10º - O papel da comunicação social antes da Comissão Promotora existir

por José Maria Moreira da Silva 0

A luta dos trofenses pela sua emancipação e o descontentamento das populações, que viram alteradas as suas relações ancestrais com o poder municipal eram refletidas nos escritos dos jornais, ao longo dos tempos. Já na segunda década do século XX, mais precisamente em 3 de julho de 1927 nasceu o Jornal “O Trofense”. No Editorial do primeiro número, o seu diretor, um jovem de 20 anos, de seu nome, Joaquim de Costa Azevedo, já escrevia: «Trofenses é chegado o momento oportuno de trabalharmos em prol da nossa independência e é, crentes do vosso bairrismo, que vamos lutar a favor da liberdade». E no número 5, o diretor termina assim o seu Editorial: «Pugnemos. Trofenses e habitantes de terras circunvizinhas; pugnemos pelo Concelho da Trofa, tendo a certeza que venceremos».

Teve pouco tempo de duração, pois a Administração do Concelho de Santo Tirso, dentro dos seus poderes determinou a suspensão do Jornal “O Trofense”, em meados de 1927. Mas praticamente com a mesma equipa veio a público, em 23 de outubro de 1927, um novo Jornal “Ecos da Trofa”, com Redação e Administração localizadas em Ribeirão, Vila Nova de Famalicão. A luta manteve-se, agora mais livres, pois o jornal deixara de estar debaixo da alçada da Administração de Santo Tirso.

Em 1928, com 15 números editados, reapareceu o Jornal “O Trofense”, também com a Redação e a Administração sediadas em Ribeirão e, desapareceu naturalmente o “Ecos da Trofa”. O Jornal “O Trofense” já podia, livremente, continuar a luta pela criação do Concelho da Trofa, e assim o fez até julho de 1935, altura em que o seu Fundador e Diretor decidiu iniciar uma nova vida em Angola.

Só passado meio século, já depois do 25 de abril de 1974 é que apareceu a «era das televisões piratas». A primeira foi a Trofa TV, onde se destacaram entre outros: Costa Ferreira (que fez parte desde a primeira hora da Comissão Promotora do Concelho da Trofa, sendo o seu 1º Secretário), Cunha da Silva, Joaquim Oliveira, José Luís, Manuel Reis, Paula Cunha, Ramiro Padrão, Rui Cunha. Depois a TIT (Televisão Independente da Trofa), onde se destacaram Victor Augusto e Luís Elias. Estas duas televisões piratas foram de curta duração.

Por fim surgiu a TDM (Televisão de Entre-Douro-e-Minho), já com nova tecnologia, que permitia aos trofenses verem a «sua» televisão, duas a três horas por dia, assistindo filmes, a entrevistas de rua ou em estúdio; transmissão de jogos de futebol realizados no Estádio do C. D. Trofense.

Nesta televisão, a TDM, destacaram-se, entre outros: Armando Martins (membro desde a primeira hora da Comissão Promotora do Concelho da Trofa), o já citado Costa Ferreira, também membro desde a primeira hora da Comissão Promotora e Américo Toga. Todas as televisões tiveram um encerramento prematuro.

Em 1989, mais precisamente no dia 1 de dezembro, surgiu um mensário regionalista de informação e cultura, tendo como Editor David Jorge Pereira e como Diretor Álvaro Jorge Soares Pereira. No seu primeiro número é publicado o Projeto de Estatuto da já \mencionada Associação Pró-Concelho da Trofa. Também teve pouca duração.

Na próxima Crónica narrarei a ajuda da comunicação social à Comissão Promotora do Concelho da Trofa e o autor do símbolo da bandeira da Comissão Promotora, que depois foi adotado para símbolo do Município da Trofa, e que tinha sido prometido ser neste episódio, mas vai ter de ser só no próximo.

José Maria Moreira da Silva

A liberdade é muito mais que uma simples escolha; ela alimenta os sonhos dos que não têm medo ou preguiça de sonhar. É a possibilidade de usar a razão, em concordância com o nosso pensamento.

Quero aproveitar este espaço de liberdade, para ser livremente livre naquilo que penso e escrevo, sem qualquer tipo de medos ou amarras.

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