Transvestismo politico no ensaio para a pré-pré-pré-campanha

por Pedro Amaro Santos 0

A vida do labor precário, a necessidade de digerir muito bem tudo o que vai acontecendo de medíocre nesta pequena terra e a falta de capacidades de transformar tudo em farpas postadas neste espaço, fazem com que venha tarde e a más horas escrever-vos. Ainda assim, permitam-me que desabafe convosco.

Embora a meteorologia deixe demasiada margem para dúvidas, estamos em novembro do ano da graça de dois mil e dezasseis. No país, a geringonça ainda se aguenta. No concelho, Sérgio Humberto continua a colher os frutos juventude dos - quase - dezoito anos de sucessiva incompetência. Todos temos agradecido a chuva e os dias mais frios que teimam em chegar no seu tempo. Contudo, a pré-pré-pré-campanha para as autárquicas tarda em chegar. Seria motivo para algum alívio por estarmos a poupar o povo à badalhoquice eleitoral o máximo de tempo possível. Mas, em jeito de desabafo: venha a pré-pré-pré-campanha eleitoral o mais rapidamente possível. Chega deste “modo hibernação” mal activado.

Antes que me insultem, saibam que estou consciente de que estou a pedir algo pouco ortodoxo. Estou a pedir debate, estou a pedir gente a assumir-se e travestismos políticos a saírem do armário. Estou a pedir algo estranhamente exótico mas que faz sentido em democracia.  Num ambiente político normal, isto não é estranho, garanto-vos. Na Trofa, os meus pedidos podem acabar em mais uma troca de socos entre jota boys clamando pelos jobs.

Ensinou-me uma vez um camarada do meu partido que é nas campanhas que todos se revelam. No fundo, as campanhas - mesmo que acompanhadas de três, ou sete, prefixos “pré” - que podemos escolher quem representa algumas das nossas ideias e quem não representa. A partir daí, fazemos democracia! Estou honestamente preocupado. Quero acreditar num futuro onde alguém me possa representar mais ou menos dignamente. Basta que seja mais ou menos.  Se ninguém sai do armário, com quem vamos debater? Quem nos vai representar?

Estes dias, todos nós - ou quem quis - lemos e vimos a história da pequena gigante jovem Murense que falou tão, ou mais, alto do que todos os autarcas sobre o assunto do metro. Há muito tempo que não me sentia tão bem representado. Perante isto, só podemos reflectir sobre “quem nos representa afinal?”

É este o motivo do meu clamor por pré-pré-pré-campanhas: encontrar quem nos possa representar. Parece-me mais ou menos legítimo. Jovens de todo o concelho, carreiristas políticos e cidadãos da sociedade civil, empresários e agricultores, proprietárias de cafés e senhores de bigode, todos vós quantos pensam em algo fazer por este território ainda fértil, saiam do armário! Neste mundo “open mind”,  “open space” e “open cenas”, está na altura de sermos também abertos ao funcionamento normal da democracia. Não temos só de marcar presença em proto-comícios de apresentação de mais uma empreitada ultra estratégica para a metrópole. Não temos de ter medo de dizer, participar e fazer acontecer. Juro. Não há papões. Vamos todos deixar o facebookismo anónimo e fazermo-nos à vidinha democrática.

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