BeLive: Falta de ambição ou fim de linha?!

por João Pedro Costa 0

Numa Trofa onde a juventude passa 361 dias com muito pouco a ser-lhes dedicado, surgem os 4 dias do “BeLive” como o momento em que são convidados a ficar e a ter pretexto para atrair os seus amigos de outros locais. Por estes dias, pôde a Trofa ombrear com os concelhos vizinhos!
O modelo atual desta Festa da Juventude nasceu há 3 anos e, justiça seja feita, correspondeu a uma visão do vereador que tutela a juventude, Renato Pinto Ribeiro, que introduziu o conceito “BeLive”. Do nada a alguma coisa residiu o seu sucesso, já que o anterior executivo muito pouco fez pelos mais jovens, tendo mesmo acabado com o “Trof@posta jovem” que tanto furor fez até 2009 e que nunca se percebeu muito bem o porquê de ter acabado, apesar de terem sido alegados motivos financeiros.
O cenário alterou-se, e alguns constrangimentos que assolaram o anterior executivo foram ultrapassados, graças à intervenção do Estado central (na parte final do mandato de Joana Lima), através do PAEL (Programa de Apoio à Economia Local, lei 43/2012 de 31 de agosto), ou seja, um empréstimo a longo prazo, que equilibrou as contas da autarquia em termos de tesouraria, e consequentemente em termos operacionais, pela imposição do que já conhecemos – impostos para os trofenses no máximo!
Com dinheiro fresco para investir (muitas vezes gastar), assim tem sido caracterizado o mandato do atual executivo, e se em 2014, na 1ª Edição do BeLive, era de se lhe tirar o chapéu pelo arranque fulminante, a verdade é que, desde então e até agora não foram introduzidas melhorias significativas.


O BeLive assume-se como uma festa urbana e centralista, sempre em Bougado (S. Martinho), na zona da nova estação ferroviária, mesmo sabendo-se que este tipo de eventos admite outros cenários e, porque não, a hipótese de percorrer outras freguesias do concelho. Não me parece descabido ver esta festa no Coronado ou em Guidões, por exemplo, afinal, o motor do evento são os cabeças de cartaz, que absorvem a grande parte do orçamento do evento, aliado a que a juventude movimenta-se de forma natural. Cumprir-se-ia, assim, um dos desígnios que levou à constituição do concelho da Trofa - a descentralização.
A falta de transportes públicos, que há muito vem sendo revindicada pelos jovens, para que os das zonas periféricas ao evento, atualmente, Coronado, Muro, Covelas, Guidões e Alvarelhos e até mesmo Bougado (S. Tiago) se deslocassem em segurança para o recinto, e especialmente no final, no regresso a casa, continua a não merecer a prioridade de quem decide, vá-se lá saber porquê. Esta seria, a meu ver, uma obrigação camarária, tão pertinente como o transporte dos mais idosos do concelho às praias ou à piscina, embora que aí com as segundas intenções da “caça ao voto” – os mais novos, ou não têm idade para votar, ou andam arredados de disputar os seus direitos, cabendo-lhes, por isso, andar a pé ou apanhar uma boleia! A segurança fica assim posta em causa, pois a presença de bares no recinto induz naturalmente ao consumo de álcool, o que é normal, ficando apenas por cumprir o serviço público!    
A inexistência de internet grátis acessível (wireless) a todos os que se deslocam ao espaço do BeLive revela ainda a incapacidade de negociação com uma operadora de comunicação e hipoteca uma série de iniciativas que faziam sentido existirem - por exemplo, a realização de uma “mega Lan-Party” ou então, estão ai os “Pokémons” para quem quiser inovar! Numa altura em que as operadoras apostam em grandes eventos como o “NOS Alive” ou o “MEO Marés Vivas”, enquanto patrocinadoras, é de estranhar que, na Trofa, tão pouco o sinal chegue ao espaço do evento - assim acontece há 3 anos! Por esta e por outras, apenas meia dúzia de representações associativas, estando o seu lugar natural a ser ocupado por empresas! Vem, assim, ao de cima o distanciamento entre o executivo e as associações, em reflexo das políticas que têm sido empreendidas.
Mas, a grande surpresa deste ano, com enormes reparos dos participantes, vem das restrições no espaço interior, com a colocação de uma bancada VIP, a meu ver, desnecessária numa festa de jovens e para jovens, que funcionou como parede, limitando o número de pessoas a verem a zona do palco! Um evento que tem tudo para se desenvolver em espaço aberto, com o palco virado para uma zona livre, como aliás aconteceu na Expotrofa. Ficou assim abafado entre a estação ferroviária e o palco, perante o privilégio de alguns VIP´s, um péssimo exemplo para os mais novos, ficando difícil de perceber se foram imposições técnicas ou o vincar de alguma matriz ideológica.


O programa, no que concerne aos cabeça de cartaz escolhidos para este ano, levaram a duas grandes enchentes do BeLive - “Agir”, na abertura e “Diogo Piçarra”, na noite de sábado, não tendo tido a mesma sorte na adesão de público os “Átoa”, na sexta-feira, e “Boy Teddy”, no domingo - mas a presença da “prata da casa”- as bandas trofenses “Cão Voador” e “The Cover Van” fizeram “ganhar o dia” à organização, porque estiveram simplesmente “Top”. Aliás, já as edições anteriores tinham demonstrado que vale a pena apostar em malta da terra, porque a qualidade impera e arrastam gente, já para não falar do “cachê” que representa uma ínfima parte dos grandes nomes nacionais.
Em todo o caso, um balanço positivo do BeLive, estando por isso de parabéns todos os envolvidos, desde a organização, às bandas, bares, expositores, associações, empresas e público que teve um comportamento exemplar.
Para o futuro pede-se inovação, a Trofa e os trofenses merecem bem mais do que isto, e um evento recente, com gastos bem razoáveis, está já com um aspeto antiquado, já que nada muda desde a primeira edição - haja imaginação!

 

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