Onde pára a direita reivindicativa?

por João Mendes 0

Em 2010, o executivo socialista da CM da Trofa contratou o popular e famoso Quim Barreiros para actuar na Expo Trofa. Este facto serviu de arma de arremesso contra Joana Lima, acusada de despesismo por inúmeros militantes e simpatizantes dos partidos da direita local. Dando voz a estas críticas, a JSD Trofa, outrora tão activa no esmiuçar da realidade política e social do concelho, questionava, em artigos publicados no seu blogue em Julho e Dezembro de 2010, qual teria sido o custo da actuação do mestre do acordeão. A indignação era absoluta.

Qual não foi o meu espanto quando descobri que a Feira Anual da Trofa deste ano contará com a actuação do mesmo Quim Barreiros, a quem se juntam os D.A.M.A. Para quem sugere que se devem cobrar fotocópias de documentos aos vereadores socialistas, este executivo até parece nadar em dinheiro! Até porque estamos a falar de dois concertos com um custo de vários milhares de euros cada. Mas nada que nos deva admirar. Afinal, falta pouco mais de um ano para as próximas Autárquicas e já é tempo de pão e circo.

Estaremos perante um novo caso de despesismo ou estará agora tudo bem porque quem tomou a decisão foram dirigentes do PSD/CDS-PP e não do PS? O que terão a dizer os indignados de 2010? Nada? Estranho. Parece-me que estamos perante um novo caso de dois pesos e duas medidas para situações iguais. Aliás, não são bem iguais. Porque desta vez, ao invés de um concerto dispendioso, estamos perante dois. Se calhar estamos a nadar em dinheiro. Mas… Espera lá: a DGAL não disse que as contas do concelho estavam numa situação delicada e de sustentabilidade duvidosa?

São situações que se sucedem. Os ajustes directos que antes eram motivo de indignação não colhem hoje mais do que silêncio. Os buracos nas vias públicas do concelho que antes enchiam os postes de cartazes irreverentes são hoje aparentemente aceitáveis. Os alegados compadrios que até Outubro de 2013 eram alvo dos mais cerrados ataques são hoje aceites com estranha naturalidade. Os atropelos ao associativismo de hoje não beneficiam do mesmo repúdio que beneficiaram no tempo do anterior executivo. Onde pára a direita reivindicativa? Onde estão os esquadrões anti-despesismo? Onde está a irreverente JSD Trofa, que até manifestações chegou a fazer e que agora não parece ter uma palavra que seja sobre a condução destes e de outros temas?

O que mudou?

Nada. Apenas quem manda. 

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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