Com o rabinho entre as pernas

por João Mendes 0

Sérgio Humberto, o autarca que ofereceu de bandeja um ajuste directo aos antigos proprietários do Correio da Trofa (CT) no valor de aproximadamente 24 mil euros para sabe-se lá o quê, foi constituído arguido em Setembro de 2015 na sequência de um processo judicial movido pelos proprietários deste jornal. Em causa estavam acusações, propagadas até à exaustão pelo autarca e por diversos elementos do seu partido, que referiam que O Notícias da Trofa (NT) havia recebido cerca de meio milhão de euros do anterior executivo. O tal que o autarca acusou, por mais do que uma vez, de ser um aglomerado de mentiras. Com a excepção da data, claro.

O caso seguiu para tribunal e, aí, o discurso populista e demagogo que caracteriza Sérgio Humberto na sua cruzada contra o NT mudou radicalmente. Depois das célebres declarações de Fevereiro de 2015, quando Sérgio Humberto, categórico, afirmava que “Também a população da Trofa não é enganada por jornais locais que a única verdade que lá vem é a data. Se fosse hoje, era 27 de Fevereiro de 2015. É a única verdade que lá está”, o autarca lá meteu o rabinho entre as pernas e afirmou que “não pretendeu pôr em causa a credibilidade, o prestígio ou a confiança” deste jornal, que é basicamente aquilo que tem feito em sucessivas ocasiões, nomeadamente em sede de Assembleia Municipal. Uma pena que a propaganda eleitoralista não tenha espaço nos tribunais.

Mas isto fica melhor. Depois de tantas vezes ter referido que o NT recebeu cerca de meio milhão de euros do anterior executivo, Sérgio Humberto emendou a mão e lá reconheceu que os montantes haviam sido inferiores. Portanto o mesmo Sérgio Humberto que acusa este jornal de mentir, recorreu à mentira para fazer precisamente aquilo que defendeu não ser sua intenção: pôr em causa a credibilidade, o prestígio e a confiança do NT. E note o caro leitor que se trata de uma mentira deliberada, uma vez que, pelo cargo que ocupa, Sérgio Humberto tem acesso directo e detalhado às contas do município.

Segundo o que aqui foi publicado na edição da passada semana, Sérgio Humberto terá afirmado em tribunal que “com as declarações em causa nos autos pretendeu expressar crítica aos montantes gastos pelo anterior executivo em publicidade e afins e admite que os valores em questão sejam inferiores a meio milhão de euros, sendo certo que os valores de que tem conhecimento não são exatos”. Irónico e de uma gritante má-fé. Irónico porque, em meio mandato, o executivo que lidera já gastou mais de 300 mil euros em publicidade, sendo que parte desses custos dizem respeito ao embargado Parque das Azenhas e muitos deles foram adjudicados a entidades próximas das pessoas no poder. Importa referir que, ao contrário dos valores que o presidente da CM da Trofa atira para o ar no êxtase da propaganda, o valor que refiro está disponível na plataforma Base para quem quiser ver. Má-fé porque, no calor da sua luta pelo poder, usou este jornal como arma de arremesso contra o suposto despesismo do anterior executivo. Para agora fazer igual ou pior.  

Aguarda-se um pedido de desculpas, o que a julgar pelo histórico, nomeadamente a ocasião em que boicotou o trabalho dos profissionais deste jornal no estranho caso da apresentação pública do metro no Muro, não deverá acontecer. Certas coisas requerem humildade e elevação. Ou, como referiu em tempos a presidente da Assembleia Municipal em artigo publicado no CT, “maturidade democrática. Não é para qualquer um.

Foto@O Notícias da Trofa

(texto originalmente publicado no jornal O Notícias da Trofa a 17 de Junho de 2016)

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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