Sobre o Be Live 2016

por João Mendes 0

E edição deste ano do Be Live foi, na minha opinião, um enorme sucesso. O cartaz mostrou-se bastante atractivo para a esmagadora maioria dos jovens e menos jovens que se deslocaram ao recinto, a oferta de outras actividades foi diversa e integrou associações e outras entidades locais, a divulgação foi atempada e bem estruturada, um acordo com a CP aproximou os jovens do Coronado e de outros concelhos do recinto do evento, a maioria dos bares locais marcou presença e contribuiu para o sucesso do Be Live, muitas associações tiveram a oportunidade de comunicar com a população, apresentando as suas actividades e ideias e, last but not least, os artistas locais que se apresentaram perante os seus conterrâneos estiveram no mínimo ao nível dos cabeças-de-cartaz, e aqui destaco a parceria entre os Meninos Cantores e os Cão Voador. Um espectáculo que deve ser repetido. O balanço é obviamente muito positivo e, uma vez mais, está de parabéns a equipa que tornou tudo possível, dos voluntários ao funcionários da autarquia, a quem endereço sinceras felicitações e agradecimentos na pessoa do vereador Renato Pinto Ribeiro.

Não obstante, entendo que existem algumas melhorias que podem ser implementadas e que endereçarei, após publicar estas linhas, ao responsável máximo pela organização do evento, Renato Pinto Ribeiro, através do seu email oficial da autarquia. Partilho-as também convosco:

  1. Transportes: sobre esta matéria não irei alongar-me, uma vez que sobre ela tenho escrito desde Setembro de 2013, altura em que o actual poder era oposição e Joana Lima a autarca. Para que não restem dúvidas, deixo os links para os textos de 20142015 e 2016. A minha posição foi sempre a mesma, independentemente de quem estava no poder e das manipulações baratas nas quais alguns se refugiam. Não deixarei de lutar por condições de igualdade de acesso a este evento para todos os jovens do concelho. Todos.
  2. Projectos locais: outra luta que já vem dos primórdios do …e a Trofa é minha. Em 2013 e 2014 protestamos contra a falta de divulgação e remuneração dos artistas locais e fomos atacados pelos suspeitos do costume. Desde então, todos os artistas, associações e entidades locais que participam no Be Live são mencionados no cartaz e noutros meios de comunicação usados pela organização e os artistas remunerados pelo seu trabalho e não pelo “privilégio” de usarem o mesmo palco que os cabeças-de-cartaz como se podia ler em comentários da própria Câmara Municipal da Trofa no Facebook, publicação que foi entretanto apagada. Apesar dos grandes avanços registados no ano anterior, o número de bandas/artistas locais a fazer a primeira-parte dos cabeças-de-cartaz foi reduzido de três para dois, isto apesar das grandes prestações dos nossos artistas, em 2014 e 2015 como em 2016. Há espaço para mais prata da casa como há espaço para DJs locais (aqui não me posso alongar na medida em que não sei se foram os bares ou a autarquia a pagar pelos DJs deste ano. Se foi a autarquia, era importante que alguém lhes dissesse que temos cá artistas capaz de, como se diz na gíria, meter a Isabel Figueiras no bolso pequenino). 
  3. Área vip: ter uma área vip num evento desta natureza parece-me desnecessário, por muitos egos que alimente, mas não me oponho a ela. Oponho-me, isso sim, a que a mesma seja colocada no local onde foi instalada, na medida em que reduz substancialmente o espaço destinado aos comuns mortais, dificultando o trânsito na plateia/zona dos bares e cortando a visibilidade do lado direito do palco. Em alternativa, esta estrutura podia ser colocada na lateral esquerda, encostada ao limite do recinto.
  4. Segurança: não estou por dentro do plano de segurança do evento, pelo que não o irei comentar. Mas colocar uma área vip daquelas dimensões no meio da plateia pode ser um obstáculo preocupante perante a necessidade de evacuar o recinto, sendo que os mais prejudicados seriam sempre aqueles que estavam no interior da área vip.
  5. Espaço do recinto: a elevada afluência ao recinto e a dificuldade de circular durante os concertos dos cabeças-de-cartaz que se notou este ano, agravada pelo posicionamento da área vip, parece-me indicar que o sucesso desta iniciativa já não cabe naquele espaço. Estou certo que a organização não será alheia a tal facto pelo que antevejo um alargamento do espaço para a edição de 2017 ou, em alternativa, uma reconfiguração do recinto que o torne mais circulável.

São cinco sugestões que me parecem executáveis e coerentes. Pontos de melhoria para um evento de excelência que representa um salto gigante sem precedentes na oferta cultural direccionada para os mais novos. De resto convido todos os nossos leitores a visitar a galeria de fotos disponível no Facebook da Câmara Municipal da Trofa, do Manuel Veloso e do Diogo André Costa, entre outros artistas da fotografia da nossa terra. Voltamos à conversa dentro de um ano, com as Autárquicas à porta e o habitual pano para mangas.

Foto de capa: Manuel Veloso/Clicks do Veloso - Foto divulgação

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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