30º - O que é preciso fazer na Trofa. Hoje, que amanhã já é tarde!

por José Maria Moreira da Silva 0

Depois de um ano e um mês a escrever para o Blogue“… e a Trofa é minha”, sempre a olhar para trás, a olhar para a história recente de todos nós, a escrever sobre a criação do Concelho da Trofa, nesta minha 30ª e última Crónica vou ter a ousadia de escrever olhando para a frente e dizer aquilo que me vai na alma; dizer o que, no meu entender, ainda falta fazer na Trofa. E não é muito!

É óbvio, que a Trofa tem necessidade de infraestruturas (boas acessibilidades, bons transportes, boas escolas, bons equipamentos desportivos, culturais e de solidariedade social), mas também precisa de ter uma maneira de estar, que seja exemplar e atraia investimentos e empresas. Para isso acontecer é preciso mostrar ao «mundo» que somos um concelho modelo.   

Desde logo, que todos se considerem trofenses e não apenas os habitantes de S. Martinho de Bougado. Os habitantes das oito freguesias são todos do Concelho da Trofa; somos todos trofenses! Isto é para que se possa interiorizar e fortalecer o «trofismo» que já tivemos no passado e nos levou a “Lisboa buscar o Concelho”. E que tanta falta faz, para que Trofa possa caminhar na direção da pujança económica e social, que teve num passado bem recente. É bem preciso sairmos do marasmo em que nos encontramos! O desenvolvimento de um país, de uma região, de um concelho faz-se através da economia. Façamos uma opção de compra daquilo que é nosso: daquilo que é da nossa região. Façamos as nossas compras no comércio local e, se possível, escolhendo produtos locais. Assim participamos no desenvolvimento da economia local e ficamos todos a ganhar!

Depois é preciso que a Trofa seja um concelho com equidade, que as freguesias sejam tratadas todas por igual, que seja um concelho único e exemplar. Tem todas as condições para o ser! Para isso também é preciso unir a cidade à vila e a vila à cidade. É preciso unir a Cidade da Trofa à Vila do Coronado, para que os mamedenses e os romanenses não estejam de costas voltadas para a Trofa ou que tenham de ir por Covelas ou pelo Muro, para chegar à Cidade da Trofa. E é tão simples, pois a distância é tão pequena! Basta abrir uma estrada, que até já está «rasgada»; já existe. Só é preciso fazer as infraestruturas necessárias. «Mãos à obra» hoje, que amanhã já é tarde!

É preciso apoiar e dar vida ao associativismo trofense! As associações são escolas de democracia, de saber viver em comunidade, de ser solidário, de educação não formal, de partilha, de inclusão, de entreajuda, de civismo. Sejam elas associações culturais, desportivas, recreativas, juvenis, de pais, de estudantes, de solidariedade social ou humanitárias. O objetivo principal de qualquer associação é o ser humano. É desta maneira que podemos manter as nossas raízes e as relações que perduram para a vida inteira! Façamo-nos sócios e participemos nas suas atividades; participemos na vida associativa; participemos nas Assembleias de Freguesia e Municipais. Isto é: pratiquemos a Cidadania. A Cidadania é bidirecional, pois é receber, mas também é dar! Assim se constrói uma sociedade melhor e mais solidária. Que bem nos vai fazer; a nós e aos nossos vindouros!

É preciso entender que a Trofa não é uma sociedade «unipolar», nem uma sociedade «bipolar». A sociedade trofense é «multipolar»; é uma sociedade plural, pois tem realidades muito distintas. Ter cuidado com o hino, que se diz da Trofa e nem sequer é da cidade da Trofa, pois apenas se fala dos lugares de S. Martinho. Já foi criado, no décimo aniversário de Concelho, um Hino da Trofa, por um músico afamado (Zé da Ponte) e letra de um escritor famoso (Valter Hugo Mãe), mas ficou nas gavetas e nunca mais se ouviu. Precisamos de ter uma democracia inclusiva, onde todos têm o seu lugar; precisamos de eliminar a crispação existente na sociedade trofense. Que se tenha respeito pela diferença de opiniões, que se respeite a individualidade de cada um. É pela diversidade de opiniões que se faz a evolução de uma sociedade.

Comecemos a dar valor aos políticos eleitos que estão na oposição, da mesma forma que damos valor aos que estão no poder. A democracia é isto! É tão importante quem governa, a nível nacional ou local, como quem está na oposição. Mas também é importante saber estar no poder e saber estar na oposição. Para isso é preciso ter a mente aberta e ter cultura democrática. Isto aprende-se e pratica-se! Participemos mais na vida política e partidária. Assim vamos ter melhores políticos; vamos ter melhores partidos; vamos ter uma melhor sociedade! 

Por último deve-se deixar de fazer as coisas só por fazer e para encher os boletins informativos e os jornais. Faça-se o que deve ser feito, tendo sempre em atenção que o ser humano deve ser o centro de tudo. Seja na política, na economia, nas finanças, no associativismo. A função de um político quando é eleito é para ajudar o ser humano a ser feliz. Não nos façam a «vida negra»; simplifiquem, não nos «azucrinem» a vida. Nós só queremos ser felizes!

Foi um imenso prazer estar aqui consigo. Obrigado pela sua companhia! Até já! Até ao dobrar a esquina, ali no fundo da rua.

José Maria Moreira da Silva

A liberdade é muito mais que uma simples escolha; ela alimenta os sonhos dos que não têm medo ou preguiça de sonhar. É a possibilidade de usar a razão, em concordância com o nosso pensamento.

Quero aproveitar este espaço de liberdade, para ser livremente livre naquilo que penso e escrevo, sem qualquer tipo de medos ou amarras.

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