25º - O «day after» da criação do Concelho da Trofa

por José Maria Moreira da Silva 0

No dia 19 de novembro, os últimos trofenses a sair de Lisboa foram os membros da Comissão Promotora, José Maria Moreira da Silva e Armando Martins, pois foi preciso deixar todos os autocarros partir e verificar de havia alguém que faltasse. E havia mesmo alguns trofenses, que não partiram para a Trofa no seu autocarro, em virtude de estarem no hospital a receber assistência, pois sentiram-se indispostos, ao longo da tarde. Esses trofenses tiveram de regressar em ambulância. Eram meia dúzia, mais o médico do Centro de Saúde da Trofa que os acompanhou sempre. A ambulância vinha a «abarrotar» de pessoas, mas chegaram sãos e salvos à Trofa, ainda a tempo de puderem festejar. Aqueles trofenses que não puderam ir a Lisboa esperaram por aqueles que puderam ir e festejaram em conjunto. A junção de emoções foi indescritível. E a festa durou «até às tantas», mas não houve qualquer discurso. Só abraços, comentários, lágrimas e sorrisos. A festa continuou no dia seguinte, pois houve um novo ajuntamento no Parque Nossa Senhora das Dores. Para além de uma saudação dos vizelenses, através de Manuel Campelo, do Movimento de Vizela a Concelho, mais ninguém interveio a não ser música ao vivo e gravada, e uma vitela assada oferecida por um empresário trofense, que se comprometeu, enquanto for vivo, a oferecer uma vitela assada, todos os anos, no dia 19 de novembro. Assim tem acontecido!    

No dia 23 de novembro de 1998, a Comissão Promotora reuniu-se na sua sede, para fazer um balanço e também festejar. O objetivo tinha sido alcançado e, assim, foi cumprido integralmente o mandato que recebera dos trofenses. O Tesoureiro da Comissão Promotora, António Sousa Pereira, apresentou as contas, que atingiram a importância de quase 15 mil contos (75.000€). O grupo de angariação de fundos ainda só tinha conseguido obter nem 10 mil contos (menos de 50.000€). Portanto era preciso angariar mais de 5 mil contos (25.000€), para não se ficar a dever a quem quer que fosse. Isso era um ponto de honra, embora houvesse a perceção que depois do objetivo conseguido, a disponibilidade das pessoas para subsidiarem o que faltava iria ser menor.

Nessa reunião começou-se a delinear uma festa final, para encerramento dos seus trabalhos. Nessa festa, a Comissão Promotora, num gesto simbólico entregaria as «chaves do Concelho» que se foi buscar a Lisboa, aos oito Presidentes das Assembleias de Freguesia. Nunca se conseguiu realizar a referida festa, até porque os partidos começaram a posicionar-se e a marcar iniciativas. A primeira iniciativa foi um jantar do PSD/CDS-PP, no dia 7 de dezembro. Para o mesmo dia estava marcada uma reunião da Comissão Promotora, que se tinha acordado ser na segunda-feira imediatamente a seguir à publicação em Diário da República da Lei referente à criação do Concelho da Trofa. Alguns elementos, entre eles o coordenador do dia da “Ida a Lisboa buscar o Concelho”, José Maria Moreira da Silva, que era um dos oradores do referido jantar do PSD/CDS-PP, não puderam marcar presença na referida reunião. Os elementos da Comissão Promotora presentes na reunião (que teve de ser efetuada numa sala ao lado da sua sede, por esta se encontrar inacessível) consideraram que os promotores do referido jantar estavam a boicotar o trabalho da Comissão Promotora. Perante o que se estava a passar, a Comissão Promotora decidiu não tomar qualquer deliberação e interromper os seus trabalhos «sine die», ficando o Presidente da Comissão, Pedro Alves da Costa, incumbido de efetuar os contactos com os elementos da Comissão Promotora, quando entendesse que era necessária nova reunião. Mas não mais se reuniu e já nem fazia sentido tal iniciativa. Só que faltava resolver a questão financeira, pois ainda se devia bastante dinheiro, alguns milhares de contos.

O Tesoureiro, António Sousa Pereira, conjuntamente com alguns dos membros da Comissão Promotora do Concelho da Trofa, José Luís Reis, Francisco Lima, Aníbal Costa e José Maria Moreira da Silva meteram «pés a caminho» e conseguiram angariar fundos e liquidar todas as dívidas, ao fim de alguns meses, graças a alguns empresários amigos trofenses. Aqui deve ser realçado o facto da Comissão Instaladora do Concelho da Trofa, que entretanto tinha tomada posse, não quis contribuir, nem ajudou na angariação de verbas, nem na liquidação das dívidas, mesmo sendo solicitada a fazê-lo. Mas o Concelho da Trofa arrancou sem dívidas!

Todos os dias 19 de novembro, os membros da Comissão Promotora do Concelho da Trofa (Comissão Executiva) reúnem-se num jantar de confraternização. Até hoje, sempre se realizaram esses encontros/convívio!

Na próxima Crónica narrarei as «guerras internas nos partidos», originadas pela nomeação dos membros para a Comissão Instaladora do Concelho da Trofa.     

José Maria Moreira da Silva

A liberdade é muito mais que uma simples escolha; ela alimenta os sonhos dos que não têm medo ou preguiça de sonhar. É a possibilidade de usar a razão, em concordância com o nosso pensamento.

Quero aproveitar este espaço de liberdade, para ser livremente livre naquilo que penso e escrevo, sem qualquer tipo de medos ou amarras.

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