Pior a emenda do que o soneto

por Silvéria Miranda 0

Há muito tempo que tenho evitado escrever sobre este assunto. E talvez não devesse. Contudo, depois do que presenciei na semana passada, mais a censura de que fui alvo por estes dias (sim, censura!), não há como me calar face a um assunto desta natureza…

Como dizia, na semana passada, por volta das 14h de sexta feira, passei no centro da Trofa. Deparei-me com os meios de socorro e uma série de populares em torno de uma senhora que, ao que tudo indicava, tinha sido atropelada. Até aí, e infelizmente, tudo normal. Acontece que não foi só isto que eu vi. Vi sim uma pessoa a filmar os socorros que a senhora estava a receber, ali, em direto, para o Facebook, com o pretexto de “estar a fazer o seu trabalho”. E agora eu pergunto: qual a necessidade de filmar a senhora toda ensanguentada, numa situação que já de si a deixava mais fragilizada, se tal não era relevante para absolutamente ninguém? Mais, se até poderia estar a dificultar o seu socorro? Alguns populares que lá se encontravam estavam mesmo a comentar entre si aquilo que também se passava na minha mente… (entretanto já não encontro o vídeo, embora ainda existam algumas fotos que me vou abster de divulgar... pensem o que quiserem)

Os episódios, como dizer?, algo deprimentes da parte deste “jornal” já não vêm de hoje. Temos cópias baratas de todos os sites de informação que existem em Portugal. Uma coisa sem citar o autor, sem aspas, sem uma referência sequer. Temos cópias altamente bajuladoras do site da Câmara Municipal da Trofa (todas elas opinativas e pouco isentas, o que se quer de um dito órgão de comunicação social).

Como se tudo isto já não bastasse, temos erros de português dignos de envergonhar uma qualquer professora de Português do 2º. ciclo (e é aqui que se vê quando as notícias são "originais"). Para além da comum confusão à/há, temos tempos verbais errados, suposições dadas como certas e comentários opinativos do próprio pessoal deste “jornal” em resposta aos comentários dos seguidores da página. Se eu já chamei a atenção de alguém para isto? Já. Se me responderam? Não. Se aprenderam com os erros? Também não. E sabem a melhor? Apagaram o que corrigi e ainda me baniram (para desbloquearem a seguir). Dá vontade de chorar, mas de riso.

Se não podem aguentar com os comentários das pessoas quando eles são contrários ao que gostariam de ler, não tenham uma página que o permita. Se eu fosse de uma certa laia criava já uma série de perfis falsos e desatava a corrigir todos os vossos erros (que são mais que as mães) e nem iam ter mãos para tantos bloqueios. Cresçam que na escola onde vocês andam já sou eu professora há muito!

Não estou a dizer que todos temos de ter um curso superior em Jornalismo. Mas regras básicas, nomeadamente saber que existe um Código Deontológico a seguir e várias leis sobre a cópia de textos de outros autores, até um estudante do Secundário sabe. O português não é uma língua fácil, de todo. Mas se é a nossa, se é com ela que trabalhamos, o mínimo que podemos fazer é procurar conhecê-la o melhor possível e corrigir o erro, evitando repeti-lo. Se um jornalista não sabe escrever, quem saberá?

E mais, se um jornalista (?), que trabalha com a liberdade de informação e de opinião (sua num espaço próprio ou dos cronistas que no seu jornal escrevem) não sabe lidar com a mesma liberdade dos outros, então estamos perante alguém (ou vários alguéns) que vai contra o seu próprio estatuto onde se diz estar “aberto ao pluralismo e à diversidade de opiniões”. Eu avisei que era de chorar de riso.

E nem vou comentar o facto de alertarem para a existência de radares ou de operações STOP em determinados locais…

Porém, o mais grave, a meu ver, é a falta de imparcialidade, enaltecendo descaradamente o atual executivo, não dando voz aos restantes partidos existentes no concelho. Como eu já estou cá há algum tempo, deixem-me só fazer um aviso: mudam-se os tempos, mudam-se os donos disto tudo (ou assim julgam ser). E vindo outros, cabeças acabam por rolar… just saying!

(Escusado será dizer que tenho guardados vários exemplos de tudo o que acabei de escrever.)

 

*imagem daqui

Silvéria Miranda

Sempre tive como velha máxima que os factos são sagrados e as opiniões livres. Foi com essa premissa que criámos este espaço e é por ela que me rejo em cada palavra que aqui escrevo. Sem qualquer interesse que não o de ajudar a construir uma Trofa melhor, mais justa e apelativa, digo orgulhosamente que sou tanto da Trofa como a Trofa é minha!

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.