5º - A adesão de Guidões, Alvarelhos e Covelas à Comissão Promotora do Concelho da Trofa

por José Maria Moreira da Silva 0

Para a Comissão Promotora ser constituída pelas Freguesias de Santiago de Bougado e S. Martinho de Bougado foi preciso ser assinado um protocolo, por proposta de Santiago de Bougado, em que todos se comprometiam a agir concertadamente junto dos órgãos do poder local, regional e nacional, para que a (ainda) Vila da Trofa, no seu todo fosse dotada de equipamentos, serviços e infraestruturas de que se encontrava carenciada, na base de critérios de racionalidade tendo em vista um desenvolvimento integrado, sempre no respeito da equidade das decisões em relação às duas freguesias, de forma a corrigir assimetrias herdadas do passado, mas também trabalharem em conjunto pela criação do Concelho da Trofa. Depois de ter sido assinado o referido protocolo foi decido que protocolos similares poderiam vir a ser assinados entre a Vila da Trofa e as freguesias que viessem a aderir ao processo. O que nunca veio a acontecer, com as restantes freguesias!

Recordo que as duas freguesias eram geridas por autarcas eleitos pelo Partido Socialista, assim como Alvarelhos, Muro, S. Mamede do Coronado e S. Romão do Coronado. Só Guidões e Covelas é que não eram geridas por autarcas socialistas, mas por sociais-democratas. Até parecia ser fácil a adesão, principalmente pelas autarquias geridas pelos socialistas, mas não foi bem assim. Bem pelo contrário.

Após diversas reuniões e jantares de trabalho foi anunciado num jantar-convívio, realizado no Monte de S. Gens, na Freguesia de Santiago de Bougado, no dia 10 de janeiro de 1992, que Guidões já tinha decidido aderir ao processo da criação do Concelho da Trofa, assim como também foi anunciado que Alvarelhos, mal fosse o assunto colocado em discussão na Assembleia de Freguesia teria a sua aprovação. A informação de Guidões foi feita pelo Presidente da autarquia, Óscar Campos, eleito pelo PSD. Quanto a Alvarelhos, a informação foi feita pelo Presidente da Junta de Freguesia, Francisco Sá, eleito pelo PS.

A Freguesia do Muro, através do seu Presidente, Manuel António Ramos, também eleito pelo Partido Socialista anunciou no referido jantar-convívio, que para já, a sua freguesia se mantinha à margem do processo, aguardando o desenrolar dos acontecimentos. Foi anunciado também, que a Freguesia de S. Romão do Coronado, presidida por Guilherme Ramos, eleito pelo Partido Socialista, não era contra a criação do Concelho da Trofa, mas que não podia dizer se a sua freguesia desejava fazer parte do novo concelho. Nesse jantar-convívio, S. Mamede do Coronado (cujo Presidente da Junta de Freguesia era José Agostinho, eleito pelo Partido Socialista), não se fez representar, mas foi anunciado que Covelas iria aderir ao processo.

Fazendo a «contabilidade», a Comissão Promotora do Concelho da Trofa já tinha sido alargada para 5 freguesias, e já faziam parte, por direito próprio, para além dos 13 elementos de S. Martinho de Bougado e de Santiago de Bougado, os autarcas Presidentes das Juntas de Freguesia e de Assembleia de Freguesia, respetivamente: Guidões, Óscar Campos e Manuel Cruz; Alvarelhos, Francisco Sá e Bernardino Rodrigues; Covelas, Fernando Moreira e Fernando Melo Ferreira, no total de 19 membros.

Ou seja, as freguesias que não pertenciam à Vila da Trofa, só tinham direito a 2 representantes cada, os Presidentes das Juntas de Freguesia e das Assembleias de Freguesia. A equidade já não era necessária!

Na próxima Crónica serão narradas as alterações que originaram as eleições autárquicas de 1993. 

José Maria Moreira da Silva

A liberdade é muito mais que uma simples escolha; ela alimenta os sonhos dos que não têm medo ou preguiça de sonhar. É a possibilidade de usar a razão, em concordância com o nosso pensamento.

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