CUIDADO: Este blog aleija.

por César Alves 0

Um aviso prévio ao caro leitor: como gostam de dizer as más línguas, sou um miúdo. Logo, por ser um miúdo, de 21 anos, note-se, não tenho opinião própria nem sequer me devia meter em assuntos de gente grande. Peço, portanto, que ninguém me leve a sério.

Tenho até várias crises existenciais por este motivo. Pesadelos sobre a minha eterna questão: como é possível eu não ter opinião própria, por ser um miúdo, mas, apesar disso, ter a habilidade de pensar?

Foi assim que cheguei à conclusão de que as más línguas invejam essa capacidade de pensamento. Não só minha, felizmente. Por esta casa todos pensamos – bastante, note-se – e isso traz a todos nós dissabores. E não só por aqui, mas um pouco por todo o nosso concelho, pelo país e pelo mundo. Feita a introdução, vamos ao que interessa.

Durante os últimos dias tenho pensado no trabalho que este blog faz e naquela que será a opinião, mais ou menos generalizada, sobre nós e sobre o a labuta que fazemos aqui. A verdade é que, por estas bandas, e como diz o nosso lema, esmiuçamos a realidade política e social do nosso concelho. E isso, à moda de um grande humorista português, aleija.

O …e a Trofa é minha parece ter muitos ódios de estimação individualizados. Seja ao Presidente da Câmara em funções, aos vereadores, no fundo, aos políticos. E esta ideia não poderia estar mais longe da verdade.

O problema não serão as pessoas, nunca, mas as suas atitudes. As suas ações, a forma como tratam os seus semelhantes (ou seja, todas as pessoas) e, sobretudo, as intenções que estão por trás dos seus atos.

Compreendo que seja complicado para alguém que tenha ambições políticas na Trofa ter de pensar neste blog e na forma como será tratado por aqui, esmiuçado digamos. Ou talvez não compreenda. Goethe dizia que o homem mais perigoso é aquele que não tem nada a perder. Adaptando a frase, despreocupado é aquele que nada tem a temer.

Esmiuçar cansa, sobretudo se for um trabalho ponderado, baseado em factos (peço desde já desculpa por falar em factos, que sei que, também eles, aleijam) e digo desde já: quem me dera a mim, e provavelmente falo por todos, que não houvesse matéria para escrever. Mas o problema é mesmo esse. Há.

A pessoa que aqui for mencionada sempre pelo lado positivo, sempre pelo elogio, será aquela que não terá esqueletos no armário. Que não tenha nada a esconder, que se paute pela correção, pelo brio pessoal e profissional e pelas boas intenções. E eu, um leigo político, um mero interessado, depois de passar a fase de me auto mutilar intelectualmente por não ter conhecimentos suficientes, percebi que não preciso deles. Não preciso para perceber que a política é podre, corrupta e manipuladora. Não preciso para perceber que os partidos são conjuntos de marionetas que papagueiam as mesmas cartilhas até à exaustão. Não preciso para perceber que a oposição, quando feita por um partido, tem como objetivo principal o trocar de cadeiras. E, sobretudo, não preciso para perceber que, quem chega a altos cargos, dá nós à sua própria corda pelo caminho. E vai desatando conforme a sua agenda e, novamente, as suas intenções.

Atenção, caro leitor. Quem me dera não ter razão nisto que digo. Desejo profundamente que apareça alguém, aqui ou em qualquer lado, que torne esta opinião obsoleta. Desejo que este blog deixe de ter matéria para escrever, no que ao esmiuçar da realidade, no que ao descobrir o que ninguém quer que se descubra, diz respeito. E deixo mesmo esse repto a todas as pessoas que lerem este texto. Mas sei que não há. Não há até prova em contrário.

No final de tudo isto, restam apenas duas coisas. Primeiro, este blog aleija. Eu sei disso, todos sabemos disso. Segundo, sou apenas um miúdo. Que ninguém me leve a sério.

Imagem via Behind the Curtain

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