Tantos buracos e nem um cartaz

por João Mendes 0

Podia pegar nos exemplos das estradas da freguesia do Coronado, do acesso ao Castro de Alvarelhos ou do eterno problema da EN14, que até pode estar aceitável no centro de Bougado mas cada vez degradada na zona de Santiago e do Muro, e todos seriam exemplos válidos e legítimos. Qualquer um destes problemas providencia matéria para uma reflexão sobre o péssimo estado das vias públicas do nosso concelho.

Vou antes pegar num outro exemplo, que eles abundam, e que me afecta particularmente, tal como afecta inúmeros amigos e colegas de trabalho que diariamente vão para o trabalho e regressam a casa pela A3. O troço da EN104 que liga a Igreja Nova até à rotunda da Cêpa é um verdadeiro atentado contra os milhares de viaturas que todos os dias por ali passam. Não existe ali um metro de piso que não tenha um buraco, uma tampa sublevada, uma fenda ou um remendo feito às três pancadas que acaba por ter o mesmo efeito que um buraco. O caro leitor até pode ser habilidoso, escapar a alguns destes obstáculos, mas não os consegue evitar a todos. Porque para fugir a um acaba por cair noutro. É vergonhoso, o estado desta e de todas as vias citadas.

Perante isto, estranho até ao momento não ver por aí um único cartaz, daqueles cartazes que em tempos nasciam nos postes e na sinalização vertical, e que levaram a acesas discussões, insultos e – supostamente – ao famoso, bizarro e surreal momento de pancadaria entre elementos da JSD e JS, que, viemos a descobrir mais tarde, foi na verdade um confronto de um sentido só. Com as nossas estradas neste estado calamitoso, onde pára a indignação de outrora? Onde estão as montagens de vídeo a “alertar” para o problema e a compará-lo com os rios de dinheiro disponíveis para ajustes directos para tudo e mais alguma coisa? Em lado nenhum. Nem os partidos à esquerda decidiram adoptar esta via, nem os indignados de 2013 parecem querer dar o ar da sua graça, até porque ambos os temas, o das estradas e o dos ajustes directos, são capazes de lhes ser um pouco caros dias que correm. O problema continua lá mas o xadrez político actual parece impedir a contestação. Talvez tenhamos que esperar pelas próximas eleições. Até lá, boa sorte com as vossas viaturas!

Foto@O Notícias da Trofa 

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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