22º - Os números envolvidos no dia da “Ida a Lisboa buscar o Concelho”

por José Maria Moreira da Silva 0

No dia 7 de novembro de 1998 chegou a notícia à Trofa do agendamento para o dia 19 do mesmo mês, da discussão dos Projetos de Lei para a criação dos Concelhos de Odivelas e da Trofa. Como se pretendia que a “Ida a Lisboa buscar o Concelho” fosse um êxito estrondoso, a Comissão Promotora desdobrou-se em vários grupos de trabalho, pois era preciso angariar fundos (os responsáveis foram o Luís Reis e Aníbal Costa e o tesoureiro foi sempre o António Pereira) e negociar com as empresas de transportes, com os fabricantes de diversos tipos de materiais, como por exemplo:  t’shirts; paus para bandeiras; bandeiras; chapéus; cartazes pequenos; faixas em lona (os responsáveis foram o Adélio Serra e o Francisco Lima). Os diversos grupos de trabalho foram coordenados por José Maria Moreira da Silva. A planificação era a possível, pois os trofenses inscritos iam aumentando, cada dia que passava.        

De início pensou-se que cerca de seis mil trofenses rumariam a Lisboa e todo o material que se encomendou foi nessa base. Em todos os locais públicos (Juntas de Freguesia; estabelecimentos comerciais; restaurantes, cafés, escolas; fábricas, etc.) foram colocadas listas para as pessoas se inscreverem e foi através dessas listas que se começou a verificar que a adesão estava a ultrapassar muito as expectativas. A Comissão Promotora tinha um programa, na Rádio Trofa, onde os trofenses poderiam tirar dúvidas, principalmente do local onde se poderiam inscrever e o local onde apanhava o transporte.

Quanto se começou a negociar com as empresas, para o aluguer dos autocarros previam-se um pouco mais de 50 e chegou a atingir 123 autocarros, que levaram os trofenses a Lisboa. Começou-se por contactar as empresas da região (Paços de Ferreira, Vila do Conde; etc.) e negociava-se o preço, começando nos 60 contos (300€), por autocarro, mas quando se começou a verificar o número de adesões a aumentar constantemente esgotaram-se os autocarros da região e foi preciso recorrer a empresas de transporte de mais longe (Mondim e Cabeceiras de Basto, por exemplo). Já nem se negociava o preço, pois o importante era arranjar transporte para todos os trofenses que se iam inscrevendo. Não se podia deixar um único trofense, que desejasse ir a Lisboa, ficar em terra. Todos eram necessários!

Todos os dias se ligava para as empresas a aumentar as quantidades dos diferentes materiais, que alguns deles até eram oferecidos. Foram gastos mais de 15 mil contos (mais de 75.000€), para que a “Ida a Lisboa” fosse um êxito. Só o aluguer de autocarros atingiu uma verba superior a doze mil contos (mais de 60.000€). Tinha-se conseguido angariar bastante dinheiro, mais de 10 mil contos (mais de 50.000€), mas não dava para pagar todas as despesas. Depois se veria como arranjar a verba significativa, que ainda estava em falta, mais de 5 mil contos (mais de 25.000€). A Comissão Promotora não queria ficar a dever dinheiro, fosse a quem fosse, pois era previsível que depois de Trofa ser Concelho seria muito difícil angariar fundos. 

Além dos trofenses inscritos para irem de autocarro, também iam muitas pessoas em viatura própria, de comboio e de moto. Já se previa que se iriam deslocar a Lisboa, mais de 10.000 trofenses. Por um lado era uma alegria, o que a Comissão Promotora sentia, por outro lado era um «sufoco», em virtude das alterações constantes das quantidades dos diversos tipos de materiais.

 As t’shirts, as bandeiras e os chapéus eram com fundo branco, mas com o símbolo do Concelho estampado a verde. O chapéu era em formato de barco, em homenagem aos 500 anos dos descobrimentos (a Expo98 tinha tido os descobrimentos como tema). Foi uma novidade, que deu muito que falar. Foram muitos os trofenses anónimos, que se dirigiram, principalmente à noite, para a Sede da Comissão Promotora, no Muro, e para a Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado, para ajudarem a colocar os paus nas bandeiras e a distribuir o material, para as restantes freguesias. Também se mandou imprimir pequenos cartazes, com os dizeres: «No dia 19 estamos encerrados. Vamos a Lisboa buscar o Concelho», para serem colocados nas montras dos estabelecimentos comerciais das oito freguesias, que viessem a aderir. E foram mesmo muitos! Tudo isto obrigou a Comissão Promotora a ter uma reunião com a GNR, a solicitar o reforço da vigilância nas oito freguesias, no dia 19 de novembro de 1998.

Na próxima Crónica narrarei os últimos preparativos para o dia da “Ida a Lisboa buscar o Concelho”.

José Maria Moreira da Silva

A liberdade é muito mais que uma simples escolha; ela alimenta os sonhos dos que não têm medo ou preguiça de sonhar. É a possibilidade de usar a razão, em concordância com o nosso pensamento.

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