Feira Anual da Trofa 2016: a opinião do contra que faltava

por João Mendes 0

A Feira Anual da Trofa, pelo que pude apurar, foi uma vez mais um grande sucesso. Desconheço o volume de negócios realizado ou a afluência total quando comparada com anos anteriores, mas do ponto de vista de quem lá vai anualmente em modo passeio de família, notei algumas alterações, a meu ver muito positivas. E o São Pedro, que ainda ameaçou condicionar a festa, nem se portou mal!

O que mais me saltou à vista foi o facto de se ter concentrado, no edifício do mercado, a maioria dos expositores relacionados com alimentação, da doçaria aos queijos e enchidos, onde em alguns stands era possível, inclusive, sentar para saborear as iguarias. Os animais que aí estavam em edições anteriores foram albergados numa nova tenda, dedicada em exclusivo ao gado bovino, tudo isto sem que se tornasse necessário fazer grandes alterações na forma como o recinto estava disposto. O evento fica a ganhar com estas alterações.

Por outro lado, é de saudar a aposta na animação nocturna, uma aposta que só peca por chegar com anos de atraso. Não que noutros anos não houvesse qualquer tipo de animação mas foi sempre uma oferta muito pobre. Gostos à parte, e porque não são os meus que estão em questão, a aposta no incontornável Quim Barreiros e no fenómeno infanto-juvenil D.A.M.A. são apostas ganhas, agradam a muita gente e serão com certeza tidas em conta no ano eleitoral que se avizinha. Só faltou a direita reivindicativa, confesso que já tenho algumas saudades dela!

Por falar em eleições, de saudar o fim do boicote à Cruz Vermelha, protagonizado no ano anterior pelo poder político de cabeça perdida que decidiu abrir guerra a esta instituição. Este ano, a luz eléctrica foi reposta e foi possível manter aberta a porta da cantina social. As eleições estão à porta e as pessoas no poder precisam de começar a apagar alguns dos fogos que atearam. Assim, a Cruz Vermelha pôde deixar de se preocupar com politiquices e focar-se na sua missão: ajudar.

Outra coisa que saltou à vista, porque anualmente levo com a suspensão temporária das regras de estacionamento que caracteriza estas datas, foi a sensação que as ruas em torno da zona do evento estavam um pouco menos caóticas que em anos anteriores. Não sei se foi impressão minha ou se o parque de estacionamento subterrâneo do renovado parque fez a diferença, mas a verdade é que achei a Trofa mais transitável.

Finalmente a nuvem negra. Digam o que disserem as virgens ofendidas, a entrada em cena da associação Equestrian Events é muito pouco transparente e a prova de que este executivo trata as associações do concelho de forma desigual e injusta. E se já o era quando se tornou público que esta associação foi criada a poucas semanas do evento, suficiente para que quem manda lhes entregasse a organização das actividades equestres da Feira Anual da Trofa, a gravidade da situação aumentou dramaticamente após as declarações de elementos da direcção da Confraria de Cavalo, que acusam a Junta de Bougado de não honrar o protocolo existente, algo que efectivamente se verificou, e que referem a agravante de um dos dirigentes da nova associação ser irmão de um dos elementos do executivo da junta, executivo esse que deliberou a favor da Equestrian Events. E tudo isto perante o silêncio daqueles que rasgaram as vestes quando a CMT tinha a irmã da anterior autarca como fornecedora de flores da autarquia. Não são situações iguais? Claro que não. Mas tem algo em comum: em ambos os casos quem delibera vê um familiar directo ser beneficiado pela referida deliberação. 

E era isto! Parabéns a todos os envolvidos nesta grande festa. Que no próximo ano haja oferta de diversão nocturna para a minha faixa etária também (acho que também merecemos, ainda somos alguns), que se continue a deixar a Cruz Vermelha trabalhar e que se evitem os favores descarados a amigos e companheiros de partido. Isto foi muito bom mas pode sempre melhorar!

Foto: O Notícias da Trofa

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.