Campanha eleitoral da coligação Unidos pela Trofa: dia 1

por João Mendes 0

Em tempo pré-eleitoral, estar no poder traz consigo uma enorme vantagem. Até traz várias, é certo, mas existe uma particularmente útil, e que tem a ver com a gestão da agenda do município. E isso é evidente em diferentes aspectos da vida quotidiana do concelho, seja pelo andamento, quantidade e qualidade das obras públicas, seja pelo aumento da oferta cultural. Sérgio Humberto não precisava do comício da noite de Domingo. A coisa já estava no papo desde que as obras começaram.

Estar no poder traz outras vantagens, também elas úteis, que ajudam a abrir caminho para a passagem de alegados salvadores. Ter uma máquina de comunicação oleada, e a deste executivo é fortíssima, é uma delas. Reparem que aquilo que aconteceu no Domingo, apesar das diferenças óbvias, não é, na sua essência, muito diferente daquilo que aconteceu com o Parque das Azenhas. Duas obras, inauguradas em período de campanha eleitoral, ambas inacabadas. Se a inauguração da Alameda da Estação tivesse acontecido há quatro anos atrás, as redes sociais estariam inundadas de acusações de eleitoralismo. E, lá no meio, um blogue de dois amigos estaria a denunciar essa situação sob aplausos e partilhas daqueles que hoje assobiam para o lado enquanto a história se repete.

Nem sequer está em discussão se a obra é boa – é claro que é – ou se deve ser aberta ao público, uma vez que está já preparada para o receber. Na minha opinião deve. E a obra não está boa, está fantástica. E felizes daqueles que são livres de gostar ou não de qualquer obra ou medida de um qualquer político, executivo ou governo, sem que tal lhes seja imposto por terceiros.

O que eu não percebo, uma vez mais, é a necessidade de inaugurar obras que não estão terminadas. Quer dizer, perceber eu até percebo, ou acho que ando lá perto. Em 2013 havia ali uma parte (ou “fase” se preferirem) que estava “pronta” e então toca a aproveitar a visita do Seguro para inaugurar a obra, dar um passeio, fazer grande alarido nas redes sociais e dançar uma zumba. Correu mal. Mas não para todos.

Este ano a coisa é algo diferente mas a base é idêntica. O actual executivo aprendeu a lição que os trofenses deram ao PS por inaugurar o Parque das Azenhas a correr e optou por planear a sua obra-prima para estar pronta a quatro meses das eleições. Planeou uma inauguração de arromba, trouxe à Trofa uma das melhores artistas que alguma vez por cá passaram, a Alameda encheu-se de gente mas nem por isso o óbvio deixa de o ser: a obra não está terminada. Estão a ver aquela área rodeada a vermelho na foto? Boa sorte a tentar encontrar aquele recinto desportivo na Alameda.

Mas sabem o que seria ainda pior? Inaugurar em cima das eleições. Já naquela fase dos camiões e das bandeiras, das comitivas do beijinho no Mercado, dos porcos a assar e dos esquadrões do porta a porta. Ou, pior ainda, não inaugurar a tempo, para a malta ir à urna na Professor Napoleão Sousa Marques, por entre poeira no ar, máquinas e pilhas de desperdícios e restos de material. A Trofa tem que estar a brilhar no dia 1 de Outubro e não foi à toa que os primeiros cartazes da campanha do executivo surgiram nas redes sociais no dia imediatamente a seguir á inauguração da Alameda da Estação. Chama-se estratégia eleitoral.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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