bocado no ar. Agora sinto muita responsabilidade em cima dos ombros porque o povo de Alvarelhos e Guidões soube agradecer, soube dizer “obrigado Lino Maia pelo trabalho que fizeste, e segue em frente”.

Eu cheguei a dizer ao Nuno (candidato do PS), com todo o respeito que tenho por ele, “se alguém merece fazer campanha és tu, porque eu já sou conhecido”. E fez uma campanha digna, dei-lhe os parabéns no dia 1 de manhã cedo pela campanha que fez. E assim é que é, a política deve ser feita assim, deve ser vista assim, nada de andar aqui a ultrapassar ninguém.

Nuno Martins: Na Câmara Municipal o Professor Sérgio Humberto ganhou e reforçou a maioria…

Lino Maia: Eu digo que o Sérgio Humberto teve o que merecia. Eu tive algumas pessoas que me disseram que votariam em nós (Unidos pela Trofa) para a Junta de Freguesia mas para a Câmara não, e eu fiz questão de dizer no porta a porta que se lhes estamos obrigados por estarem atentos àquilo que fizemos, porque gostamos quando as pessoas estão atentas àquilo que se faz, é sinal que nos vão dar nota, ou negativa ou positiva, mas os que acham que eu fiz alguma coisa é preciso não esquecerem que não se faz omeletes sem ovos, e se eu fiz foi com a nossa Câmara Municipal. Porque pouco ou muito, o que se combinou, no dia aparecia, e aqui vai muito da “ginástica” que um autarca faz com os dinheiros públicos. Tem de ser uma boa gestão, o que é público temos de gerir bem, e vamos continuar a fazer o melhor que podemos e sabemos, porque esse dinheiro tem de reluzir, tem de se ver alguma coisa. É pouco, mas bem gerido fazemos alguma coisa.

Nuno Martins: Normalmente nas autarquias no último ano do mandato é que se vêem muitas obras!…

Lino Maia: O nosso Presidente de Câmara chegou-me a dizer “Sr. Lino, vamos começar a campanha, podemos fazer “isto e aquilo”…” e eu disse-lhe de caras “olha Sérgio, a minha campanha está feita, desde o dia após as eleições de há quatro anos. O povo gosta, está aqui o homem, vamos ao trabalho. Não gosta, escolha outro e eu respeito”. O primeiro dia foi igual ao último. Há até uma história curiosa: os nossos funcionários da Junta nas últimas semanas antes das eleições disseram-me que lá em Guidões algumas pessoas diziam “nota-se que é ano de eleições”. E eu: “Ai sim?! Então esta semana não ides mais para lá.” E não foram.

Há uma frase que eu uso muito: há cegos que davam fortunas para poderem ver, e há outros que com tão bons olhinhos não querem ver nada. E para esses que não querem ver nada, tudo está sempre mal. Uma oposição é muito boa, mas uma oposição construtiva, uma oposição que nos possa ajudar a ver o que é melhor para a freguesia. Nós temos de ouvir o povo para poder fazer em função daquilo que é melhor para a freguesia, para o povo.

Nuno Martins: Quais as principais lacunas de Alvarelhos e Guidões, há alguma área em que haja mais necessidade de intervenção?

Lino Maia: Há muita coisa por fazer. O que se fez está feito, mas há muito para fazer. Nunca está tudo feito. Eu não posso ouvir dizer mal de quem esteve no executivo, seja Alvarelhos ou Guidões, e temos de valorizar as pessoas que fizeram-no até aqui. Porque nós fizemos alguma coisa, mas já houve muita coisa que foi feita antes. Temos por exemplo este edifício da Junta maravilhoso em Alvarelhos. Em Guidões, o sr. Bernardino Maia, por quem tenho muito respeito, que tanto fez pela freguesia. Muitas vezes esquece-se que alguém antes trabalhou, e depois dá-se “dois biqueiros no cu” e já acabou, e isso não aceito. Deve-se dizer muito obrigado a quem passou. E nós quando estamos nelas é que sabemos bem avaliar isso. Porque amanhã a mim também há-de acontecer igual, eu saio, e dizem “este já foi, venha outro”! As pessoas esquecem, isso não pode acontecer. Nós vamos pôr na Junta de Freguesia tanto aqui como em Guidões um quadro com cada um dos ex presidentes de junta de cada uma. Tivemos lá o Óscar e o Bernardino Maia, aqui também tivemos vários, as fotos já estão prontas, faltam ser colocadas. Para o povo quando vai à Junta poder ver e não esquecer aqueles que já fizeram algo pela terra deles. Para saberem que Alvarelhos e Guidões foram crescendo graças àquelas pessoas, e que no fundo fazem parte da História da terra.

Uma necessidade grande que temos, da qual já falei com o Presidente da Câmara, o qual se mostrou muito receptivo (costumo dizer que um político deve ter coração. Nós temos todos coração, mas é preciso pô-lo a funcionar!), é a questão da rua central que vem de Guidões ao Muro, é a rua principal, a rua mãe, onde todos passam todos os dias para ir ganhar o pão para os filhos, merecem ter a dignidade de passar numa rua em condições. As artérias vamos articulando consoante os nossos protocolos e posses, mas a estrada principal essa é a prioridade, vamos unir esforços, nós e a Câmara, para ir em frente com esse projecto. Há também outro projecto que estou ansioso por ter pronto que é o parque para as crianças no “calhau branco”, já se anda lá a “treinar”. Quero fazer em Vilar um ringue, com o acordo da Câmara, um lugar de lazer com mesas e umas arvorezinhas, para dar bem-estar e dignidade às pessoas e à freguesia.

Eu orgulho-me de ser como sou, por exemplo no que digo tantas vezes em relação às freguesias, para o povo perceber que estou do lado dele, e posso falar à vontade porque já passaram as eleições, eu faço questão que seja sempre freguesia de Guidões, nunca pus isso em causa. É uma autarquia a gerir, mas a freguesia mantém-se, e eles devem-se sentir orgulhosos que são a freguesia de Guidões. Acho que eles devem saber e sabem porque já deu para ver, que ninguém teve culpa desta união de freguesias, e até podem pensar que até tiveram sorte com o homem que foi para lá, porque podia ser alguém que não os compreendesse tão bem. Eu sinto-me bem a trabalhar em Guidões e a trabalhar em Alvarelhos. Quando há habilidades ou quando não se gosta de um povo às vezes é-se massacrado; aqui não, aqui não tenho nada que dizer. Mas há pessoas que querem pôr desigualdades. Agora por exemplo ouvi falar que em Alvarelhos tinha gasto mais 75 mil, isso é uma parolice. Aliás, eu sempre disse à minha oposição que não é na hora que se devem avaliar as obras, é no fim. Quando acabei disse na Assembleia “reparai se em Alvarelhos e Guidões não houve justiça. Houve justiça!” Porque eu posso ter dois filhos, dar a um Mercedes e não ter para o outro, mas se um amigo meu me der um, eu já tenho para dar ao outro filho. E lá as obras apareceram, se se gastou menos, as obras estão feitas, não me pergunteis pelo dinheiro, está tudo pago, não devemos nada a ninguém, ainda temos um saldozito! Se se gastou menos e a obra está feita, melhor ainda, é porque houve alguém, e felizmente ainda há gente boa, que ajudou.

A resposta o povo já deu, no princípio alguém tentou encobrir, e eu compreendo, que não se fazia nada, só se fazia em Alvarelhos, e eu senti-me na obrigação de fazer um infomail para meter na caixa do correio, para o povo ver o que é que se fez, as obras em foto e o nome da rua, para verem que está feito. E o povo mostrou que está de olhos abertos.

Nuno Martins: E o edifício do Centro de Dia, aqui mesmo ao lado da sede da Junta, qual o ponto da situação?

Lino Maia: O Centro de Dia é outra batalha nossa, e eu queria frisar bem isso. Eu não gosto de dizer mal, mas temos de ser realistas e dizer o que é. Nós temos de ser cautelosos naquilo que dizemos e eu às vezes também posso dizer disparates e peço desculpa quando os digo, mas há disparates que não se devem dizer. O Centro de Dia foi o falecido Dr. Bernardino Vasconcelos que lançou a primeira pedra, foram divididas tarefas com os envolvidos, o então Presidente da Junta Joaquim Oliveira e eu que também já fazia parte da Junta, a Mundos de Vida, e a obra prosseguiu. O que é certo é que depois tivemos eleições, e quem venceu a Câmara como sabemos foi a Dra. Joana Lima. Eu entendo que a Dra. Joana Lima, ou eu, ou qualquer outro autarca quando ganha uma eleição tem projectos. Há projectos que estão na secretária e há outros que eu posso ter como autarca, e ganhando eleições posso achar os meus prioritários e cancelar os projectos que já existissem do anterior executivo. Um projecto pode-se parar, normalmente pode-se parar, mas quando há um projecto cuja obra já está em andamento, não se pode parar. E este parou por falta de verba, porque o dinheiro que estava prometido da Câmara bloqueou. Ainda se fez uma certa ginástica a ver se se conseguia, mas não deu, parou tudo. Portanto, a senhora aí esteve mal; com todo o respeito que eu tenho por ela, se ela fosse minha Presidente de Câmara chamava-a a atenção e de que maneira; como este, se ele fugir fora da norma, é exactamente igual; já tenho dito, gosto muito do Sérgio Humberto, tem colaborado a 100 por cento, mas se tiver de levar recado, leva o recadinho direitinho. Para mim um gajo que venha, seja ele de que cor for trabalhar como o Sérgio Humberto, tem amigo, se vier ao contrário… E então ela esteve mal porque bloqueou o dinheiro todo, nem um cêntimo.

O nosso Presidente da Câmara toma posse há quatro anos, passado pouco tempo vêm 180 mil euros para o Centro de Dia, mas a obra ainda estava bloqueada com a empresa que a estava a fazer, e por isso o dinheiro teve de ir para o banco. Entretanto lá se foi andando, tivemos várias reuniões, eu, o nosso Presidente da Câmara, o Oliveira, a Mundos de Vida, isto não tem estado parado. Está parado para quem vê, mas nós temos lutado. Então desbloqueou-se isso tudo e estávamos prontos para poder arrancar a obra de novo, quando tivemos a “infelicidade”, pelo que parece foram os PS da Trofa e de Guidões, de chamarem a Judiciária para investigar onde estavam os tais 180 mil euros, que estão no banco. Quer dizer, quando podíamos arrancar de novo com a obra não pudemos, porque enquanto estiver a ser investigado pela Judiciária não se pode fazer nada. Há coisas que eu não entendo, e vou ser um bocadinho mau, mas segundo ouvi, a nossa oposição da Junta ia fazer o Centro de Dia; então, chamaram a Judiciária para saberem onde estão os 180 mil euros, e iam fazer o Centro de Dia? Então bloquearam o Centro de Dia para poder fazê-lo eles! É desagradável esta situação porque o Centro de Dia não é nosso, o Centro de Dia quando estiver pronto é para quem quiser e quem puder. Não entendi o porquê do que fizeram, mas quando as coisas são sérias devemos antes medir aquilo que dizemos. O dinheiro existe, o dinheiro está no banco, há provas que está no banco. Não percebo porque fizeram isto, sei que esse boato é o que está no ar, e foi um boato de verdade, porque a Judiciária esteve aqui na Junta a ouvir algumas pessoas. Agora esperamos que o processo ande o mais rápido possível para unirmos forças para podermos completar a obra. A obra está aqui num lugar magnífico, com muito dinheiro gasto, que está sujeito a ser todo demolido para começar de novo porque o que está feito está a deteriorar-se rapidamente.

Nuno Martins: Há alguma história ou curiosidade que se tenha passado no primeiro mandato e que queira contar?!

Lino Maia: As histórias são histórias que passaram à realidade. Por exemplo, a variante (da “Papelix” ao Centro Paroquial) que eu abri, quando falo eu falo nós executivo, que estava falada há 30 anos, os Vieiras não deixavam; quando a gente vai falar com as pessoas resolve-se bem as coisas; cederam-me o terreno (parque de carros) grátis enquanto eu estiver na Junta; por aquele parque eu dava 500 euros de aluguer por ano para podermos tê-lo porque ali no centro não há onde estacionar, está a custo zero. Temos a agradecer também ao Joaquim Oliveira que cedeu nos mesmos moldes o terreno para o parque lá em baixo junto ao cemitério, aquele ficou mais puxado porque teve de se fazer desaterro, deu trabalho mas é a custo zero. Estas pessoas eu costumo trazê-las muito ao de cima porque temos de valorizar quem faz isto. E aquele senhor nem de cá é, junto ao salão paroquial, o parque e a variante, são dois primos. Acho piada porque há quem chame à rua (variante) Rua Nova Lino Maia, nunca, não aceito. Um dia quando a rua estiver feita queria que ela se chamasse Rua Nova dos Vieiras, o nome de quem cedeu o terreno para ela poder ser feita, são dois primos. Farei tudo para ser esse nome se puder ser. Tudo menos o meu nome, em meu nome não quero nada, quero só um lugar no Céu (risos)! São histórias destas, que se ouvia dizer que as pessoas eram assim ou assado, e afinal são gente do melhor, fiz tudo o que quis, foi facílimo. Tive mais dificuldade com os Caulinos, aquilo é Estado e nós não podemos brincar com o Estado, ele é que brinca connosco; Quando tivermos a variante já temos condições para desviar o trânsito do centro (Igreja), que neste momento não tem qualidade de vida. Quando temos uma festa, um casamento, um funeral, aquilo é um problema.

Nuno Martins: E agora para finalizar, quer deixar uma mensagem para os Guidoenses e Alvarelhenses?!

Lino Maia: A mensagem que eu deixo é uma mensagem de muito obrigado por estarem atentos ao nosso trabalho e confiarem em nós, muito obrigado.

Nuno Martins: Agradeço então novamente a sua disponibilidade para dar esta entrevista, e continuação de bom trabalho!

Lino Maia: Obrigado eu.

Nuno Martins

Sou o Nuno, nasci no Porto em 1978 e sempre vivi em Alvarelhos. Poder dizer o que penso e não o que os outros querem que eu diga é para mim a maior conquista do 25 de Abril. Essa é a principal premissa deste espaço, por isso posso dizer também e com orgulho que a Trofa é minha!

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