Será pedir muito presidente Sérgio Humberto?

por João Mendes 0

Por vezes, a Trofa é alvo de cobertura mediática por parte da imprensa nacional. No ido mês de Agosto de 2013, escrevi no ainda blogue ...e a Trofa é Minha sobre a cobertura feita pela TVI24 ao famoso melão casca de carvalho, um ex-libris da agricultura local cujo preço, muito acima da média, não o impede de ser uma iguaria com elevada procura, na Trofa como no resto do país. O título dessa publicação - A Trofa na comunicação social pelos melhores melões - era uma óbvia provocação à troca de galhardetes protagonizada pelas estruturas locais do PS e do PSD, que sempre que tinham oportunidade lá aproveitavam para atacar os seus adversários por uma ou outra notícia que os colocava em cheque. E o facto de as haver para os dois lados só tornava essa disputa absolutamente ridícula porque a mesma dinâmica que os levava a atirar pedras para o telhado do vizinho não os impedia de se remeterem ao silêncio quando o tema era o seu partido. Coisas de estruturas imparciais.

Claro que as notícias sobre uns e outros se sucedem, entre escândalos sobre alegados esquemas de tráfico de influências, situações de gestão danosa do erário público ou violações de direitos básicos, tal como o recorte que podem ver em baixo, retirado de uma edição recente do Jornal de Notícias, que diz respeito à queixa apresentada pelo jornal O Notícias da Trofa contra o autarca Sérgio Humberto no Ministério Público, que nos remete para o vergonhoso caso de violação da liberdade de imprensa protagonizado pelo autarca da Trofa que tentou, numa sessão pública de esclarecimento sobre a vinda do metro para a Trofa, censurar a actividade deste meio de comunicação local. Um episódio com cheiro a ditadura, desnecessário e que revelou algum nervosismo da parte de Sérgio Humberto que, soubemos semanas depois, mais não tinha para oferecer do que uma mão cheia de nada. Talves não dê em nada, num país em que políticos poderosos tendem a ser imunes à lei, mas a referida violação existiu e não houve sequer a humildade de pedir desculpa. Prepotências. 

Por falar na projecção mediática da Trofa na imprensa nacional, importa hoje referir que não são só as trapalhadas políticas locais que fazem notícia. A iniciativa do Clube Slotcar da Trofa (CST) que hoje se realizou, o Raid Fotográfico "Redescobrir a Trofa - 7 maravilhas da Trofa", foi alvo de uma alargada cobertura mediática, que para além do destaque nos jornais locais O Notícias da Trofa e Correio da Trofa, captou o interesse de títulos como o Jornal de Notícias, Porto Canal, Notícias ao MinutoCorreio da Manhã, mas também da RTP. Quem não esteve minimamente interessado no evento foi a Câmara Municipal da Trofa, o que enquanto dirigente do CST mas principalmente enquanto trofense me entristice e revolta. Mas já não me surpreende. Este executivo, que hasteou a bandeira do associativismo na campanha de 2013, e que agora trata associações do concelho de forma desigual e injusta, não têm uma palavra a dizer, na sua movimentada página de Facebook, sobre uma iniciativa que chamou a atenção a orgãos de comunicação social sediados no Porto e em Lisboa. Publicações sobre os concertos dos D.A.M.A. ou do Quim Barreiros na FAT16 é que não faltam, ou não estivessemos nós a pouco mais de um ano das Autárquicas e a caça ao voto não tivesse já começado. Haja pão e circo! Agora promover uma associação local, numa página que é de todos e não do senhor presidente e respectiva corte, que inclusivamente já a usou, por mais que uma ocasião, em beneficio próprio, isso já é capaz de ser pedir muito. Mas sempre nos podem deixar trabalhar. Se isso não incomodar muito as suas aspirações políticas claro!

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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