29º - O sonho continua!

por José Maria Moreira da Silva 0

As oito freguesias, que em conjunto foram desagregadas no século XIX do Concelho da Maia, para serem integradas no então criado Concelho de Santo Tirso formavam, como ainda formam uma realidade sociológica e geográfica com muita similitude, como ainda hoje se verifica.

Como se constatou ao longo da história da criação do Concelho da Trofa, não era por uma questão de termos ou não termos este ou aquele equipamento; termos mais ou menos investimentos; sermos ostracizados, como sempre o fomos, pelo poder centralista de Santo Tirso, e até fomos alvo de fortes retaliações, principalmente nos últimos anos, antes de sermos Concelho. Nós queríamos a nossa autonomia, nós queríamos ser um Concelho novo, por razões históricas, geográficas e sociológicas, e não por qualquer outra questão menor.

Quando foi criado o Concelho da Trofa tínhamos todas as condições para ter sido um Concelho exemplar, um Concelho bem diferente de todos os outros já existentes, pois era um Concelho sociologicamente idêntico, geograficamente homogéneo, tinha um tecido empresarial fortíssimo e existia um trofismo bem arreigado nas gentes da Trofa. Tudo isto junto chegava e sobrava para sermos um Concelho impar no país.

Embora as asneiras, na gestão municipal trofense, ao longo da sua existência autonómica, tenham sido mais que muitas, que quase hipotecaram o futuro da Trofa, não o conseguiram destruir, pois existe ainda um potencial enorme, para se poder dizer, sem qualquer hesitação, que não mataram o nosso sonho. Foram autênticos «pecados mortais», que se praticaram, mas o sonho continua!

Deveria ter existido uma verdadeira discussão pública sobre que que tipo de Concelho é que a Trofa queria ser, e como chegar lá. Depois era preciso «meter pés ao caminho» e passar à prática, conforme as nossas possibilidades, para concretizarmos os nossos sonhos. E chegávamos lá!

Nas diversas campanhas eleitorais foram apresentados diversos projetos, que ainda hoje estão no papel. Os projetos elaboram-se, não se adiam; concretizam-se. Foram palavras jogadas ao vento nas campanhas eleitorais. Tantos sonhos que nunca passaram de planos e que quiseram destruir. Foram tantas as palavras deitadas ao vento. Os trofenses tinham, e quero acreditar que ainda têm, tantos desejos por desvendar e tantos sonhos que nunca passaram de planos. Esse tanto, que tantas vezes foi sonhado, outras tantas vezes foi repetido, mas que no silêncio acabou esquecido, acredito que ainda está bem gravado na memória coletiva dos trofenses. 

Os trofenses sentem a dor do que lhes fizeram à sua terra, mas conseguem ter a capacidade de disfarçar a raiva que lhes vai crescendo nos dentes, com um sorriso trigueiro, pois o seu sonho ainda não acabou.

Na próxima Crónica vou escrever aquilo que me vai na alma, não só da minha, mas na de muitos trofenses. Fez-se muitas asneiras, algumas irrecuperáveis, mas continuamos a exigir que a Trofa seja o melhor Concelho do país, o Concelho mais bonito de Portugal.

O sonho continua! O sonho de sermos concelho realizou-se, mas entretanto nasceram outros sonhos! 

José Maria Moreira da Silva

A liberdade é muito mais que uma simples escolha; ela alimenta os sonhos dos que não têm medo ou preguiça de sonhar. É a possibilidade de usar a razão, em concordância com o nosso pensamento.

Quero aproveitar este espaço de liberdade, para ser livremente livre naquilo que penso e escrevo, sem qualquer tipo de medos ou amarras.

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