O dia em que a coligação Unidos pela Trofa se enterrou até ao pescoço e expôs a cobardia política de Sérgio Humberto

por João Mendes 0

Quiçá com medo de ver expostas algumas habilidades e situações pouco transparentes que marcaram negativamente o mandato do executivo camarário, Sérgio Humberto escondeu-se bem escondidinho por trás de um comunicado surreal (já lá irei), publicado na passada Quinta-feira e assinado pela coligação Unidos pela Trofa, para se esquivar a um debate com os seus adversários na corrida autárquica. Era o que mais faltava, correr o risco de ser confrontado com questões como:

Aqui ficam 20 perguntas, podiam ser mais, que, estou certo, fariam engasgar o edil. Ele conhece os temas, sabe que não tem resposta que não o enterre ainda mais, e sabe que, ver estes temas expostos num debate eleitoral, poderia custar-lhe muitos votos. Porque é difícil explicar aos cidadãos porque é que há dinheiro dos nossos impostos a fluir para a sua campanha eleitoral ou para a promoção da sua imagem. Não é algo fácil de aceitar, pelo menos para as pessoas honestas e decentes. Como não é fácil explicar a violação de liberdades fundamentais ou as mais variadas mentiras proferidas ao longo destes quatro anos. Mais fácil é fazer-se de morto e resumir a campanha eleitoral a churrascos, balões, bugigangas variadas e propaganda barata.

Mas a parte surreal, a parte que enterra, até ao pescoço, a coligação Unidos pela Trofa e o candidato Sérgio Humberto, vem numa bandeja e ilustra um estranho nervosismo que não se compreende, principalmente vindo de quem parece ter as eleições ganhas. Um enterro que passou no filtro da agência de comunicação que faz assessoria à coligação e dos estrategas dos partidos que comandam a máquina de propaganda. Um erro que, simultaneamente, me surpreende e entristece, quando vejo jovens militantes do partido que são incapazes de questionar o que se passa e não conseguem ver para lá da bandeira ou da perspetiva do tacho no horizonte. Jovens que baixam a cabeça perante a utilização de recursos públicos por parte dos caciques do partido, pactuando com a violação de liberdades fundamentais com o seu silêncio. É mesmo muito triste.

Onde está, então, o enterro da coligação? Simples: a coligação – aliás, quem manda na coligação, que decisões destas são tomadas por um punhado de pessoas que mandam nas outras todas – decidiu garantir que o candidato Sérgio Humberto seria mantido numa redoma de vidro. Vai daí emite um comunicado, dizendo cobras e lagartos da Trofa TV/O Notícias da Trofa, fazendo acusações que não se digna a provar, atingindo níveis de demagogia e populismo bizarros (dizer, por exemplo, que o NT/Trofa TV demonstrou falta de isenção relativamente à CM da Trofa é tão absurdo que só com uma tremenda falta de seriedade se escreve uma coisa destas para manipular emocionalmente os trofenses).

Mas, se o NT/Trofa TV tem esse histórico de falta de isenção, se se portou assim tão mal com a coligação, por motivos que só a coligação saberá, e que por algum motivo não tem coragem de partilhar, porque é que os candidatos às juntas pela coligação, sem excepção, deram entrevistas ao NT? Então o malvado jornal demonstra tanta falta de isenção relativamente ao líder da coligação e os seus candidatos às juntas de freguesia não estão alinhados com ele? Pactuam com essa "falta de isenção permanente" do NT/Trofa TV para com o seu presidente e, pior, para com a CM da Trofa? Que estranho! Será que precisavam da projecção mediática que tais entrevistas dão, e que certos pasquins não têm? É um bocado incoerente, não é? Já vi desculpas menos esfarrapadas para a cobardia política. Será que nos julgam assim tão parvos?

E por falar em pasquins, no comunicado que a malta que manda na coligação escreveu, pode ler-se que o candidato acobardado está disponível a debater se a organização estiver a cargo de outro órgão de comunicação social, “dado considerar que só assim é possível a discussão livre de ideias”. Referir-se-á a quem? Àquele “jornal” criado em 2013 com a participação de algumas das mesmas pessoas que escreveram este comunicado? Aquele que ocupou a sua sede de campanha após as eleições de 2013, se é que alguma vez de lá saiu? Aquele jornal que, durante meses, foi oficiosamente cancelado pela ERC por se encontrar em situação ilegal, como anexo em baixo comprova, bem como dado ao facto do seu director acumular funções com com as de assessor político do PSD Santo Tirso, o que também é ilegal? Aquele jornal a cujos ex-proprietários e ex-colaboradores o executivo Sérgio Humberto entregou quase 100 mil euros em ajustes directos pouco transparentes? Aquele jornal que se dedica em exclusivo a glorificar o executivo, ignorando a esmagadora maioria daquilo que se passa no nosso concelho, a menos que algum dos líderes do regime esteja por perto? É neste pasquim que é "possível a discussão livre de ideias"? É este o conceito de imprensa livre do executivo Sérgio Humberto? O tal que tinha dito que a ditadura acabou em 2013 mas que não se inibe de violar a liberdade de expressão do único jornal desta terra que cumpre as regras a que está sujeito, ao passo que pactua com um embuste jornalístico criado pela sua campanha de 2013? 

Estará a coligação a gozar com a nossa cara?

Nota final: que pessoas mais alheadas destes temas, ou mesmo que aquela velha escola de fanáticos partidários não consiga ou não queira ver aquilo que se passa eu até compreendo. Mas perante os factos, que os jovens ligados à JSD e ao PSD e ao CDS-PP conhecem e percebem perfeitamente, porque são ou foram estudantes, instruídos e/ou mentalmente capacitados, choca-me a forma como estão dispostos a pactuar com estas sucessivas violações de liberdades fundamentais. Que importância terão os valores da democracia para estes jovens? Será que a liberdade de imprensa não tem valor para eles? Será que estão conscientemente dispostos a pactuar e a legitimar a manipulação da opinião pública para fazer fretes ao partido? Será que estão conscientemente dispostos a fechar os olhos à utilização de recursos públicos, por parte deste exceutivo, para fazer campanha eleitoral? Será que são compensados, pelo menos a lideranças das estruturas jovens, com vantagens decorrentes de vitórias eleitorais? Como é que eles aceitam isto? Não é à toa que surgem tipos como André Ventura no PSD. É um sinal dos tempos, triste e assustador. Um sinal dos tempos que coloca a democracia em xeque. 

P.S: Estão a ver aquela imagem no topo desta publicação? Foi tirada em 2014. Porém, e porque a hipocrisia é tanta que já não se consegue disfarçar, à crítica não-fundamentada de uma apoiante da coligação, que acusa o NT de não ser isento desde 2009, a coligação responde com um "gosto". Mas também gostava de aparecer na fotografia em 2014, cinco anos depois do início da alegada falta de isenção. Enfim, é de ficar sem palavras.

PARECER DA ENTIDADE REGULADORA DA COMUNICAÇÃO SOCIAL SOBRE O JORNAL CORREIO DA TROFA

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.