Transportes públicos… ocasionais! (a saga continua)

por Silvéria Miranda 0

Era uma vez uma terra chamada Trofa. Essa terra ficava muito bem localizada e nela era fácil apanhar um comboio para visitar o Porto, Braga ou Guimarães. No entanto, viajar entre dois pontos dentro da Trofa era tarefa árdua para quem não possuía viatura própria ou possuía, mas por algum motivo não a tinha à disposição.

Um dia destes, uma menina chamada Silvéria precisou de se deslocar de autocarro entre a zona da Gandra/Esprela e o Estádio do Trofense (um percurso pela estrada nacional, coisa fácil). Poucos quilómetros para uma jovem como a Silvéria, mas poucos que se tornavam em muitos quando se faziam sentir mais de 35 graus ao sol. A Silvéria procurou nas paragens os horários dos autocarros, mas nada. A Silvéria procurou qualquer sinal nas paragens dos autocarros ali da zona que pudesse indicar que empresas fazem o transporte de passageiros no percurso que precisava. Um telefone, um contacto qualquer… nada, mais uma vez. Habituada às lides cibernéticas, a Silvéria procurou por entre palavras chave alguma coisa que a salvasse. Lá encontrou um horário manhoso e decidiu aventurar-se.

Por sorte, lá apareceu um autocarro para a Silvéria viajar. Era um autocarro novo, com ar condicionado ligado e cintos de segurança. Não era o autocarro que a Silvéria tinha visto na internet, mas era o autocarro possível, e que possível por 1€! Nele, a Silvéria viajou sozinha com o motorista, algo ansioso por romper o silêncio constrangedor e aproveitar os poucos minutos de companhia. Mas a viagem terminou rapidamente e cada um seguiu o seu caminho…

Terminada a viagem, a Silvéria pôs-se no lugar daqueles que precisam frequentemente destes serviços e que não têm computador, acesso à internet, nem tão pouco sabem como se escrevem aqueles nomes estranhos (Trans-quê?!). Pessoas que não sabem procurar um número de telefone no seu smartphone. Pessoas da Trofa, mas não só, porque é um mal geral.

A Silvéria já se tinha apercebido disto antes, muito antes. Apercebeu-se a Silvéria e aperceberam-se os senhores lá da Câmara, que leram o que a Silvéria tinha escrito algures em fevereiro de 2014. Mas, compreende-se, tiradas as selfies impostas pelo protocolo sobra pouco tempo livre para representar os pobres coitados (salvo seja!) que precisam de um transporte público e melhorar uma rede já de si pobre. Que é pobre e continuará pobre, se o seu uso não for facilitado e incentivado. Bem vistas as coisas, o local de paragem está lá, devidamente assinalado. Paragem de quem, a que horas e com que preços já é pedir demasiado.

Posto isto, a Silvéria decidiu contactar as empresas que asseguram (?!) o transporte de passageiros neste e noutros trajetos trofenses, sem qualquer tipo de esperança que a situação se altere, alertando-os para o facto de que também queremos ir ao cemitério, ao supermercado, ao centro de saúde e que não somos todos meninos da escola que só viajamos durante o período escolar. Já que o autocarro viaja com uma passageiro ou até só com o motorista, vamos lá parar para pensar, não seria mais vantajoso/rentável se viajasse com várias pessoas? (não, não me responderam, se é o que se estão a perguntar)

Posto isto a Silvéria lembrou-se até do programa eleitoral da coligação CDS-PSD Trofa nas autárquicas 2013 (a memória desta Silvéria é uma coisa…), coligação que por acaso até ganhou essas eleições, em que dizia*:

“Fazer levantamento, através de estudo especializada, da possibilidade de criar uma mini-rede interna de transporte público passageiros tendo como ponto de partida as estações de caminho de ferro e apeadeiros existentes.”

E aqui a Silvéria não teve dúvidas quanto à palavra chave: possibilidade!

 

* O site já não está ativo, mas vocês acreditam em mim, não acreditam? Sou menina para ter cópias das coisas!

Silvéria Miranda

Sempre tive como velha máxima que os factos são sagrados e as opiniões livres. Foi com essa premissa que criámos este espaço e é por ela que me rejo em cada palavra que aqui escrevo. Sem qualquer interesse que não o de ajudar a construir uma Trofa melhor, mais justa e apelativa, digo orgulhosamente que sou tanto da Trofa como a Trofa é minha!

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