Ser do contra

por João Mendes 0

A crítica da qual o …e a Trofa é minha mais vezes tem sido alvo é de ser do contra. Infelizmente, tal crítica insiste – tanto quanto é do meu conhecimento – em não se fazer acompanhar de argumentação que a sustente, o que lhe retira substância. É muito fácil fazer ataques desta natureza para de seguida procurar refúgio no silêncio, típico de quem atira pedras de cara escondida.

Contudo, aquele que a meu ver é o objectivo de quem incentiva a este tipo de crítica fácil acaba por ter algum sucesso, nomeadamente pela criação do soundbyte. Já tive oportunidade de confrontar pessoalmente algumas pessoas que partilhavam desta opinião e, quando questionadas sobre o porquê de subscreverem esse ataque manifestamente fabricado em determinados centros de poder, a justificação mais comum é dizerem-me que nos limitamos a atacar o executivo. Quando procuro contra-argumentar, apresentando vários textos em que defendemos medidas deste executivo (ou do anterior), elogiamos práticas ou fazemos sugestões, a reacção é de espanto, seguida de justificações como o facto de não conhecerem todo o nosso trabalho, de só terem lido este ou aquele texto que versou sobre um tema mais polémico e/ou caro a quem está no poder e – e esta é fundamental – porque alguém lhes tinha dito que era assim e por algum motivo a pessoa em questão optou por não tirar a limpo. Acontece. E não é, a meu ver, motivo de grande alarme. A função dos autores deste espaço, no que toca aos seus textos, também é a de clarificar e desmontar mitos sobre os mesmos.

Importa clarificar que o painel do …e a Trofa é minha integra hoje 14 autores, dos quais apenas metade tocam temas de natureza política e social. Mas vou apenas focar-me naquele que é o meu trabalho, pois não me sinto no direito de falar pelos meus colegas. O âmbito deste espaço, desde o dia em que o fundei com a minha amiga Silvéria Miranda, é claro e nunca foi ocultado de ninguém: esmiuçar a realidade política e social da Trofa. Sem medo nem clientelas. E é isto que tenho feito, através de textos que não são impostos a ninguém ou enfiados nas caixas do correio dos trofenses sob forma de folhetos anónimos. Só lê quem quer e são cada vez mais os que querem. Agradeço-lhes do fundo do coração e longe de mim querer que todos concordem comigo. Pretendo apenas que cada um faça as suas próprias reflexões.

Existem temas sensíveis? Claro que sim. Mas uma das vantagens da democracia é precisamente podermos falar sobre eles, discuti-los, retirá-los da sombra onde alguns os tentam esconder. Se escrevo um texto em que exponho um ajuste directo feito pela CM da Trofa aos antigos donos do Correio da Trofa, que participaram na campanha que levou Sérgio Humberto à presidência, isso é ser do contra? Só se for contra o despesismo. Nestes casos aceito a crítica: sou do contra. Contra a utilização do dinheiro de um concelho altamente endividado para pagar favores. Querem pagar favores usem o dinheiro deles, não o nosso. Principalmente para depois nos vermos confrontados com o resultado final de um investimento de 24 mil euros: uma exposição medíocre e uma revista que praticamente ninguém viu.

Mas este é apenas um de muitos exemplos. Porque podia pegar no caso da inauguração dos parques, na censura da TrofaTV por parte do autarca trofense no caso da apresentação pública do metro, no facto de se gastarem dezenas de milhares de euros no BeLive apesar de continuar a não existir uma pequena verba para pagar autocarros que pudessem recolher os jovens de outras freguesias que não Bougado para que pudessem assistir a esta grande festa ou no episódio em que o presidente Sérgio Humberto usou recursos que são de todos para promover a sua imagem. Deixo o desafio aos críticos: em que medida é que escrever sobre qualquer um destes temas é ser do contra? Será que têm a coragem de responder? Porque fazer acusações infundadas, com base na mentira ou no boato, isso sim é ser do contra. Mas fica aqui a nota que, numa próxima oportunidade, dedicarei algumas linhas a alguns episódios do contra, protagonizados por ou com o apoio daqueles que agora criticam, sem apresentar um argumento que seja, o trabalho de alguns autores deste espaço. Os mesmos que, até às Autárquicas de 2013, não só não criticavam como gostavam e partilhavam algumas das críticas que no antigo blogue visavam o anterior executivo. A memória de alguns pode ser curta, a minha não é. E aquilo que me move está por escrito, para memória futura. Porque nem todos nos movemos por ambições pessoais de cargos ou poder.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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