14º - “Aqui Nasce o Concelho da Trofa” e a concentração de 17 de março de 1998

por José Maria Moreira da Silva 0

Motivado pelo prazo da entrega de Projetos de Lei, para a criação de novos municípios, que terminava a 27 de fevereiro de 1998, a Comissão Promotora decidira a colocação, no dia 28 de fevereiro de 1998 (o dia seguinte, um sábado), nas estradas nacionais 14 e 104 e nas estradas secundárias, cartazes de grande dimensão, com os dizeres: “Aqui Nasce o Concelho da Trofa”, em todas as entradas do futuro Concelho, pois a Comissão Promotora tinha a certeza da entrega na A. R. de Projetos de Lei para a criação do Concelho da Trofa. Os cartazes foram colocados, em ambiente festivo, em cada freguesia pelo respetivo Presidente da Junta de Freguesia, acompanhado por elementos da Comissão Promotora. Assim foi efetuado, só que na segunda-feira seguinte os cartazes tinham desaparecido, tendo as Juntas de Freguesias apresentado queixa, contra indivíduos ou entidades desconhecidas, mas o processo foi mandado arquivar, mas entretanto Trofa estava quase a ser elevada a Concelho.

Dois dias antes da criação do Concelho de Vizela, a Comissão Promotora quis «sentir» a vontade dos trofenses, em relação à luta pela criação do Concelho da Trofa, e organizou no Parque de Nossa Senhora das Dores, uma grandiosa concentração, com a presença de deputados da Nação e da comunicação social (jornais, rádios e televisões) locais e nacionais. Foi no dia 17 de março de 1998, um dia de trabalho (terça-feira), às 17 horas, também à hora de trabalho, que milhares de trofenses das oito freguesias se concentraram a dizer bem alto: «Viva o Concelho da Trofa». A marcação da concentração num dia de trabalho e à hora do trabalho foi para a Comissão Promotora «medir» a sua ligação ao povo trofense, mas também para «sentir» a sensibilidade dos empresários à causa, para poderem vir a encerrar as suas empresas, no dia em que fosse discutido na Assembleia da República a criação do Concelho dispensar os colaboradores que quisessem ir a Lisboa. A adesão foi um êxito e a comunicação social deu um grande destaque a mais esta iniciativa.

O “Jornal de Notícias escreveu sobre a grandiosa concentração e podia-se ler: «Não é um lugar-comum, mas ontem a sua população preparou uma manifestação vulgarizada pelas palavras de ordem e pela música. As gentes da Trofa – o mesmo significa dizer os habitantes das oito freguesias do Município de Santo Tirso, querem passar a Concelho, para melhor gerir os seus dinheiros públicos». O Jornal “Voz da Trofa” afirmava: «As gentes do novo Concelho da Trofa, com os respetivos autarcas à cabeça, deram a cara apelando publicamente à sua criação». O Jornal “O Comércio do Porto” escrevia: «Os trofenses saíram à rua em luta, pela elevação da Trofa a Concelho. Pelo palanque passaram individualidades dos vários quadrantes políticos, à exceção do PS. De resto, só falta a voz socialista (oficial), para que se desenhe este novo Concelho, satisfazendo assim uma reivindicação que já vem de longe». Já o Jornal “O Primeiro de Janeiro” escrevia: «Os mais de três mil trofenses exigiram que o Projeto-Lei sobre a sua emancipação seja discutido em simultâneo com o de Vizela». No “Diário de Notícias” a concentração também mereceu as seguintes palavras: «Acabou-se a paciência beneditina. Os trofenses pretendem a separação do Concelho de Santo Tirso e, para isso, deram corpo a uma manifestação que coloriu o Parque de Nossa Senhora das Dores». Também o Jornal “Público” esteve presente e escreveu: «Também a Trofa quer ser Concelho e ontem veio à rua dizê-lo. Eram milhares de pessoas, jovens, na sua maioria, a que se juntavam as chamadas forças vivas do local, os bombeiros, os escuteiros, os atletas do clube da terra, alguns deputados e os elementos da Comissão Promotora do Concelho da Trofa. Esta é uma via de sentido único, disse Pedro Costa, a quem coube a tarefa de elogiar os grupos parlamentares do PSD, do PCP e do CDS-PP, pelo apoio dado às pretensões do movimento. Sobre o PS nada. Apenas uma vaga referência aos “Velhos do Restelo”. Entretanto, nem todos os discursos afinaram pelo mesmo diapasão. José Maria Moreira da Silva levou o seu tão a peito que não resistiu a comparar a formação do Concelho às dores de um parto. Afirmou alto e bom som ser desejo dos trofenses que o “nascimento” do Concelho, que está por meses, seja de parto natural. Mas se for preciso utilizar o bisturi e fazer uma cesariana, também se faz».    

Na próxima Crónica será dado a conhecer a Petição a que suportou legalmente a criação do Concelho.

José Maria Moreira da Silva

A liberdade é muito mais que uma simples escolha; ela alimenta os sonhos dos que não têm medo ou preguiça de sonhar. É a possibilidade de usar a razão, em concordância com o nosso pensamento.

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