Feira Anual transformada numa arma política!

por João Pedro Costa 0

Foto de 2014, no momento em que os dois encapotados foram Entronizados (Significado: Elevar ao trono; pôr no trono; exaltar; elevar…) pela mesma Confraria do Cavalo que agora está a ser prejudicada pelos ilustres confrades!


Com a sua génese em 1946 (faz este ano 70 anos), a Feira Anual da Trofa assume-se como um grande certame. Muitos foram os trofenses que trabalharam para que ela chegasse aos nossos dias e assim tenhamos na Trofa, uma das maiores feiras agropecuárias de Portugal.

Durante muitos anos, as pessoas que se dedicavam ao “setor primário” da economia, ligado à exploração dos recursos da natureza (principalmente a agricultura e a pecuária) viram nesta feira os seus interesses defendidos, sendo nela promovidas as relações comerciais. Vivíamos num Portugal bem mais rural e era com naturalidade que as pessoas aderiam a estas iniciativas, literalmente “saíam dos campos para ir à cidade”, servindo ainda de pretexto para uma grande festarola.

A população vivia unida e, de facto, o divertimento era uma festa bairrista em que a generalidade das pessoas se reviam no evento e sentiam o verdadeiro pulsar da sua terra.

A Trofa, integrada no município de Santo Tirso (até 1998), procurava ter as suas próprias iniciativas e identidade, assumindo a Junta de Freguesia de Bougado, com todo o sentido, a promoção do evento. Mas, a partir desse ano a forma de organização administrativa mudou e os políticos que governaram a Trofa não tiveram a coragem de fazer o que, a meu ver, era o correto e o melhor para a Trofa – a transferência da organização para a Câmara Municipal da Trofa (CMT).

Afinal, uma vez que é a Câmara Municipal que a financia e a supervisiona, qual o real motivo para haver esta espécie de dois poderes que fazem com que o município não se desenvolva como um corpo único e devidamente articulado? A CMT tem muitos mais recursos humanos, com cerca 250 trabalhadores, que lhe acrescentaria a exigência e o profissionalismo, que se impõe. Protocolavam devidamente com fornecedores, associações e demais parceiros, sempre nos mais altos interesses do concelho, deixando de parte vaidades e interesses pessoais.

Ao contrário do que aqui pugno, a Junta de Freguesia de Bougado, através do seu presidente Luís Paulo, sempre de braço dado com o seu “compadre” Sérgio Humberto fazem rigorosamente o contrário, fraturam os trofenses e tornam ridículo o slogan que os levou ao poder, o tal “Unidos pela Trofa”.

Depois da polémica de 2015, onde tentaram impedir a participação da Cruz Vermelha Portuguesa, barrando-lhe mesmo a passagem às suas instalações “Porta de Sabores” de forma deliberada e premeditada, cortando-lhe em simultâneo o fornecimento de energia em prejuízo da ação social que é empreendida por esta nobre instituição, na Trofa, segue-se agora novo episódio – “o caso” da Confraria do Cavalo.

Mais uma vez, num ato premeditado, foi criada uma associação a quatro meses do evento de nome “Equestre Events Associação Equestre dos Templários” a quem de pronto foi delegada a organização da parte equestre da Feira Anual, passando por cima dos compromissos previamente assumidos e enveredando por caminhos contrários aos interesses dos trofenses – criar um associativismo plastificado.

Tudo isto assente em controlo do movimento associativo, de dinheiros públicos, com a agravante de uma boa parte dos órgãos sociais da nova associação serem dissidentes da Confraria do Cavalo, que dá ideia de terem arquitetado conjuntamente com os responsáveis políticos locais, um autêntico golpe palaciano! Precisa a Trofa de duas associações ligadas à arte equestre? A resposta é “não”, até porque as ações são específicas e muito ligadas a dois ou três eventos no ano, agora os políticos precisam de garantir o domínio das associações, brilhando perante os eleitores do concelho, a pensar já na sua reeleição de 2017.

Nesta linha, temos um regresso do Quim Barreiros à Trofa ao mesmo tempo que os DAMA, facto que faz da Trofa uma terra altamente desestruturada, onde não existe edifício de Paços do Concelho, onde há escassez de obras públicas e outras são mal acabadas (Parques NSD e Lima Carneiro) ou nem acabadas são (Parque das Azenhas), mas sobra dinheiro para gastar em poucas horas…

Será que eles faziam isto, se o dinheiro fosse deles?

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