Um bom candidato autárquico

por José Maria Moreira da Silva 0

Vamos ser chamados, muito brevemente, a emprestar o nosso voto aos autarcas de freguesia (assembleia de freguesia) e municipais (câmara e assembleia), pois aproxima-se a passos largos a data das eleições autárquicas 2017, que se vão realizar ainda este ano. No decorrer do próximo mês de outubro, os portugueses vão ser chamados a exercer, mais uma vez, o seu direito de voto.  

Para melhor exercermos esse direito precisamos de conhecer minimamente os candidatos, precisamos de saber o que os faz mover, quais as suas ideias para a autarquia e as suas batalhas, o seu envolvimento na sociedade e na família, o seu nível de pensamento livre, o seu grau de distanciamento em relação aos outros poderes (principalmente ao poder económico e financeiro), o seu nível de cidadania e cultura democrática, a sua personalidade, o seu conhecimento técnico e político. E também a sua visão para o território.

É nas autarquias que o cidadão comum mais se revê e, mais espera e anseia, que os seus problemas do dia-a-dia sejam minimizados ou mesmo resolvidos. O autarca tem de ter sempre bem presente uma finalidade no pensamento e na ação, para poder ter sempre como primeira prioridade o ser humano. Por tudo isto é que o poder local é considerado o poder de proximidade.

Um bom candidato autárquico também tem de ser um cidadão exemplar e um político modelo. Para isso precisa de estar munido de instrumentos que o possam ajudar no seu dia-a-dia, para poder levar a cabo as tarefas que lhe são incumbidas, quer por lei, quer pela moral. Ou pelas exigências dos tempo atuais.

Um autarca depois de eleito fica vinculado ao cumprimento das suas promessas eleitorais, assim como ao cumprimento de determinados princípios, cuja violação poderá acarretar responsabilidade, seguramente política, mas também administrativa, penal e civil. De entre esses princípios destacam-se a defesa da legalidade e dos direitos dos cidadãos, a prossecução do interesse público, o correto funcionamento dos órgãos e o cumprimento dos deveres inerentes aos cargos de que sejam titulares, sem ser maquiavélico, nem sarcástico, nem prepotente. Os eleitores merecem o melhor!  

É verdade que ao longo dos últimos anos de poder local, as suas competências e as exigências têm aumentado. Por isso, seja qual for o órgão para que se candidata, todos os lugares são importantes e exigem pessoas rigorosas, honestas, que tenham diversos saberes, sejam simpáticas e com boa capacidade de criar empatia, assim como um bom relacionamento interpessoal, com a sociedade civil, os apoiantes, os opositores e as entidades oficiais. Que aceitem e saibam lidar com as críticas!

Um bom candidato deve ter paixão pelo serviço público, deve considerar que a sua missão é servir e não servir-se. Não deve olhar para o lugar para que se candidata, como alternativa a nada. Também é importante que saiba estar no poder ou na oposição (em democracia é tão importante uma como outra), o que exige ter uma mente aberta e uma cultura democrática forte. Isto aprende-se e pratica-se!

Um candidato autárquico também precisa de ser um bom comunicador e, acima de tudo, um bom ouvinte, para entender o que os cidadãos desejam. Também tem de saber trabalhar em equipa e, no caso de gerir (pessoas, territórios e bens), a sua gestão tem de ser transparente, democrata, rigorosa e dialogante. Só assim é que um autarca pode ser pró-ativo e não reativo.   

Parecem questões menores, mas não o são, pois vamos eleger candidatos que se propõem gerir a coisa pública (junta de freguesia ou câmara municipal) ou que nos vão representar nos órgãos fiscalizadores (assembleia de freguesia ou assembleia municipal). Que sejam eleitos os melhores.

(originalmente publicado na edição de 9 de Março de 2017 do jornal O Notícias da Trofa)

José Maria Moreira da Silva

A liberdade é muito mais que uma simples escolha; ela alimenta os sonhos dos que não têm medo ou preguiça de sonhar. É a possibilidade de usar a razão, em concordância com o nosso pensamento.

Quero aproveitar este espaço de liberdade, para ser livremente livre naquilo que penso e escrevo, sem qualquer tipo de medos ou amarras.

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