Colour Family

por Alexandra Santos 0

         A Vila do Coronado está de parabéns. No dia 24 de julho de 1997, as freguesias S. Romão e S. Mamede do Coronado foram elevadas à categoria de vila. No seu 19º aniversário, a Junta de Freguesia, que agora é apenas uma, decidiu comemorar esta data com uma série de eventos realizados na Quinta de S. Romão. O ponto mais alto foi a Colour Family, na qual eu participei, no dia 23 de julho, por volta das 22h. Algo inédito aqui por esta terra, que juntou toda a população numa grande festa.

         Por volta das 21.30h, hora em que a caminhada estava prevista começar, a Quinta parecia um “mar” de pessoas vestidas de branco. A espuma que estava a ser lançada fazia as delícias das crianças e de alguns adultos que iniciaram o seu percurso já bastante molhados. Naquela noite bastante quente, ninguém estava preocupado com possíveis constipações ou gripes e o mote era, sem dúvida, a diversão.

         Por volta das 22h lá começamos nós a caminhada de 4km pelas ruas de S. Romão do Coronado atrás de um autocarro aberto (reconhecido ao longe por qualquer portista), cuja parte traseira reluzia e não deixava perder ninguém. Lá em cima um DJ colocava música dançável, bem reconhecida por todos. Música popular portuguesa e música brasileira foram os dois géneros mais ouvidos, que eram acompanhados por coreografias adequadas, incentivadas pelos jovens que iam no autocarro. Música atual, mas também alguma a rondar os trinta ou mais anos de idade, foi ouvida, correspondendo às recordações de várias gerações. Até a “Lambada”, que tanto dancei na minha infância, esteve presente.

         E todos muito juntinhos lá fomos, bem devagarinho (não podíamos ultrapassar o autocarro), a conversar, a cantar e a dançar as músicas tão conhecidas. Senti-me, por vezes, como se estivesse numa espécie de manifestação poderosa pela quantidade de pessoas que éramos a invadir as ruas, enquanto os condutores, nos seus carros, não tinham outro remédio senão parar e esperar que a enchente passasse.

         O pó colorido foi atirado aos caminhantes em três pontos estratégicos do percurso, bem como a água que era lançada pelos bombeiros. Todos sujos, mas coloridos e muito animados regressamos ao ponto de partida por volta das 00.30h, onde a música foi acompanhada por mais água, mais espuma e até fogo-de-artifício. O balanço foi considerado positivo por parte de todos, principalmente pelos muitos caminhantes que quando se foram embora levavam consigo um sorriso no rosto.

         Como foi grátis e não houve inscrição, não se consegue apurar com exatidão o número de participantes. No início falaram em dois mil, posteriormente em três mil. Eu, que participei, não o posso dizer, mas que a população aderiu em massa, isso ninguém o pode negar. Vi pessoas de S. Romão, de S. Mamede e até de outras freguesias do concelho.

         Apesar de considerar que poderíamos ter andado um pouco mais rápido (no fim de semana anterior participei numa caminhada de 8km que ocupou o mesmo tempo), compreendo que assim o tenha sido para que fosse de facto uma caminhada familiar, na qual até as crianças mais pequenas pudessem participar. Para além disso, possibilitou um maior convívio entre todos. No entanto, sou da opinião de que as ruas, no momento da caminhada, deveriam estar de facto cortadas por uma questão de segurança.

         Como Romanense, ao crescer, sempre tive a sensação (talvez errada) que existia uma divisão entre as pessoas de S. Romão e as pessoas de S. Mamede, separadas por uma espécie de rivalidade. As duas freguesias tornaram-se vila há 19 anos, mas foi apenas em 2013 que se juntaram numa única freguesia: Coronado. Iniciativas como esta são de facto importantes para unir as pessoas desta freguesia, para que se sintam de facto parte de uma única comunidade, capaz de mais e melhor, pois só a união faz a força.

Foto@O Notícias da Trofa

Alexandra Santos

Alexandra Santos nasceu em 1980, em S.Romão do Coronado, concelho da Trofa, onde ainda reside. Licenciou-se em Ensino de Português e Inglês pela Universidade do Minho em 2003, tendo trabalhado sempre, a partir daí, na área da educação. Devido ao gosto pela escrita, tornou-se igualmente escritora, sendo a autora do livro de poesia Palavras Sussurradas.

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