Éder e todos os outros…

por Luís Cardoso 0

"E todos criticaram o Éder...”, palavras ontem ditas ou escritas repetidamente.


“Todos”, ponto e vírgula.


Meu queridos amigos...


O futebol tem que ser olhado como uma ciência da qual a maioria das pessoas pouco ou nada percebe, sem que seja hipotecada a possibilidade de o viver intensamente.


Eu sei, todos vão dizer que é essa capacidade de poder opinar sobre o fenómeno que o torna tão popular, mas olhem que não.


Mas é apenas uma questão de educação e cultura que se pode transformar para algo melhor e mais evoluído.


O desporto pode ser popular como exemplarmente o fazem em outros países e não ser aproveitado apenas para momentos de crítica fácil ou euforias orgásmicas descontroladas.


O futebol é festa, alegria e convívio e a origem do jogo explica-nos isso mesmo quando as populações de duas aldeias se encontravam em momentos de festividade e jogavam sem grandes regras onde o único objetivo era levar uma bola de uma aldeia até à outra, por vezes separadas entre si por largos quilómetros.


O bom senso e a sobriedade são características que admiro mas que não vemos refletidas nas nossas ações diárias muito por culpa de um ADN impulsivo e pouco tolerante.


Mas que dizer quando a cultura latina, de sangue potente na veia e coração junto à boca, faz das pessoas seres humanos capazes de esfolar, ao som de assobios e insultos, quando perdes ou atirar-te ao ar, rodeado de ruidosos vivas, quando ganhas.

É importante conhecer o ser humano.


Ele pode-nos magoar se estivermos distraídos.


Mas ontem o Éder, denominado de patinho feio, fez o povo gritar, chorar e amá-lo por eternos segundos como se de um irmão de sangue se trata-se.

É também algo que nos distingue perante muitos povos, somos uns constantes sofredores, mas eternamente guerreiros, um triste fado vivido normalmente com rasgados sorrisos e celestiais alegrias no final de todas as batalhas.


De futuro, festejemos o jogo, gritemos pelos nossos, choremos com as suas conquistas e partilharemos o sofrimento do objetivo não alcançado mas olhemos sempre para quem dirigi e orienta, assim como para quem joga e nos faz arrepiar, com uma admiração e um olhar de quem se encontra com paixão perante seres humanos capazes de falhar mas também capazes de histórias únicas que perpetuarão na memória de todos enquanto vivos e na história de Portugal e dos Portugueses para todo o sempre.


Obrigado Éder pela lição... e obrigado a todos da nossa selecção.

Luís Cardoso

Mais que a saudade das lembranças, cultivo o prazer de viver no limite de minhas possibilidades de liberdade e fé. Com base em valores de verdade e justiça associo minha honestidade e simplicidade intelectual à paixão por uma Trofa que por herança de gerações de família também é minha e que desejo deixar melhor para todos os que por paixão continuam achar valer a pena por cá permanecer. Bem hajam.

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