26º - A nomeação dos membros da Comissão Instaladora e as «guerras internas» nos partidos

por José Maria Moreira da Silva 0

O que a lei concedia à Comissão Instaladora do Concelho da Trofa era a gestão dos destinos do Município até às eleições autárquicas de 2001, mas obviamente foi um «palco» privilegiado para uma permanente campanha eleitoral. A referida Comissão seria constituída em função dos resultados das eleições autárquicas anteriores, nas oito freguesias que constituíam o Concelho da Trofa. Deveriam ser indicados cinco elementos, pelos partidos políticos. Como o PSD tinha concorrido coligado com o CDS-PP, coligação essa que tinha ganho as eleições, o PSD deveria indicar dois elementos (sendo um deles o Presidente); o PS deveria indicar também dois elementos; o CDS-PP deveria indicar um elemento.

As leis internas dos partidos políticos indicavam que deveriam ser as Comissões Políticas Distritais, depois de serem consultadas as Comissões Políticas Concelhias, do concelho de origem (Santo Tirso), a indicar esses elementos. Assim aconteceu!

A distrital do PSD, presidida por Valentim Loureiro, indicou os nomes de Bernardino Vasconcelos e António Pontes, por interferência pessoal de Luís Filipe Menezes, que era amigo de Bernardino Vasconcelos. Só que o Presidente do partido, Durão Barroso tinha o seu preferido, para a referida nomeação, que chegou a anunciar publicamente: João Moura de Sá (membro da sua Comissão Política Nacional, Conselheiro Nacional e Presidente da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado). A clivagem estava feita dentro do partido, só que a distrital levou de vencida a sua nomeação (tinha a lei interna do seu lado), mesmo tendo aberto um conflito com o Presidente do partido. Quem veio a pagar a «fatura» desse conflito foi o Concelho da Trofa, pois a Comissão Instaladora, e mais tarde a Câmara Municipal da Trofa foram ostracizadas pelo poder instalado em Lisboa de tal maneira, que durante os onze anos que Bernardino Vasconcelos esteve no poder municipal, nunca teve uma visita de um Ministro ou qualquer obra governamental. E se tivesse sido João Moura de Sá o nomeado será que tinha havido essa ostracização? Será que a Trofa não tinha conseguido obras governamentais? A resposta é mais que óbvia! O tempo veio a dizer que, com esta guerra interna no PSD, provocada pela nomeação dos elementos para a Comissão Instaladora do Município da Trofa, quem ficou a perder foi o Concelho da Trofa; foram os trofenses!  

Dentro do Partido Socialista o processo decorreu mais pacificamente, pois a distrital deu a possibilidade à Comissão Política Concelhia de Santo Tirso de indicar os dois elementos, que tinha direito. O responsável do PS de Santo Tirso (Joaquim Couto) «cuspiu um pouco do seu veneno» e teve o desplante de nomear, e bem, Afonso Paixão, responsável do PS na Trofa e José Agostinho, um dos mentores do grupo “Pensar Maia” e grande lutador contra a criação do Concelho da Trofa. Foi uma «pequena vingança» que Joaquim Couto fez à Trofa, que provavelmente o encheu de prazer sádico.  

Quanto ao CDS-PP o processo de nomeação foi uma «telenovela mexicana», pois a distrital começou por nomear Miguel Rossi, de Santo Tirso, só que essa nomeação provocou muita celeuma nos militantes históricos do partido na Trofa, que apresentaram o nome de José Maria Moreira da Silva. Já perto do final da data da indicação do nome apareceu Paulo Serra, que nem militante era, pois tinha-se desvinculado do partido há muito tempo, mas foi feita a sua refiliação à pressa e, como tinha «emprestadado» (palavras dele em público) alguns milhares de contos à distrital do partido foi ele o indicado, para gáudio de Bernardino Vasconcelos, que era o seu elemento preferido, pois sabia que ele não poderia «levantar ondas», como nunca veio a levantar. Certos interesses que existiam…

Na próxima Crónica narrarei a constituição da Assembleia Municipal, ainda no tempo da Comissão Instaladora do Concelho da Trofa e a história do edifício sede do Município.

José Maria Moreira da Silva

A liberdade é muito mais que uma simples escolha; ela alimenta os sonhos dos que não têm medo ou preguiça de sonhar. É a possibilidade de usar a razão, em concordância com o nosso pensamento.

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