Metro: desenrolando um novelo de mentiras e manipulações

por João Mendes 0

Na Trofa como em Lisboa, existem detalhes de significativa relevância que nos permitem desmontar toda uma argumentação politico-partidária incongruente, focada no interesse do partido, nas batalhas eleitorais que estão para vir, e não no interesse das pessoas. O caso do metro tem sido uma verdadeira Meca deste tipo de conflito, com os principais partidos locais a trocarem acusações que valem para o visado como para si. Já muito se falou aqui neste espaço sobre o tema do metro mas, recentemente, fomos confrontados com a mais recente indignação partidária local, desta feita pela voz do PSD Trofa.

Há cerca de um mês atrás, escrevi neste espaço a propósito da questão das declarações do ministro do Ambiente sobre a vinda do metro para a Trofa e da posição do PSD local, que após quatro anos e meio em silêncio enquanto o governo PSD/CDS-PP em Lisboa nada se fez para resolver este problema, se decidiu finalmente indignar. Acredito que seja muito motivador para os militantes, principalmente aqueles que não estão a par do processo, mas esta foi uma jogada de pura propaganda. Um atirar de areia para os olhos dos trofenses que passarei a explicar.

A 7 de Junho de 2014, o então secretário de Estado dos Transportes do governo PSD/CDS-PP, Sérgio Monteiro, afirmava, em declarações ao Jornal de Negócios, que “Não haverá um euro na expansão do metro de Lisboa se também não houver no Porto”. Motivador. Porém, cerca de um ano mais tarde, ficamos a saber que a extensão do metro de Lisboa até à Reboleira tinha recebido uma injecção de fundos comunitários no valor de 8,7 milhões de euros. Mas o cofinanciamento, conforme podemos constatar nesta peça do DN, cobre "apenas" 84% do valor da empreitada. Alguém teve que pagar um resto. E nem um euro para o metro do Porto ou para a extensão à Trofa. E nem uma alma laranja se mostrou revoltada ou impotente. Só silêncio e a habitual cumplicidade de quem coloca o partido acima das pessoas.

Chegada a campanha eleitoral, e apesar dos factos referidos no parágrafo anterior, um mês antes do anúncio da extensão do metro de Lisboa surgia um comunicado do PSD Trofa (5 de Junho 2015) no qual era possível ler que “não se realiza mais nenhuma obra do Metro no País sem a construção da linha do metro até ao Muro” e que a vinda do metro para a Trofa era uma prioridade para o mandato seguinte. Um “passo em frente”, afirmava-se, por entre críticas ao PS por, entre outras coisas, ter enganado os trofenses na exacta mesma medida que o PSD o fez.  Irónico.

Passados alguns meses, na ponta final da campanha para as Legislativas, Pedro Passos Coelho passou pela Trofa e, questionado pela jornalista da TrofaTV, afirmou, categoricamente, que a extensão do metro até á Trofa não estava em cima da mesa. Repito: não estava em cima da mesa, algo que contrariava objectivamente o comunicado referido em cima. Portanto quatro anos e meio com zero avanços, palavras dadas que não foram honradas, um primeiro-ministro a confirmar o óbvio e nem um pio dos indignados.

Depois veio a manobra transformada em anedota nacional do autarca trofense. Numa sessão em que tentou boicotar o trabalho da comunicação social local, mostrando o seu desrespeito pela liberdade de imprensa, Sérgio Humberto, que havia anunciado uma solução para o problema do metro, apresentou na Junta de Freguesia do Muro uma mão cheia de nada que consistia num protocolo entre as concelhias do PSD de Trofa e Maia, a Metro do Porto e a CCDR-N, homologado pela Secretaria de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações e pela Secretaria de Estado do Tesouro e Finanças. Porém, seria o vice-presidente da CCDR-N a desmontar a falácia, em declarações ao Porto Canal, explicando tratar-se apenas de um memorando de trabalho que não apresentava qualquer garantia de execução da obra. Até porque nem o modelo de financiamento estava definido, nem a Comissão Europeia estava aberta ao avanço do projectoUma pergunta caro leitor: viu ou ouviu algum responsável do PSD comentar estas declarações de nº2 da CCDR-N? Claro que não. O que não interessa é para abafar.

Entre incongruências, manipulações e meias verdades, temos sido enrolados por um gigantesco novelo de propaganda que, na minha opinião, visa empurrar o problema com a barriga e/ou usá-lo eleitoralmente. Fomos inicialmente manipulados por cartazes do PSD, seguindo-se o PS e a vinda de Ana Paula Vitorino à Trofa, e agora somos alvo desta teia de informação e contra-informação, decorada por um discurso falacioso do poder político local, e o problema continua na mesma. A pouco mais de um ano das eleições, quantas falsas promessas estarão por vir?

Foto@O Notícias da Trofa

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.