Escondidos atrás do computador

por João Mendes 0

Um dos argumentos mais frequentes do exército do contra, seja o tema um problema na via pública ou um negócio pouco transparente do executivo camarário, é que nós, aqui no …e a Trofa é minha, pelo menos aqueles que comentam a actualidade política do concelho, estamos escondidos atrás de um computador. Como se isso fosse um problema, ainda que fosse verdade, que não é, como ser corrupto ou traficante de influências. Para estas pessoas, a intervenção dos cidadãos está limitada a quem apoia os seus líderes ou estruturas partidárias, mesmo quando estas lançam boatos ou insultam quem quer que seja. Não admira que alguns se auto-intitulem elites e que nutram tanta admiração por Salazar.

Porém, azar o deles, viver em democracia garante a todos, elite e plebe, o mesmo direito a comentar, opinar e debater qualquer assunto que diga respeito à condução dos destinos do nosso concelho, em casa, no café ou nas redes sociais. Claro que, na maior plataforma de debate do mundo, participar implica estar atrás de um computador, de um tablet ou de um smartphone. Pelo menos por enquanto. Significa isto que estas pessoas estão escondidas? Claro que não. Escondidos estão os cobardes que criam perfis falsos no Facebook e que se dedicam ao panfletismo anónimo. Escondidos, baixos, cobardes e reles. E muitos destes indivíduos sabem muito bem do que é que eu estou a falar.

Contudo, para além da absoluta palermice que é a acusação de se estar escondido por trás do computador, aquilo que me intriga é onde querem estas pessoas chegar com tais acusações. Escondidos de quê? Será que quem escreve tem que se esconder para não se habilitar a levar uns acoites dos fascistas com pele de cordeiro que por aí andam a abanar bandeiras democráticas? É que a julgar pelo historial recente do nosso concelho, anda por aí muito boa gente que gosta muito de mandar aparato, exibicionistas sociais, devotos cristãos quando vestem a melhor roupa para a missa do Domingo, mas depois vai-se a ver e Cristo até leva as mãos à cabeça com o maquiavelismo de algumas das suas aparentemente mais castas ovelhas.

A parte irónica de tudo isto é que muitas destas pessoas, que usam este argumento patético, estão elas próprias, para usar as suas palavras, escondidas atrás do computador a acusar outros de o fazer. Outros que têm uma vida normal, que trabalham, vão ao café, vão a festas, vão à missa, vão onde lhes apetecer, e no final do dia fazem aquilo que lhes apetece dentro dos limites normais da participação cívica. E se calhar apetece-lhes lutar por aquilo que acreditam. Claro que, se não acreditarem no mesmo que o esquadrão do contra, estão escondidos por trás do computador. Chega a dar pena.

No entanto, e porque respeito todas as opiniões fundamentadas, independentemente de irem ou não ao encontro daquilo em que acredito – não confundir com ataques sectários movidos a ódio daqueles que criticam e atacam porque sim, típico do esquadrão do contra – deixo aqui um desafio a todos aqueles que, ao invés de procurar debater os temas que aqui vão sendo lançados, se limitam a ser contra “porque sim” e que me acusam, a mim e a outros membros da equipa do …e a Trofa é minha, de estarmos escondidos atrás de um computador: escolham o tema, escolham um local (de preferência público, o historial de emboscadas e pancadaria política nesta terra a isso obriga), tragam uma equipa, uma claque e um camião, e vamos debater a Trofa, olhos nos olhos, com dados concretos ao invés de especulações e boatos infantis. Por mim pode ser em frente das objectivas da TrofaTV/O Notícias da Trofa e do Correio da Trofa. Nesse dia veremos quem fica escondido atrás do computador e quem dá a cara pela Trofa.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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