Uma alternativa para a Trofa

por João Mendes 0

É claro que houve trabalho da parte deste executivo. Trabalho bem feito. Mas diga-me, caro leitor, não é para isso que lhes pagamos? Tal como acontece com qualquer um de nós: trabalhamos e em troca somos remunerados. Simples, certo?

Partindo do princípio acima, pouco de relevante a apontar. Resolveram-se alguns problemas, agravaram-se outros tantos, nada de novo. Quando penso, então, do ponto de vista de um eleitor que tem que decidir em quem votar, outros factores entram na equação. E o respeito pelos pilares da vida em democracia tem para mim uma importância suprema. O motivo pelo que não voltarei a dar o meu voto a Sérgio Humberto prende-se precisamente com dois aspectos basilares em democracia: transparência e liberdade de imprensa. Aceito quem pense diferente de mim mas eu não quero ser governado por alguém que insultou e abriu uma guerra contra um jornal e respectivos trabalhadores por motivos estritamente estratégicos, que promoveu a sua imagem utilizando para isso recursos públicos, propriedade de todos e não de Sérgio Humberto, e que coleccionou ajustes directos que levantam dúvidas, alguns deles altamente suspeitos, um deles uma absoluta vergonha e um insulto a todos os trofenses. Parece-me um motivo válido.

Posto isto, e conhecendo a oleada máquina de comunicação do PSD Trofa, endinheirada e fortíssima em período eleitoral, acredito que a revalidação da coligação com o CDS lhes permitirá manter o poder. Apesar de algum distanciamento que se vem verificando entre as casas-mãe, é expectável que PSD e CDS-PP não criem entraves à manutenção da coligação criada em 2013. O PS, que tem vindo a perder eleitorado nos últimos anos, não parece ter a força necessária para se opor à coligação. Contudo, uma aliança entre PS, PCP E BE tem hipóteses de derrotar a coligação. Pelo menos a julgar pelos resultados das últimas Autárquicas, quando os votos do PCP, somados aos do PS, teriam chegado para derrotar a coligação Unidos pela Trofa. Afinal de contas, não foi precisamente isso que o PSD fez ao aliar-se ao CDS em 2013? De outra forma, o PS teria vencido, de forma confortável, o último escrutínio local.

Claro que tal solução exige compromisso, e um compromisso a três é um grande desafio. Mas se foi possível que as direcções nacionais dos três partidos chegassem a acordo para legitimar o governo, acordo esse que não tem dado sinais de ruptura, apesar das diferenças que os separam, repetir a fórmula na Trofa não será assim tão difícil. Parece-me a única alternativa para derrotar o "humbertismo". Apelo, portanto, às senhoras e senhores que dirigem os partidos de esquerda na Trofa para que procurem, enquanto há tempo, um entendimento que permita colocar um ponto final no reinado do actual autarca. Um ponto final nas mentiras, na perseguição à imprensa local e às associações não-alinhadas, nos ajustes directos opacos e nesse "orgulho trofense" tendencioso e de ocasião. A Democracia agradece.

Foto: Aventar

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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