Sábado à noite

por José Calheiros 0

Ia ser um fim de semana de arromba, pelo menos tinha essa expectativa, como um colega de trabalho que quando apanhado bêbado, justifica-se que está na sua despedida de solteiro, porque tem a expectativa de um dia casar – Ah, assim está bem! – responde quem ouve a explicação.

Nos últimos anos, das raras vezes que saio à noite, e quando digo sair à noite, refiro-me a sair ao fim de semana, sexta ou sábado, nunca os dois dias, até à uma da manhã (noites puxadinhas), costumo ligar ao meu amigo Miguel Pinho, com a inevitável pergunta :

- Miguel, como é que se sai?

Ele diz-me dois ou três sítios, e eu não conheço nenhum, quando em tempos conhecia-os todos, e faço a segunda pergunta – Ainda se usa gel? – algo que já não me interessa, pela simples razão de já não usar, mas è a força do hábito.

Mas nesta noite de sábado, sabia perfeitamente onde ir. Iria ao Salão Nobre da Junta de Freguesia do Muro, assistir à apresentação do livro do Professor Moreira da Silva “A história da criação do concelho da Trofa - Contributos”. Portanto, liguei ao meu amigo Miguel Pinho e fui directo à segunda pergunta:

- Miguel, ainda se usa gel?

- Uns sim outros não. Depende...!

Quanto ao gel no cabelo, estava decidido...sem. Relativamente à vestimenta, queria brilhar, vestiria a minha roupa de domingo nesse sábado à noite, como alguém, que de fato, calça umas sapatilhas. Procurei a minha camisa branca e não a encontrei, optei pelo plano B, sportinguista, vesti uma camisa ás riscas azuis e brancas. Incongruente? Não, achava-me giro!

Como à hora marcada das coisas, para mim não é para chegar, mas sim para estar e começar, cheguei com a antecedência devida e tive a oportunidade (enquanto as outras pessoas não chegavam) de conhecer pessoalmente o professor Moreira da Silva, autor do livro e um dos cerca de “trinta magníficos”, que são uma das fortes razões de existir o Concelho da Trofa. Posso dizer que já o conhecia, um pouco, pela leitura das crónicas do professor, pessoa bem formada e pensante, cujo discurso é fluído e com sentido (algo raro, em tempos que as pessoas não desaceleram para reflectir,  e merecedor de um programa do National Geografic) , o mesmo homem que pouco tempo depois se comovia a contar estórias da história que levou à criação do nosso concelho, principalmente quando recordou os outros magníficos, alguns deles já falecidos.

É mágico ouvir história de quem nela participou e ajudou a construir.

E como na freguesia do Muro faz-se o bem de várias maneiras, as receitas da venda do livro, com a chancela do “eatrofaeminha”, revertem a favor da “Muro de abrigo”, instituição de solidariedade social.

Se os Estados Unidos, têm os clãs Clinton e Bush, nós, no Muro, temos o clã Moreira da Silva, poderoso em fazer o bem pela “terra” e estar ao serviço dela!

Foi uma noite especial e o final da apresentação, também. Mas isso para mim são todas. Altura para me levantar e esticar as pernas, sem perder a postura, trocar sorrisos com quem não conheço e com quem conheço, adocicados com um aceno de cabeça e as palavras que troco com os da minha geração – È pá, não te via à muito tempo!

Servi-me do “Porto”, já no fim do sumo de laranja, por vezes esqueço-me que não dá resultado matar a sede com álcool...e os bolos! Comecei no bolo de laranja, passei pelo de feijão, repeti o bolo mármore e os docinhos secos. Estava na segunda ronda doceira, para ter a certeza de que bolo gostava mais e sou chamado – Ò Calheiros, vamos tirar uma fotografia.

Essa fotografia é do professor Moreira da Silva e dos elementos do “eatrofaeminha”, que estavam presentes. Quando olho para essa fotografia, apercebo-me que por vezes temos que nos admirar de fora com os outros, para entender se faz sentido estarmos juntos! E faz.

Cheguei a casa, quase à uma da manhã, a pensar que devia ter puxado o cabelo para trás com gel e levado uma camisa ao xadrez, azul e vermelha, muito bonita, da cor do Trofense.

 

P.S. – Para adquirir o livro no valor de 10€, cujo valor reverte na totalidade para a instituição “Muro de abrigo”, contactar o autor nas páginas do Facebook, Moreira da Silva ou J. Moreira da Silva, ou no sítio “eatrofaeminha”.

Foto: Manuel Veloso@Clicks do Veloso

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