Não seja um dono inconsequente

por Silvéria Miranda 0

(sei que isto é só um texto, mas ficarei feliz se fizer pelo menos uma pessoa mudar de atitude depois disto)

 

Quem me conhece e/ou me acompanha nas redes sociais, sabe que tenho uma mini cadela por quem sou completamente apaixonada. Não sou, certamente, uma dona - não gosto desta palavra, mas… - perfeita (alguém o é?), mas tento ser o melhor que consigo e só não tenho mais animais porque me exigiriam tempo e despesa que não conseguiria suportar. Temos de ser racionais.

Ora, embora não tanto como gostaria e deveria, sempre que posso vou passear a minha Nikita. Como disse, ela é de pequeno porte, mas passeio-a sempre de trela numa mão e de saco do lixo na outra. É o meu dever.

Ontem, num desses passeios, e estando eu de costas, só vejo a Nikita ser abordada (estou a ser soft no termo, ela foi mesmo atacada/importunada, ela e eu) por dois cães que eu não sabia de onde vinham, embora já os tivesse visto soltos na vizinhança mais vezes. Várias vezes.

A Nikita entrou em pânico. Eu em pânico entrei. Agarrei nela o mais alto que consegui (e eu não sou nada alta, como sabem), o maior dos cães só saltava contra mim (provavelmente um brincalhão, sabia lá eu durante esses segundos), e desatei a gritar socorro feito louca. O termo é mesmo esse. Louca. Vi pessoas e, na esperança que fossem os donos dos cães e os chamassem, gritei. Não eram, mas tentaram ajudar. A “dona”? Estava dentro de um edifício público enquanto os cães, por quem é responsável, andavam soltos na via pública.

Com 3kg, a Nikita não é, como devem calcular, propriamente perigosa por si só. Mas pode causar um acidente se sair disparada pela rua fora. Pode ela própria ser atropelada por um condutor que simplesmente não tinha como saber que ela ia aparecer na rua. E a responsabilidade seria minha.

Não digo que, neste caso, a “proprietária” o faça sistematicamente por maldade. Provavelmente, será alguém adepta da típica frase “eles não fazem mal a ninguém” e acredita piamente nisso. E eu própria fiz festas a um deles depois, numa tentativa de o acalmar a ele e a mim mesma. Mas ninguém tem de saber, à primeira impressão, que o nosso animal é brincalhão, trapalhão, que não gosta que lhe toquem aqui ou ali. E mesmo que soubesse, quem pode garantir que ele será sempre um sossego canino? Não podemos. Não podemos nem devemos achar que as outras pessoas são obrigadas, em plena rua, a gostarem do nosso cão, a preverem o seu comportamento.

E quem diz isto, diz também que ninguém é obrigado a suportar os cocós deles. Não venham com desculpas. Não é a Câmara ou a Junta que têm de colocar sacos do lixo para cocós em todas as ruas. O cão é responsabilidade sua, leve você um saco (e use-o). Não seja um porcalhão. Não use a desculpa que as vacinas são caras. São, mas já o eram quando adotou/comprou o animal. Peça ajuda se não as puder pagar. Não ache que o seu cão é um anjo. Anjos não existem. Não pense que todos têm que aceitar serem cheirados ou lambidos pelo seu cão. Não têm. Nem os donos, nem os outros cães.

Na dúvida, pense sempre: eu queria cocós à porta de minha casa? Eu gostava que o meu filho fosse brincar num jardim público e ficasse cheio de fezes de cão? Eu gostava de sair magoada (saí mesmo, não estou a exagerar!) para defender o meu animal? Pois.

De facto, “o cão não faz mal a ninguém”. Quem faz mal é você.

 

P.S. – Aos meus vizinhos, resta-me dizer que não sou sempre assim tresloucada. Apenas estava a defender um ser que livremente adotei. À dona dos animais, a quem nem me dirigi porque só me apetecia desaparecer dali depois da vergonha que considerei estar a passar (que não estava, mas!)… pare e pense.

Imagem via Bazar Ame um bicho

Silvéria Miranda

Sempre tive como velha máxima que os factos são sagrados e as opiniões livres. Foi com essa premissa que criámos este espaço e é por ela que me rejo em cada palavra que aqui escrevo. Sem qualquer interesse que não o de ajudar a construir uma Trofa melhor, mais justa e apelativa, digo orgulhosamente que sou tanto da Trofa como a Trofa é minha!

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