Uma gazela no monte de paradela!

por Luís Cardoso 0

Foi à velocidade de uma gazela que, às 6 da manhã, ao primeiro toque do despertador me levantei, cuidei da higiene pessoal, vesti uma roupa leve e com uma garrafa de água numa mão e uma maçã na outra, iniciei uma caminhada pelo monte de paradela.

Em poucos minutos fiz-me transportar da cidade para o monte, deixando as estradas de alcatrão e indo ao encontro dos caminhos de terra, trocando o cinzento das casas pelo verde da vegetação.

Entre o silêncio da manhã e o madrugador raiar do sol, lá ia eu, passo a passo, ao encontro do destino marcado, estrategicamente colocado no alto do monte de paradela, popularmente conhecido por “meco da guerra” e que serve de posto de vigia ao monte.

Os passarinhos cantavam, o vento assobiava e as árvores acenavam, num quadro quase que perfeito e muito inspirador.

Contagiado por tudo, respondia à natureza com um sorriso constante e uns breves cantarolares, expressões naturais e próprias de quem se encontrava livremente entregue a si mesmo.

Ao chegar ao alto e depois de subir as escadas do posto de vigia, olhei à minha volta e percebi que daquele ponto conseguia alcançar com a minha vista todas as freguesias do Concelho da Trofa.

Naquele momento hipnotizei o meu corpo, dei exclusividade à imaginação e viajei.

Durante essa viagem recriei no meu imaginário um novo monte de paradela. No geral o monte permanecia igual, com a sua beleza natural intocável e preservada, onde os pinheiros enchiam o monte de cor verde e os animais de forma livre e selvagem iam marcando a sua prerseça em velozes aparições. Criei a imagem de um monte limpo e cuidado, com vários percursos pedestres e cicláveis devidamente assinalados, zonas de lazer onde as pessoas podiam socializar e confraternizar em família ou entre amigos, quer através da prática desportiva lúdica, quer através de piqueniques de convívio. Este monte seria o ponto de encontro de várias gerações e um local de referência e orgulho para todos os trofenses.

De um segundo para o outro, um raio solar certeiro atravessou meus olhos e fez-me voltar ao mundo real percebendo que teria que regressar à cidade ainda antes que as primeiras pessoas se fizessem ouvir e os primeiros carros começassem a circular.

Durante o meu regresso a casa encontrei um dos poucos parques de merendas que existem no concelho, mesmo ali no coração do monte de paradela, encostado ao campo de treinos das camadas jovens do Clube Desportivo Trofense e com uma excelente acessibilidade.

Uma desilusão se abatia em mim à medida que me aproximava e as perguntas começavam a surgir no meu pensamento.

Como podem os responsáveis políticos da Trofa deixar naquele estado de sujidade e vandalismo um espaço que deveria e poderia ser uma referência e ponto de encontro para a população?

Porque não potenciam este espaço, sinalizando-o e criando novas valências?

Porque não se cria um acesso pedonal e ciclável desde o centro da cidade até ao parque de convívio e merendas?

Por onde têm andado os responsáveis pelo setor do ambiente da Câmara Municipal da Trofa?

O lixo é tanto que até existe um caminho no meio do monte para onde atiraram um raile de protecção de estrada.

Prioridades são as que os políticos quiserem ou as que a população exigir?

De minha parte continuarei a partilhar o que vejo e o que sonho poder ver.

Amanhã voltarei para caminhar junto da natureza e cantarolar ao ritmo dos inocentes sons saídos do biquinho de um qualquer passarinho.

Luís Cardoso

Mais que a saudade das lembranças, cultivo o prazer de viver no limite de minhas possibilidades de liberdade e fé. Com base em valores de verdade e justiça associo minha honestidade e simplicidade intelectual à paixão por uma Trofa que por herança de gerações de família também é minha e que desejo deixar melhor para todos os que por paixão continuam achar valer a pena por cá permanecer. Bem hajam.

Comentários

  1. Amadeu Jose Bento Machado

    Que pena que a selvajaria de uns (muitos) e a inoperância incapaz de outros ("responsáveis") tenham estragado um texto que começou tão poético e agradável!!!

    1. Amadeu Jose Bento Machado

      E as imagens, Senhor!!! A VERGONHA DE UM POVO!!!

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