Quanto custa a Feira Anual da Trofa?

por João Mendes 0

A Feira Anual da Trofa é um acontecimento de importância central para o nosso concelho. Apesar de desconhecer se gera mais-valias financeiras directas para as contas do município, para além das óbvias receitas extraordinárias que algum comércio local obtém durante o certame, é um investimento que prestigia a nossa terra, que a coloca num plano de destaque regional e nacional e que faz as delícias de milhares de trofenses e outros portugueses, que anualmente se deslocam em massa até ao recinto do evento.

Claro que tudo isto tem custos. Aqui fica o detalhe de parte significativa dos mesmos, relativos à edição deste ano. Aqueles que estão disponíveis para consulta dos comuns mortais, claro:

  • Aluguer de tendas e stands: 31.942,50 € + IVA (39.289,28€) – VER REQUISIÇÃO
  • Segurança: 8.790€ + IVA (10.811,70€) – VER CONTRATO
  • Bancada picadeiro, tribuna e palco: 3.800€ + IVA (4.674€) – VER REGISTO
  • Equipamento de som e luz para espectáculos: 6.400,00 € + IVA (7.872€) – VER REQUISIÇÃO
  • Espectáculos Quim Barreiros e Banda Sabor: 6.500,00 € + IVA (7,995€) – VER REQUISIÇÃO
  • Espectáculo D.A.M.A.: 10.850€ + IVA (13.345,50€) – VER REQUISIÇÃO

Contas feitas, e importa frisar que não estão aqui reflectidos todos os custos, estamos a falar de um custo de 76.640,70€, a que acrescem custos de publicidade (área onde este executivo já gastou cerca de 300 mil euros em pouco mais de 2 anos de mandato), logísticos e com pessoal. Para não falar nos custos associados às actividades equestres, que este ano ficaram a cargo de uma associação recém-formada, uma decisão envolta em polémica. Mas focando apenas nos custos disponíveis no portal Base, é interessante notar que cerca de 38% dos gastos (29.212,50€) dizem respeito a animação. Estamos a falar em mais de um terço do valor alocado para concertos, particularmente úteis na estratégia eleitoral a cerca de um ano e meio das próximas Autárquicas que poderão reconduzir Sérgio Humberto e Luís Paulo ao poder.

Não deixa de ser curioso que, numa autarquia tão endividada como a nossa, onde a rede viária, uma das grandes bandeiras eleitorais deste executivo, continua paupérrima, seja possível dispor de aproximadamente 30 mil euros para concertos. É certo que o poder de decidir está nas suas mãos mas não deixa de representar uma estranha ordem de prioridades. Até porque o público-alvo do certame não é bem a faixa etária infanto-juvenil que habitualmente enche os concertos dos D.A.M.A., o concerto mais caro de uma banda que, nem por acaso, até cá esteve em Julho. Haja dinheiro, apesar dos alertas preocupantes da DGAL sobre as contas extremamente delicadas de um dos municípios mais endividados do país.

Foto@O Notícias da Trofa

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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