Direito de Resposta ao artigo: Alvarelhos e Guidões nas autárquicas: juntamente desunidos?!, de Nuno Martins

por E a Trofa é Minha 0

O direito de resposta está consagrado na legislação portuguesa e é concedido obrigatoriamente a todos aqueles que se sintam visados com a publicação de qualquer conteúdo num órgão de comunicação social.

Embora o E a Trofa é minha não possa nem ambicione ser reconhecido enquanto tal, mas antes como um espaço de opinião livre e fundamentada, é política deste espaço conceder esse mesmo direito a todos quanto sintam vontade e necessidade de dele usufruir.

O texto que se segue é, portanto, fruto disso mesmo e é da inteira responsabilidade da quem o assina, à semelhança de todos os outros conteúdos aqui publicados.

 

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Caros leitores do “…e a Trofa é Minha!”,


Antes de mais agradeço a oportunidade que me dão de escrever neste espaço dando resposta ao repto lançado pelo Nuno Martins numa sua crónica publicada a 29 de Agosto. Parabenizo os autores desta página pelo seu contributo e cumprimento, em especial, o Nuno Martins por trazer os assuntos de Alvarelhos e Guidões para este espaço.

Como disse, escrevo para responder ao apelo, por isso irei centrar-me nesse tema. Na verdade, muito mais poderia e deveria ser falado sobre o futuro de Alvarelhos e Guidões. Há diversas temáticas sobre as quais nos temos debruçado na nossa campanha e sobre as quais temos propostas e estratégias.

Não nego, contudo, que a questão da fusão das freguesias é um tema importante e que marcou profundamente o nosso território. Sobre isto, dois pontos prévios:

1.       Discordo da “reforma Relvas” que, a régua e esquadro, conduziu a um processo de extinção de centenas de freguesias em todo o país. Foi uma reforma sem critérios centrados nas pessoas, mas com critérios centrados em números. As freguesias são unidades nucleares na administração do território e merecem ver renovadas as suas competências e renovados os seus recursos. Acredito que a reforma foi negativa e prejudicou os cidadãos porque lhes fragilizou o órgão do estado que lhes é mais próximo: a junta de freguesia.

2.       Discordo em particular na reforma realizada em Alvarelhos e Guidões. Por serem duas freguesias com identidade muito própria, por serem freguesias polarizadas, com núcleos centrais densificados mas estruturalmente afastados e estruturalmente desligados e porque a fusão não veio trazer nenhum critério de escala relevante. A freguesia de Alvarelhos fazia sentido. A freguesia de Guidões fazia sentido. Os cidadãos foram prejudicados por essa fusão nestes últimos 4 anos. E esta degradação do serviço aos cidadãos só não se sentiu mais porque com o enorme aumento de impostos que aconteceu na Trofa existiram recursos para colmatar outras deficiências. Esta foi e é a minha posição: a fusão é negativa.

E o futuro? Que nos reserva?

Acredito que seremos eleitos como novo executivo da junta de freguesia e eu como presidente de junta. Posição para a qual me disponibilizo com muita humildade mas com muita vontade de transformar a vida dos cidadãos de Alvarelhos e de Guidões. Serei presidente dos alvarelhenses e guidoenses, gerindo com justiça os recursos públicos e fazendo uso desses recursos para melhorar a vida das pessoas e tratar todos por igual. Uma freguesia para todos onde todos têm lugar.

O meu dever é dar voz à população. Todos sabem a minha opinião e vou mante-la mas com um critério fundamental: transportar a voz da população e do órgão democrático que a representa: a assembleia de freguesia. Ora, como saberão a assembleia de freguesia, com PSD/CDS e PS já votou favoralvelmente e por unanimidade um voto pela desagregação das freguesia, ou seja, pela anulação da fusão. O presidente da junta de freguesia participou nessa votação. O presidente de câmara municipal diz que acompanharia esta votação. Portanto, nesse aspecto em particular, a questão do Nuno Martins tanto pode ser colocada a mim como a qualquer outro candidato nestas eleições: todos os partidos, neste mandato, votaram a favor da desagregação das freguesias. Já em 2012, PS, PSD e CDU tiveram o mesmo voto na Assembleia de freguesia.

Contudo, há duas diferenças a salientar. Duas diferenças baseadas na coerência. O PS, a todos os níveis, sempre votou contra a fusão da freguesia de Alvarelhos e Guidões. O PSD, ainda no mandato de 2009/2013 propôs a extinção de freguesias no concelho da Trofa. Ou seja, nós mantivemos a nossa coerência.

Há ainda um segundo facto, e este particularmente importante, relacionado com atitudes tomadas em 2016. Tanto o presidente de junta de freguesia de Alvarelhos e Guidões como o presidente da Câmara Municipal, apesar de dizerem que são defensores da desagregação, no momento de declará-lo por escrito ao governo…não o fizeram. Ou seja, num inquérito feito a todas as freguesias e municípios, responderam que “estava tudo bem” relativamente à fusão e que não havia pronúncias no sentido da desagregação. Como se sabe, não é assim. Repito, a Assembleia de Freguesia de Alvarelhos e Guidões votou por unanimidade a favor da anulação da fusão. Este facto parece-me grave, sendo uma atitude que merece ser criticada.

E, falando do governo, também deixo claro que nos manteremos críticos da actuação do governo nesta matéria enquanto não for revisto o processo de agregação das freguesias. Não nos esconderemos desta missão!

 

Assim sendo, parece-me clara a posição da nossa lista e a minha posição pessoal:

1.       Acreditamos que a fusão de Alvarelhos e Guidões é negativa e sempre fomos contrários a ela.

2.       Acima da nossa opinião individual, está a opinião colectiva dos cidadãos que temos de representar ou a posição democrática dos órgãos representativos. A Assembleia de Freguesia votou por unanimidade a desagregação, representaremos essa vontade.

3.       Governaremos por todos e para todos. Seremos uma equipa ao serviço de Alvarelhos e Guidões, com igualdade, transparência e proximidade.

 

Os melhores cumprimentos, do vosso,

Nuno Moreira

Comentários

  1. Arnaldo Silva

    Em resposta a este artigo, como cidadão Guidoense e sem partido político só tenho a dizer uma coisa. Estive melhor nestes últimos 4 anos do que nos anteriores. A freguesia evoluiu bastante nos últimos 4 anos. Só tem um ponto negativo. A fome do poder nos Guidoenses fizeram com que acabasse todas as tradições que existiam. E nada tem haver a junta com isto. Obrigado.

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