One small step for men, one giant leap for mankind

por João Mendes 0

Sim, eu sei que é um exagero citar Neil Armstrong. Mas não consigo esconder a enorme satisfação que foi ver ser dado mais um passo em direcção à extinção desta prática inútil, retrógrada e profundamente massacrante que é a utilização de camiões em campanhas políticas! Melhor: cancelar a utilização deste meio de propaganda política sem conteúdo, que não é mais do que um símbolo de ostentação de partidos que têm dinheiro a mais para derreter em inutilidades destas, para reutilizar o dinheiro numa festa onde inúmeros jovens artistas da Trofa irão actuar e ver o seu trabalho recompensado é épico! Nem a Semana da Juventude teve actuações de tantos artistas da Trofa.

Para que serve um camião com música aos berros a circular pelas nossas ruas a 20km/h??? Para nada. Gera poluição sonora, contribui para o engarrafamento da via pública e não transmite mensagem alguma. Mas quem o usa sabe que está a explorar as limitações cognitivas daqueles que confundem a exibição de recursos financeiros com capacidade governativa e isso, infelizmente, ainda funciona muito bem, não apenas na Trofa mas em todo o país. Acredito que no futuro os meus netos vão olhar para trás e gozar com este tipo de práticas e dizer “Já viste como eles eram limitados a fazer política no tempo do avô?”. Pois é netinhos, foi por estas e por outras que o avô ficou sem reforma. E andava o avô a trabalhar e a pagar impostos para que outros andassem a derreter dinheiro em coisas superficiais.

Ler aquele comunicado da coligação foi música para os meus ouvidos. Literalmente. Foi uma manobra política? Com certeza! Mas digam-me então uma acção que por estes dias venha dos partidos em disputa pela CMT que não seja uma acção politica e depois falamos. Inauguração do Parque das Azenhas? Repavimentação de parte da N14 durante as festas da Senhora das Dores? Elevadores da Barca? A diferença é que as 3 “obras” mencionadas não foram feitas pela candidatura do PS mas antes pela CMT, controlada pelo PS, e em cima das eleições. Podem-me dizer que o Em Forma com Determinação foi um bom investimento de fundos de campanha e eu, tal como referi na altura, continuo a achar que prefiro “como eleitor ver uma aula de fitness do que mais lixo na rua e autocarros a debitar lixo…” porque a minha opinião e as minhas convicções não andam ao sabor do vento nem respondem a clientelas. Agora entre o massacre inútil do camião e um concerto com mais de 20 artistas trofenses acho que não é preciso pensar muito.

Mas o que me parece mais importante no meio disto tudo não é o fim do camião nem o concerto. Foi a capacidade dos responsáveis da coligação de ouvirem a voz das pessoas que protestaram contra este tipo de campanha vazia. No dia em que o camião saiu pela primeira vez à rua, muitos protestos se fizeram sentir nas redes sociais. A coligação Unidos pela Trofa soube interpretar estes sinais e, com camião já alugado ou não, teve a sensatez de voltar atrás e repensar a sua estratégia.

Apesar das diferenças ideológicas que me separam de muitas das posições e acções da direita trofense, que nunca escondi e pelas quais sempre dei a cara, ao contrário de outros, tiro o meu chapéu como nunca lhes tirei. Pode ser algo pequeno, mas para mim foi um grande passo em direcção a uma nova forma de fazer política, que depende tanto deles como da nossa capacidade de nos fazermos ouvir. Mas foi acima de tudo um sinal claro que nós, cidadãos comuns, temos uma palavra a dizer se assim o quisermos e se lutarmos por ela. Se a coligação Unidos pela Trofa vencer estas eleições, estarei cá para cobrar e relembrá-los que não é só em tempo de campanha que o poder político tem obrigação de nos ouvir.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.