28º - As primeiras eleições autárquicas no Concelho da Trofa

por José Maria Moreira da Silva 0

Depois de quase três anos de gestão municipal, por parte da Comissão Instaladora do Concelho da Trofa, em que o PSD, através de Bernardino Vasconcelos, teve um enorme palco para fazer campanha eleitoral permanente, e aproveitou mesmo muito bem, as eleições autárquicas estavam marcadas para o dia 16 de dezembro de 2001. O Concelho da Trofa ia votar pela primeira vez, para as eleições da sua Câmara Municipal, da sua Assembleia Municipal e das suas Assembleias de Freguesia.

Os resultados das primeiras eleições autárquicas no Concelho da Trofa, não diferiram muito em relação aos resultados nacionais, pois houve uma «onda laranja», que varreu o país de norte a sul e a Trofa não foi exceção. No Concelho da Trofa, os resultados foram os seguintes:

Câmara Municipal: ganhou o PSD (Bernardino Vasconcelos), com quase 65% dos votos e 5 mandatos; PS (Afonso Paixão) teve pouco mais de 23% e 2 mandatos; o CDS-PP (José Maria Moreira da Silva), que tinha o sonho de ser o «fiel da balança», no caso de empate entre o PSD e o PS, teve apenas pouco mais de 6% e nenhum mandato; o PCP-PEV (Victor Augusto) não conseguiu chegar aos 3% e nenhum mandato.

Assembleia Municipal: também ganhou o PSD (Daniel Figueiredo), com quase 59% e 14 mandatos; o PS (José Gregório Torres) obteve um pouco mais de 26% e 6 mandatos; o CDS-PP (Maria das Dores Machado) conseguiu 8% e 1 mandato; o PCP-PEV (Manuel Dias) esteve perto dos 4% e 1 mandato.   

Assembleias de Freguesia: Alvarelhos, Joaquim Oliveira (PSD), foi reeleito Presidente da Junta, com quase 69% dos votos; S. Martinho de Bougado, João Moura de Sá (PSD) foi reeleito Presidente da Junta, com mais de 56%; Santiago de Bougado, Joaquim Azevedo (PSD) foi eleito Presidente da Junta com quase 42%, mas teve de fazer uma coligação com o CDS-PP, que obteve quase 23%; S. Mamede do Coronado, Modesto Torres (PSD) foi reeleito Presidente da Junta, com um pouco mais de 58%; S. Romão do Coronado, Guilherme Ramos (PSD) foi reeleito Presidente da Junta, com quase 47%; Covelas, Fernando Moreira (PSD) foi reeleito Presidente da Junta, com quase 71%; Guidões, Bernardino Maia (PS) foi reeleito Presidente da Junta, com um pouco mais de 58%; Muro, António Moreira (PSD) foi eleito Presidente da Junta, com quase 53%.

Como se pode constatar, nas eleições autárquicas de 2001, o Concelho da Trofa foi coberto com um manto laranja em quase todo o Concelho, excetuando a freguesia de Guidões.

Seria escamotear e branquear a realidade histórica se não contasse a situação caricata que sucedeu com a candidatura do CDS-PP, no Concelho da Trofa. Enquanto o candidato à Câmara Municipal se multiplicava para fazer a sua campanha pelas freguesias, alguns dos seus candidatos às Assembleias de Freguesia de S. Martinho de Bougado e Santiago de Bougado (as duas maiores freguesias em termos de eleitores), tiveram o desplante de fazer campanha pelo candidato do PSD à Câmara Municipal. Mais grave ainda é que um elemento da Comissão Política do CDS-PP e candidato democrata-cristão à Assembleia de Freguesia de Santiago de Bougado (não o cabeça de lista), para além de ter feito uma campanha porta-a-porta, a favor do candidato laranja à Câmara Municipal, também pagou na totalidade a despesa da campanha do candidato socialista à Assembleia de Freguesia de S. Mamede do Coronado. «Jogava com todos os pés que tinha». Quando o candidato do CDS-PP à Câmara Municipal da Trofa teve conhecimento destes acontecimentos «reles», já era tarde, pois já estava no final da campanha eleitoral e nada podia ser feito. Isto é de «bradar aos céus», mas aconteceu na campanha eleitoral autárquica do CDS-PP, no Concelho da Trofa. E assim, o candidato democrata-cristão não conseguiu os seus intentos, ser o «fiel da balança» no caso de empate, o que poderia ter acontecido se tivessem sido canalizados para a candidatura municipal os votos que o CDS-PP teve em Santiago e S. Martinho de Bougado.  

Bernardino Vasconcelos conseguiu uma maioria muito confortável, que o livrava de sobressaltos que algum seu Vereador pudesse ter a veleidade de lhe pregar, o que veio a acontecer com o seu Vereador Hélder Santos, mas de imediato retirou-lhe todos os Pelouros, no decorrer do mandato, que lhe tinha atribuído, só porque não tinha estado de acordo com algumas medidas aprovadas pelo executivo camarário. O mesmo conforto teve com a Assembleia Municipal, que também obteve uma maioria confortável, assim como teve nas 7 das 8 Freguesias, cujos Presidentes também eram do PSD. Assim a Câmara Municipal da Trofa pode fazer à vontade as «asneiras» que fez ao longo do tempo. A começar pelo endividamento e pelo «engordar» do quadro de funcionários. Foi um «forrobodó» e um «fartar vilanagem», que ainda hoje se está a pagar as asneiras e as dívidas que então se fizeram!

Na próxima Crónica vou escrever sobre o sonho, que ainda não acabou, de a Trofa ser um Concelho exemplar.

José Maria Moreira da Silva

A liberdade é muito mais que uma simples escolha; ela alimenta os sonhos dos que não têm medo ou preguiça de sonhar. É a possibilidade de usar a razão, em concordância com o nosso pensamento.

Quero aproveitar este espaço de liberdade, para ser livremente livre naquilo que penso e escrevo, sem qualquer tipo de medos ou amarras.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.